Nunca se trabalhou tanto como nos dias de hoje. Mas qual é o sentido da vida no mundo do trabalho incessante? E quem encontra tempo para se dedicar à busca do sentido das coisas? Atualmente, estamos diante de um impasse em relação ao uso do tempo, por isso a necessidade de refletirmos sobre o papel do ócio criativo, da preguiça, da pausa para pensar e (por que não?) contemplar.
“Na era do grande desenvolvimento tecnocientífico e digital, maravilhosas máquinas economizam o trabalho mecânico, mas criam, ao mesmo tempo, dois novos problemas: primeiro, uma espécie de intoxicação voluntária, isto é, mais a máquina nos parece útil, mais ela nos torna incompletos. Isto é, a máquina governando quem a devia governar; daí decorre o segundo problema, bem mais complexo: tantas potências auxiliares mecânicas tendem a reduzir nossas forças de atenção e de capacidade de trabalho mental, o que se relaciona aos seguintes fenômenos: impaciência, rapidez e volatilidade nunca antes vistas”, diz o jornalista e filósofo Adauto Novaes, organizador do ciclo de conferências Mutações: Elogio à Preguiça.
Contando com a participação de Marilena Chauí, José Miguel Wisnik, Maria Rita Kehl, Jorge Coli, etc., o ciclo de conferências está estruturado em quatro eixos:
1. as ideias de tempo: mecânico do trabalho, lento do pensamento etc.;
2. as ideias de trabalho: mecânico e repetitivo, criativo das obras de arte e de pensamento;
3. as ideias de progresso: uma das finalidades primordiais do trabalho na modernidade;
4. as ideias de preguiça: dos devaneios à melancolia.
A palavra “preguiça é, certamente, uma das mais suspeitas e perigosas. Dela decorre longo cortejo de acusações bizarras, mas também noções de obras de arte, poesia, romance, pinturas, reflexões filosóficas: o preguiçoso é indolente, improdutivo, nostálgico, melancólico, indiferente, distraído, voluptuoso, incompetente, ineficaz, lento, sonolento, silencioso: quem se deixa levar por devaneios. Apesar da oposição, preguiça e trabalho guardam um misterioso parentesco, quase simétrico e especular. A vida íntima que a preguiça leva com o trabalho pode nos revelar que o preguiçoso trabalha muito. Como?”.
Talvez Albert Camus tenha razão: “São os ociosos que transformam o mundo porque os outros não têm tempo algum”.
Datas: 11 de agosto a 07 de outubro | Quartas, quintas e sextas, às 19h30
Local: SESC Vila Mariana | Sala Corpo & Artes – Rua Pelotas, 141 – São Paulo – SP
Informações e inscrições: Portal SESCSP
Algumas ideias sobre o ócio e o trabalho podem ser encontradas no blog coletivo dos palestrantes de Elogio à Preguiça: www.elogioapreguica.com




