Data: 2011.08.09 | Categoria: Notícias, Para refletir... | Comentários: 0

Elogio a pregui  a Nunca se trabalhou tanto como nos dias de hoje. Mas qual é o sentido da vida no mundo do trabalho incessante? E quem encontra tempo para se dedicar à busca do sentido das coisas? Atualmente, estamos diante de um impasse em relação ao uso do tempo, por isso a necessidade de refletirmos sobre o papel do ócio criativo, da preguiça, da pausa para pensar e (por que não?) contemplar.

“Na era do grande desenvolvimento tecnocientífico e digital, maravilhosas máquinas economizam o trabalho mecânico, mas criam, ao mesmo tempo, dois novos problemas: primeiro, uma espécie de intoxicação voluntária, isto é, mais a máquina nos parece útil, mais ela nos torna incompletos. Isto é, a máquina governando quem a devia governar; daí decorre o segundo problema, bem mais complexo: tantas potências auxiliares mecânicas tendem a reduzir nossas forças de atenção e de capacidade de trabalho mental, o que se relaciona aos seguintes fenômenos: impaciência, rapidez e volatilidade nunca antes vistas”, diz o jornalista e filósofo Adauto Novaes, organizador do ciclo de conferências Mutações: Elogio à Preguiça.

Contando com a participação de Marilena Chauí, José Miguel Wisnik, Maria Rita Kehl, Jorge Coli, etc., o ciclo de conferências está estruturado em quatro eixos:

1. as ideias de tempo: mecânico do trabalho, lento do pensamento etc.;
2. as ideias de trabalho: mecânico e repetitivo, criativo das obras de arte e de pensamento;
3. as ideias de progresso: uma das finalidades primordiais do trabalho na modernidade;
4. as ideias de preguiça: dos devaneios à melancolia.

A palavra “preguiça é, certamente, uma das mais suspeitas e perigosas. Dela decorre longo cortejo de acusações bizarras, mas também noções de obras de arte, poesia, romance, pinturas, reflexões filosóficas: o preguiçoso é indolente, improdutivo, nostálgico, melancólico, indiferente, distraído, voluptuoso, incompetente, ineficaz, lento, sonolento, silencioso: quem se deixa levar por devaneios. Apesar da oposição, preguiça e trabalho guardam um misterioso parentesco, quase simétrico e especular. A vida íntima que a preguiça leva com o trabalho pode nos revelar que o preguiçoso trabalha muito. Como?”.

Talvez Albert Camus tenha razão: “São os ociosos que transformam o mundo porque os outros não têm tempo algum”.

Datas: 11 de agosto a 07 de outubro | Quartas, quintas e sextas, às 19h30

Local: SESC Vila Mariana | Sala Corpo & Artes – Rua Pelotas, 141 – São Paulo – SP

Informações e inscrições: Portal SESCSP

Algumas ideias sobre o ócio e o trabalho podem ser encontradas no blog coletivo dos palestrantes de Elogio à Preguiça: www.elogioapreguica.com

Data: 2011.07.21 | Categoria: Companheiros de Aprendizagem, Ofício de Aprender | Comentários: 0

“(…) Entre as imensas descobertas do século XX em dois campos específicos, nosso cérebro e os sistemas naturais, guardemos presente as repercussões que têm – ou poderiam ter – uma incidência sobre a problemática educativa, já que elas modificam um grande número de noções fundamentais , indispensáveis para as hipóteses de trabalho da pedagogia, das ciências cognitivas e da epistemologia.

Mencionemos:

– A reavaliação de certos conceitos “fósseis”: causalidade, objetividade, origem, realidade, temporalidade;

- Os conceitos que necessitam ser “revisitados” (ou “esclarecidos” ou “desempoeirados”): os verdadeiros/falsos, debates sobre o inata/o adquirido, a informação, o real, , as origens (do homem, da linguagem) e o mito “indoeuropeu”;

- A emergência de conceitos plurais: níveis de realidade, lógicas, inteligências, memórias, linguagens;

- A emergência de conceitos inovadores: relatividade (Eistein – 1904!), campo, sistema, estruturação, auto-organização, potencialização e atualização, complexidade e complexificação, interface, complementariedade dos contraditórios, cointerdepêndencia, transdisciplinaridade, não linearidade, princípio de incerteza, indeterminação, caos;

- No campo das ciências do vivente: a descoberta de nossa estrutura fundamental, o ADN, os trabalhos sobre o genoma,os neurotransmissores, as fabulosas potencialidades de aprendência, de inovação, de compensação, de reparação de nosso cérebro e de nosso corpo inteiro.

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Numerosos defensores do humanismo ressaltam que a crise que atravessa a humanidade, no fim do que convencionamos chamar século XX, tem por denominação energia, inflação, desemprego, pobreza, precariedade, exclusão, poluição, fragmentação, desintegração do laço social e familiar e outras ameaças opressoras. Mas a mundialização da crise econômica, social e política é, na realidade, uma conseqüência da crise de percepção que atravessamos: ainda não compreendemos que vivemos num mundo onde os fenômenos biológicos, fisiológicos, psicológicos, sociológicos e ambientais são interdependentes. Nossa sociedade ainda não se conscientizou que o ser humano, querendo ou não, sabendo ou não, também é, e sempre será, dependente das leis de equilíbrio da natureza e do vivente, ou seja do (s) ritmo (s) do vivente, etimologicamente “à ce qui coule” (ao que flui).

Trata-se agora de ficar atento à história do vivente, suas exigências de equilíbrio e de troca que nos permitem, como diz de maneira justa Albert Jaquard “não permanecer passivo, mas imaginar o amanhã”.

Reinventar o Ofício de Aprender. TROCME-FABRE, Hélène. TRIOM, 2010. p.285-300, p.53

Data: 2011.07.20 | Categoria: Cenários, Sons & Imagens | Comentários: 0

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Quando a paisagem ameaça ressecar meu peito/minha alma chove.
(Poesia mínima & frases amenas .Climério Ferreira)

http://www.fnt.org.br/artigos.php?id=782

Data: 2011.07.16 | Categoria: Companheiros de Aprendizagem, Notícias | Comentários: 0

Cleo Busatto agosto 2011

Data: 2011.06.28 | Categoria: Companheiros de Aprendizagem, Ofício de Aprender | Comentários: 1

“Antes de estruturar e de construir, um trabalho importante deve ser efetuado para permitir a terraplanagem do terreno, a escavação das fundações e a escuta do ambiente onde se passam as ações de aprender e as ações de ensinar. Antes de procurar conhecer nossos próprios recursos cognitivos e nos colocarmos à escuta das recentes pesquisas sobre o cérebro, é preciso, em primeiro lugar, abrir um espaço de questionamento e de ressonância, descobrir nossas representações, inventariar nossas ignorâncias, assim como, os recursos que precisamos e os que possuímos. “

(…) E se… nos preocupássemos, continuamente, em fazer a mais importante de todas as perguntas:

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Por quê? Por que faço o que faço,
da maneira como faço, onde e quando eu o faço?
Que finalidade pretendo alcançar, além e aquém dos meus objetivos, fins e alvos?

Ousar questionar a si mesmo significa deixar a lógica da verdade, linear e binária (certo/errado, bom/ruim, êxito/fracasso) e dar à nossa palavra por que o sentido que ela tem em hebreu “lamá”[1]: “em direção do quê?”. Questionamento fundamental , religado ao nosso advir, ao agir, à vontade, ao que ainda está por ser realizado, “de passagem”. Este questionamento difere da interrogação, porque ele não pretende verificar uma resposta conhecida daquele que interroga.

… Quais são os efeitos do questionamento? Fazer-nos sair do pret-à-penser (pronto-a-pensar), do pret-à-dire (pronto a dizer), do pret-à-croire (pronto a crer), abrirmo-nos ao mistério do Outro, ao seu inesperado, ampliar o horizonte e nos descobrir exatamente por causa de nossa atitude questionante. Como isso funciona? O questionamento projeta a resposta no futuro. Ele cria um intervalo, um espaço matricial, onde a resposta irá se constituir, enraizar-se em nossa história, num presente feito com nosso passado e nosso futuro. O paradoxo do verdadeiro questionamento (cf. Ouaknin) é que ele não visa o desconhecido, mas, o imediato, o habitual, o próximo.”——————————————————————————–

[1] …os dois lados do “por que” em hebraico: lamá (= em direção do quê?) e madoua (e por quê razão?), religado ao intelecto, à análise, à compreensão, ao saber, à consciência, à ciência, ao pensamento, ao distanciamento, à coisa realizada. Ela escreve: “No Judaísmo madoua e lamá estão ligadas entre si: a compreensão do que aconteceu poderia servir para agir de uma maneira justa sobre o que acontece e vai acontecer. Mas o essencial na vida é o ato e sua energia: a vontade. Madoua não é um fim em si. E´um meio para melhor atingir seus atos.”

(Hélène Trocmé-Fabre – Fundamentos, arqueologia dos recursos
In: Reinventar o ofício de Aprender, p.45)

Data: 2011.06.18 | Categoria: Companheiros de Aprendizagem, Ofício de Aprender | Comentários: 1

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“A aprendência tem uma função simultânea de estabilização, regulação, transformação, adaptação e evolução. Graças à sua capacidade de aprender, o ser humano é capaz de atualizar, ou seja, tornar manifesto (realizar) seu potencial de evolução, esse impulso de complexificação e de superação que caracteriza o vivente.”

Helo: Precisamos nos reconhecer também como aprendente de si mesmo!
mlyseg: essa frase é crucial!
teresacristina4: é mesmo! talvez esta seja a síntese de tudo que falamos.

2º Encontro – Dia 13/06/2011 – 2ª feira -14h00
Hélène Trocmé-Fabre. Cap.III- Existo, logo aprendo. 1 – A aprendência, característica do vivente. in: Reinventar o Ofício de Aprender. São Paulo: TRIOM, 2010.

Data: 2011.06.09 | Categoria: Agenciamento, Ofício de Aprender, Sons & Imagens | Comentários: 5

Diz Thierry Huort, ilustrador do livro Reinventar o ofício de aprender:

“… com desenhos de origem que, a priori, apresentam apenas uma ínfima diferença, uma simples ação sobre alguns parâmetros, é suficiente para nos mostrar um mundo repleto de diversidade. Mais do que a exatidão do dado inicial, o mais importante é a sua biografia.

Em outras palavras, cada experiência (repetição) e cada mudança de ponto de vista (focal) sobre essa experiência, conduz-nos a ganhar maior grau de complexidade, a modificar nossa estrutura, enriquecer nosso desenho pessoal, atualizar nosso potencial e exercer nosso ofício natural: o ofício de aprender”.

O vídeo Opening [Abertura], com música de Philip Glass, me parece oferecer sons, imagens e movimentos que nos permitem compreender melhor o que Thierry propõe.

Marly Segreto

Data: 2011.06.07 | Categoria: Companheiros de Aprendizagem, Ofício de Aprender | Comentários: 1

Iniciamos nosso estudo pelo item no.1 – PALAVRAS COMPARTILHADAS, do Anexo II no capítulo IX do livro Reinventar o Oficio de Aprender, uma espécie de glossário composto de citações que ampliam nossas percepções sobre o termo proposto. Cada participante escolheu uma palavra e fomos entrelaçando nosso diálogo a partir delas.

IDENTIDADE
: “As estruturas dissipativas são sistemas capazes de conservar sua identidade unicamente ficando continuamente abertos aos fluxos do meio ambiente.” ( J. Briggs e FD Peat, “A flecha do tempo”, in Um miroir turbulent (Um espelho turbulento), InterEditions. (Marly Segreto)

SENTIDO: “Desejo-lhes do fundo do coração que encontrem o sentido da angústia diante do sol que morre. Desejo-o arduamente ao Ocidente. Quando o sol morre, nenhuma certeza científica deve impedir que choremos, nenhuma evidência racional que perguntemos se ele renascerá. Vocês, vocês morrem lentamente sob o peso da evidência. Desejo-lhes esta angústia como uma ressurreição.” Cheik Hamidon Khan, citado por O. Follmi (Teresa Cristina F. Bongiovanni)

PERCEBER: “Um objeto só é percebido no momento em que colore o espírito”. Sutra 4.17, Yogas Sûtras de Patanjali, Ed. Altess. (Heloisa H. Steffen)

No diálogo apareceram outros conceitos e citações associativas (ou agenciadas) e palavras complementares como ALTERIDADE:

i ching unfolding - G. Stefanik 2001

“O ser humano privado da alteridade é incapaz de desenvolver seu programa genético….Ir ao encontro do Outro enriquecido” Boris Cirulnik. L’Ensorcellement du monde (O encantamento do mundo), Ed. Od.Jacob

Estamos de novo na estrada. Venha com a gente!

Companhia de Aprendizagem