FAQ

Perguntas & Respostas…LOGO 1

Mas para começar a dizer
alguma coisa que valha a pena,
é preciso conhecer todos os sentidos
de todos os caracteres,
e ter experimentado em si próprio
todos esses sentidos,
e ter observado no mundo
e no transmundo
todos os resultados dessas experiências.

(Cecília Meireles)

“… será que consigo me entregar ao expectante silêncio que se segue a uma pergunta sem resposta? Embora adivinhe que em algum lugar ou em algum tempo existe a grande resposta para mim”.
(Clarice Lispector – Água Viva).

1. Como se forma uma Companhia de Aprendizagem numa abordagem transdisciplinar?
A Companhia de Aprendizagem foi esboçando um modus operandi e uma identidade própria à medida que foi desenvolvendo conjuntamente um saber-fazer-fazendo articulado a um saber-ser-sendo, num processo de formação experiencial.

A formação experiencial pode ser vista tanto como uma filosofia da experiência relacionada a um saber fazer, quanto como uma filosofia de vida e do espírito inscrevendo-se no quadro do saber ser e da busca de sentido (1). O conhecimento experiencial permite a articulação das percepções, emoções e intuições com a razão, estando mais atento aos fatos, seus encaixes e correlações do que a uma causalidade que, no entanto, ele não nega.

Nesse processo, foi possível reconhecer duas facetas da experiência consideradas como componentes importantes da autoformação (2):

• por um lado, uma experiência intencional e refletida: o querer viver uma experiência numa autoformação/experimentação de si – a experiência buscada sendo, então, imaginada, projetada, organizada e realizada;

• por outro lado, uma experiência não intencional e não refletida, mas também ativa na autoformação existencial e possuindo virtudes formativas, que pode revelar-se a posteriori.

A autoformação experiencial promove uma apropriação pelo sujeito daquilo que foi vivido por ele; as diferentes aprendizagens sendo gestadas tanto no campo da experiência percebida como no campo da imaginação, do sonho e da intuição. Daí a importância de se considerar o ser em sua globalidade, como sendo construído ao mesmo tempo sobre as dimensões conscientes e não conscientes, enraizado no sentir, identificado com representações e integrado num ambiente natural e social, situações essencialmente complexas (3).

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(1) DELEVAY, citado por PAUL, Patrick. Formação do sujeito e transdisciplinaridade: uma história de vida profissional e imaginal. São Paulo: Triom, 2009.

(2) VERRIER, C. Les dimensions expérientielles de l’autoformation. Symposium GRAF, Bordeaux, 2002.

(3) Op. cit. PAUL, 2009.
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2. Por que COMPANHIA DE APRENDIZAGEM?

A própria denominação Companhia de Aprendizagem foi motivo de reflexão (4). Etimologicamente, segundo o Dicionário Houaiss, a palavra companhia (formada pela raiz latina cum+ panis, paralelo a companio, compania) significava “conjunto de pessoas que comiam o seu pão juntos”, sendo generalizada para “pessoas que vão juntas” e remetendo para uma relação associativa organizada em torno de um objetivo comum, envolvendo produção e trocas recíprocas.

O ato de acompanhar e de ser acompanhado, a presença junto aos outros, o movimento conjunto e o “alimento” comum nos forneceram pistas que poderiam conduzir ao sentido da formação de uma Companhia de Aprendizagem e do processo de formação das pessoas que dela participam. O que levantou a questão de saber, como sugere Gaston Pineau, se seria possível sair de uma heteroformação que atribui o poder de formação aos outros e que, frequentemente, vai contra a autoformação, para chegarmos a uma coformação, que é o seu complemento vital.

A palavra aprendizagem, por sua vez, vem do latim prend, prahendo (tomar, agarrar, segurar, prender, atingir, chegar a), significando o ato, a duração e a experiência de aprender. Apreender, aprender e compreender têm a mesma origem, contendo o gesto de trazer para si, interiorizando, um saber e um conhecimento, a partir da relação consigo mesmo, com os outros e com o mundo. A complexidade do ato de aprender nos levou, então, a refletir sobre as etapas do saber-aprender (TROCMÈ-FABRE, 2004), procurando criar uma dinâmica de busca participativa, de co-construção de saberes e de partilha do sentido do processo de aprendizagem.

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(4) CACCURI, Adriana et al. “A Companhia de Aprendizagem Transdisciplinar: o desafio da construção de um processo de formação em coformação”. Em Educação e Transdisciplinaridade III. São Paulo: Triom, 2005.
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3. Por que a opção pela Formação?

Etimologicamente, a palavra formação (do latim forma: ação de formar e de se formar, maneira pela qual algo se forma e é formado) remete às noções de “contorno, aparência” e de “princípio interno de unidade”. Portanto, a noção de formação envolve um processo vivido pelo ser enquanto ser, tratando-se da própria forma desenvolvida pelo sujeito nesse processo e da maneira como essa forma é produzida. Toda formação é de fato uma transformação (metamorfose), uma passagem além e através da forma para que possa emergir uma nova forma (morfogênese) (P. Galvani).

Dentre as diferentes concepções da Formação, optou-se pela abordagem Bio-Cognitiva (G. Pineau), pois toda vida humana implica uma aptidão para conhecer e uma forma de conhecimento e, reciprocamente, todo conhecimento implica um sujeito encarnado numa situação espacial e histórica. Ela designa um processo vital e existencial de emergência de uma forma pessoal a partir da interação reflexiva entre a pessoa e o meio ambiente físico e sócio-cultural, construindo o conhecimento.

A concepção da formação como um processo vital e contínuo permite ultrapassar os limites de uma visão apenas sociológica e/ou educacional, para se chegar a uma perspectiva antropológica da formação. Nessa perspectiva existencial, a formação é entendida como sendo gerada por três pólos: si mesmo (autoformação), os outros (hetero e coformação), o mundo/as coisas (ecoformação).

4. O que é autoformação?

A autoformação é a dinâmica reflexiva que permite ao sujeito agir ao mesmo tempo sobre si mesmo e sobre os elementos físicos e sócio-culturais que o formam. É esse círculo reflexivo que constitui o sujeito, implicando diferentes níveis de consciência e de percepção correspondentes aos diferentes níveis de realidade do objeto; o que exige uma abordagem transpessoal, transdisciplinar e transcultural.

Trata-se, portanto, da atividade da pessoa que se forma, pilotada pela e para a pessoa, da apropriação do poder de se formar a partir das trocas com os outros e com o meio. Ela envolve a produção de uma forma e de um sentido pessoais, organizados pela reflexão sobre a própria experiência e constituídos pela tomada de consciência e retroação sobre as influências hetero e ecoformativas, levando ao desenvolvimento da autonomia (gestão de si) e da ontonomia (gestão do ser).

5. O que é heteroformação?

A heteroformação diz respeito às influências recebidas na família, nas relações sociais e na educação formal e não-formal. Ela é produzida, definida e hierarquizada pelo meio sócio-cultural. Desse modo, na heteroformação o poder formativo é atribuído principalmente aos outros, de quem se recebe a formação.

6. O que é ecoformação?

A ecoformação envolve as influências físico-climáticas e as interações físio-corporais com o meio ambiente natural. Ela envolve também a influência do ambiente físico sobre o imaginário pessoal e cultural, abrindo para uma antropologia do imaginário. Na interação entre a pessoa e o meio ambiente, a imaginação é o lugar das correspondências e das ressonâncias simbólicas, organizando e dando sentido à experiência de vida e à relação com o meio ambiente. O conhecimento simbólico está baseado na similitude entre as formas do mundo natural e as formas dos gestos humanos.

A relação auto/ecoformadora não se limita a um espaço-tempo particular. Ela também está presente no tempo de divertimento, do trabalho e no tempo do aprendizado. Está presente no espaço urbano, no meio rural e nas periferias. Ela também não se limita à dimensão física, integrando as dimensões psíquicas e espirituais da pessoa, mesmo que tenha a sua origem na experiência corporal.

7. O que se entende por formação em coformação?

A formação em coformação leva em consideração a autoformação de todos os envolvidos, caracterizando um processo de formação recíproca, de trocas mútuas de saberes, experiências e conhecimentos. Ela supõe que cada um seja convidado a descrever, formular, realizar um retorno reflexivo sobre sua própria experiência, e a aprimorar a escuta e o diálogo com os outros.

A emergência de semelhanças e diferenças nos pontos de vista abre espaço para uma exploração intersubjetiva, como prática reflexiva de produção de sentido para e pelos participantes, possibilitando a convergência de olhares em pról da obra comum.

Nesse processo, os recursos de todos colocam-se a serviço do projeto de cada um, tanto no que diz respeito aos métodos de trabalho quanto aos referenciais teóricos, às práticas e aos valores que os apóiam.

8. A Companhia de Aprendizagem é um projeto voltado somente para a Educação?

É um projeto voltado para a Formação em Co-formação e para o desenvolvimento de uma práxis transdisciplinar. Com a criação da Companhia, procuramos constituir uma estrutura aberta de pesquisa-formação-ação visando à aplicação concreta da proposta transdisciplinar em diferentes contextos de atuação.

9. Por que pesquisa-formação-ação?

Trata-se de uma abordagem que vem sendo desenvolvida por G. Pineau, P. Galvani e outros pesquisadores em Ciências da Formação propondo a elaboração de propostas formativas que articulem em um mesmo movimento: a perspectiva de conscientização formadora, a perspectiva de exploração da pesquisa e a perspectiva de ação da experiência. Tornar visível a presença dessas três perspectivas e promover a sua articulação constitui o fio condutor da formação e dos modos de acompanhamento do processo formativo, dentro de uma abordagem transdisciplinar e de uma dinâmica de tomada de consciência emancipadora.

10. Qual é o diferencial da atuação da Companhia de Aprendizagem em relação a outros grupos?

A formação de grupos nos diversos contextos: educacionais, empresarias e públicos, frequentemente apresentam programas prontos, sem a consideração de uma démarche que leve a modificações em seu próprio processo de construção. Ao propor uma estrutura aberta de pesquisa-formação-ação, num processo coformativo, a Companhia promove, juntamente com os participantes, uma constante interrogação sobre as práticas desenvolvidas. Desse modo, é possível perceber o sentido, para cada um e para todos, do que está sendo feito e realizar as mudanças de rota necessárias em benefício do projeto em andamento e de todos os participantes.

11. Qual é a metodologia formativa utilizada na Companhia de Aprendizagem?

Considerando o sujeito que vive a experiência e a tomada de consciência da experiência vivida, do processo de experimentação e do sentido da experiência, a metodologia de acompanhamento da autoformação, inspirada em Pascal Galvani e adotada por nós, buscou revelar as três dimensões do sentido: como sensibilidade, orientação e significação, propiciando um trânsito interativo e dinâmico entre o saber formal, o prático e o simbólico. Nesse processo, o método foi visto como princípio gerativo e estratégico, que ajuda a conhecer e é também conhecimento, não sendo estabelecido a priori, mas a posteriori.

12. Quais são os desafios que orientam a ação da Companhia de Aprendizagem nos seus diferentes projetos?

O desafio da construção de um processo de formação em coformação é contínuo. Nele estão contidos: a vivência e desenvolvimento dos princípios de rigor, tolerância e abertura que caracterizam a visão, atitude e ação transdisciplinares. Mas abertura não significa abuso, tolerância não significa complacência e rigor não significa rigidez. Alguns cuidados são, portanto, necessários: a escuta sensível, registro e diálogo reflexivo; a busca de sentido como significação, orientação e sensibilidade; a alternância dos saberes, das temporalidades, dos tipos de interação e a constante abertura para novas possibilidades e rotas e para a descoberta de novos sentidos para o que estamos fazendo.

13. Quando, como e onde a Companhia de Aprendizagem se reúne?

Temos uma forma de interação híbrida composta de: encontros presenciais e virtuais alternados; Ateliês para criação e construção de projetos; encontros anuais com todos os participantes, além das reuniões da Coordenação. Os encontros presenciais são itinerantes e a cada Projeto/Ano define-se um local e sua periodicidade.

14. Como funcionam os Ateliês?

Os Ateliês constituem um espaço privilegiado de reflexão, experimentação e criação, da arte de viver e aprender junto em todos os níveis. Eles têm se revelado uma experiência fecunda e afetiva, como uma terceira modalidade de pesquisa, formação e ação criativa na Companhia de Aprendizagem.

O encontro de pessoas que vêm de diferentes disciplinas com pessoas ligadas às artes e outros ofícios oferece a oportunidade de criação de um espaço fértil em que os diferentes olhares convergem para as semelhanças que fundamentarão o trabalho. Essa aprendizagem mútua envolve o questionamento de pressupostos e a construção de pontes, fazendo emergir o gesto criador conjunto.

A dinâmica do Ateliê propicia um retorno reflexivo sobre a experiência formativa vivida (individual e coletiva), sendo uma ocasião para exercitar continuamente o trabalho colaborativo, ao mesmo tempo em que cada um toma consciência de seu próprio potencial, revelado através do trabalho conjunto. Dessa forma, vivenciamos, simultaneamente, uma prática reflexiva sobre a epistemologia transdisciplinar, a formação em coformação e a integração dos saberes formal, prático e simbólico, gerando projetos individuais e grupais a serem implementados em diferentes campos de atuação.

15. Como participar da Companhia de Aprendizagem?

    Entre em contato conosco:

    companhia@companhiadeaprendizagem.com.br

    Conheça os Projetos desenvolvidos:

    www.cetrans.com.br/companhia.html

    Coordenação da COMPANHIA DE APRENDIZAGEM

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