“A Cavalaria iniciática não pertence ao passado. Seu espírito, sua ética e sua capacidade de ação no mundo pertencem também ao presente.
A palavra Cavalaria remete ao latim caballus, cavalo, e, mais precisamente, caballa, égua. A dimensão feminina da iniciação da cavalaria (ou cavaleiresca) parece, então, fundamental a ela por sua própria denominação (a relação com a Dama, as Cortes de Amor, a erótica dos trovadores…). Paralelamente, a palavra habitual designando cavalo era, em latim, equus. Com isso, outro sentido também é significado na palavra. Uma ligação fonética pode de fato se fazer com o hebráico qabbalah (Kabalá ou Cabalá), designando um ensinamento iniciático tradicional e oral, contraposto a um ensinamento escrito. Então, a iniciação da cavalaria (ou cavaleiresca) se inscreveria num caminho vital, experiencial e oral que conduziria a estabelecer a ponte entre natureza física e natureza espiritual por meio do encontro com o Feminino. É neste sentido que se deve entender a busca celestial do Graal proposta por Merlin, a virtude da cavalaria (ou cavaleiresca) participando do mundo material, mas abrindo para uma ligação possível com o mundo celeste. A Cavalaria é, portanto, em sua essência, kabalaria, enquanto ordem detentora do conhecimento celeste. Mas na medida em que o espírito da busca consiste em encontrar um equilíbrio harmonioso entre espiritual e terrestre, cada cavaleiro se realiza mediante um movimento duplo: interior, encontrando a si mesmo (autoconhecimento), e exterior, cumprindo sua missão celeste (quando ela for conhecida) no mundo físico” (P. Paul – trad. Américo Sommerman).
PATRICK PAUL abordará esses diversos pontos a partir de uma leitura aberta do livro Percival de Chrétien de Troyes, escrito no fim do século XI, quando do apogeu dessa iniciação.
Datas e horários: 27/08 (das 9:30 às 18:00) e 28/08 (das 9:30 às 17:00)
Local: Rua Aureliano Coutinho, 215 – Higienópolis – S. Paulo – SP
Informações e inscrições: dalva_alves@hotmail.com
Imagem: Parcifal – foto de H. Koppdelaney


