Arquivos de categorias: Projetos 2010

Data: 2010.05.26 | Categoria: Oficina Ponto de Apoio, Projetos 2010 | Comentário: 1

Ontem aconteceu o terceiro encontro da turma B da Oficina Ponto de Apoio.

No trânsito entre as pessoas novas que estão chegando e a saída de alguns em função da realização de novo concurso público municipal, retomamos a origem, propósito e dinâmica do projeto, o que foi muito bom para que todos pudéssemos nos apropriar da nossa trajetória.

O diálogo já acontece de uma forma mais espontânea e ritmada e começam a surgir os “nós” que permeiam o funcionamento da equipe de trabalho. Desta turma faz parte a diretora da Casa Transitória que já pode inferir alguns pontos a serem trabalhados na sua gestão; conversamos um pouco sobre isso. Também participou pela primeira vez o Lucas, psicólogo recém-chegado que vai assumir o trabalho na Casa (veio das bandas da Paraíba e traz uma experiência de lá em locais similares); sua contribuição ontem foi importante na pontuação de alguns tópicos que emergiram, o que “movimentou” especialmente o encontro.

Oficina Ponto de Apoio - Turma B

Na dinâmica, surgiram alguns pontos fundamentais trazidos pelos participantes/ funcionários:

– A necessidade de todos falarem “a mesma língua” – traduzida em discurso e atitude.
– Um conflito entre dois funcionários que pode ser explicitado e de onde surgiu a perspectiva mais ampla de que há ruídos na forma como a comunicação acontece entre os funcionários (o que é bem comum onde há muitas pessoas que trabalham em turnos diferentes e pode ser melhorado) resignificando a questão.
– A percepção de que pontos que aparentemente são vistos como divergentes podem ser revistos como complementares;
– Vivenciamos e falamos sobre o processo da escuta do outro, do tempo de absorção do que se aprendeu e da elaboração interna para nova devolutiva externa – este foi um exercício que o grupo reconheceu que temos vivenciado nos nossos encontros.
– Na apresentação de uma dupla apresentando sua reflexão surgiu a idéia de formarmos grupos de escuta com as crianças.

E assim vamos caminhando e bem, eu diria, porque o que nos une é apenas a boa-vontade e o propósito de nos melhorarmos. Sempre me emociono em participar deste processo onde um corpus vai se configurando a partir de um modus operandi e o processo começa a caminhar por si mesmo. Tenho a perspectiva (tomara!) de que em algum momento deste processo possamos nos reconhecer nas leis do vivente propostas por Helene Trocmé-Fabre:

“O vivente está em devir, ou seja, está sempre atento em manter e atualizar o seu potencial, ligando-se ao mundo que o cerca.
- Descobrindo toda complexidade deste mundo.
- Organizando o que vê, ouve e percebe.
- Dando sentido ao que lhe acontece.
- Aprendendo a escolher, assim aprendendo a renunciar,
- e portanto, a decidir.
- Criando, assim inovando.
- Recebendo e dando, assim entrando em reciprocidade.
- Comunicando (no sentido etimológico da palavra) torna-se parceiro.”

Abraços a todos
TCris

Data: 2010.05.12 | Categoria: Cenários, Notícias, Projetos 2010 | Comentário: 5

“Ninguém liberta ninguém; ninguém se liberta sozinho:
os homens se libertam em comunhão.” (Paulo Freire)

CEA - Canto de Ler   abril 2010
Canto de Ler
Centro de Educação Ambiental Avelino Peixe Comeirão Filho
Fundação Planeta Terra
Itapeva – SP

Estou especialmente contente depois que a lanchonete da Sala Verde foi transformada em um re-CANTO DE LER – que agora nutre mentes, corações, a convivência e criatividade humanas – o que convenhamos, é bem mais necessário!Esta é a intenção que alimenta este espaço cultural recém-criado no Centro de Educação Ambiental Avelino Peixe Comeirão Filho, em Itapeva – SP, possível graças a uma feliz conjuntura de circunstâncias.

Eu, como colaboradora voluntária do CEA, participo da dinamização deste espaço, montando uma programação para que ele funcione como um ponto de cultura dentro da Sala Verde. Uma parceria prazerosa e agradável, totalmente baseada na cooperação voluntária, que pretende contribuir para a formação das pessoas que visitam o lugar.

E o que já está acontecendo lá, neste seu primeiro mês de existência? Muitas coisas. O nome Re-CANTO DE LER faz alusão não só à leitura de livros e textos diversificados, mas principalmente à leitura do mundo preconizada por Paulo Freire:

“Para mim, desde o início, nunca foi possível separar a leitura das palavras da leitura do mundo.. Segundo, também não era possível separar a leitura do mundo, da escrita do mundo. Ou seja, linguagem – e isso é uma questão lingüística – não pode ser entendida sem um compreensão crítica da presença dos seres humanos no mundo. A linguagem não é exclusivamente um meio de expressão das impressões que temos diante do mundo. A linguagem é também conhecimento em si. E a linguagem implica a inteligibilidade do mundo que não existe sem a comunicação. … Deve-se primeiramente ler o mundo no qual tais palavras existem.” (Pedagogia dos sonhos possíveis – p. 56)

Neste espírito então, o Re-CANTO de LER é um local de prática de leitura – do mundo, de textos em diferentes linguagens, de depoimentos das pessoas, da natureza em volta. Um Ateliê de Leitura, bem ao estilo da Companhia!

Apareça lá para visitar a gente!

TCris

Data: 2010.04.27 | Categoria: Oficina Ponto de Apoio, Projetos 2010 | Comentário: 1

Pois é. Estamos no segundo encontro mensal (Abril), com a segunda turma da Oficina Ponto de Apoio.

Esta turma hoje melhorou muito o índice de participação em relação ao primeiro encontro. Dela participou a diretora da Casa Transitória, que no primeiro encontro pareceu inibir os demais participantes. Mas hoje, um diálogo mais franco e aberto pareceu suscitar que algumas feridas profissionais do ambiente se revelassem.

Há uma certa angústia/alívio quando as feridas se expõem…o paradoxo se reapresenta.

Falamos sobre a responsabilidades que temos e que costumamos “tercerizar” para outros; lemos um texto sobre e depois cada participante escolheu um trecho significativo para comentar – observei que já melhorou um pouco o movimento da escuta do outro, e desta vez todos leram, o que não ocorreu antes.

Os dois trechos mais citados do texto foram:

“Importante pensar com maturidade a esse respeito, pois somente admitindo que somos senhores da nossa vida e do nosso destino, deixaremos de encontrar desculpas, e faremos a nossa parte.”

“A felicidade é construção diária e depende do que consideramos o que seja ser feliz. Se admitimos que a felicidade é uma forma de viver, basta aprender a arte de bem-viver.”

Também fizemos uma dinâmica onde três grupos se formaram em torno das palavras Reduzir, Reutilizar e Reciclar (lema emprestado da SABESP); esta dinâmica está sendo aplicada em todos os eventos do Centro de Educação Ambiental que nos hospeda. Cada grupo discutiu o que poderia ser reduzido, reciclado e reutilizado no ambiente de trabalho deles.

www.sxc.hu//208836 broken egg Houve uma bom grau de convergência entre estes indicadores, o que vai naturalmente nos conduzindo para algumas temáticas que emergem do contexto deles.

Em vários momentos pontuei a responsabilidade deles como formadores das crianças e isso pareceu ser uma revelação para alguns; disseram que só se viam como funcionários (publicos e da Casa Transitória). Faz parte do processo de Autoformação reconhecer-se como sujeito que se forma em processo de autos, hetero e eco-formação, e no caso, em co-formação. Talvez possamos chegar em algum momento ao uso consciente desta terminologia.

Neste exercicio de hoje resgatei vivencialmente uma citação feita no artigo do Ignacio Gerber e que tem a ver com meu processo de busca de sentido:

“A nós interessa a atividade de fazer sentido, deixando de lado a suposição de significados depositados em alguma parte, sedimentados, disponíveis e decifráveis. A ênfase é no processo de ir fazendo sentido, um processo eminentemente criativo. Quando o sentido se cristaliza ou é recebido ou tomado de forma cristalizada, o processo se interrompe e a criatividade se estiola.”[1]

[1] Figueiredo, L.C. “A questão do sentido, a intersubjetividade e as teorias das relações de objeto”, In Revista Brasileira de Psicanálise, Vol. 39, 2006, p. 79-88

E´isto que estou buscando no meu fazer – que o sentido para mim se apresente como um fazer sentido com o que está sendo feito pelo e com o Outro. E que isso nos construa, a cada um na medida do seu próprio ser.

TCris

Data: 2010.03.20 | Categoria: Diálogos - PONTO EM QUESTÃO, Projetos 2010 | Comentário: 1

A Companhia de Aprendizagem esteve presente no II Encontro de Membros do CETRANS realizado na Fazenda dos Bambus, em Pardinho, interior de São Paulo, de 12 a 14 de março corrente.

Foi dinâmica e diversificada nossa programação e muitos foram os belos momentos de trocas e convivência. Não vamos falar de todos os mistérios que a Fazenda dos Bambus preserva, porque mistérios não são contados, revelam-se!

FB   Mensagem do Bambu

Mas se você quiser conhecer um pouco melhor este cenário de beleza e harmonia, cuja tônica é o cuidado com a Vida em contínua transformação, pode acessar o Canto da Cris e saber mais!

Data: 2010.03.10 | Categoria: Diálogos - PONTO EM QUESTÃO, Projetos 2010, Trans | Comentário: 3

akramkhan2Ao ler esse artigo de Michelazzo (Ser e Sunyata) despertou minha atenção a questão da dualidade e da não-dualidade, e o que isso poderia significar na dimensão existencial.

A maioria dos conceitos que utilizamos funciona de um modo dual, ou seja, pensamos a nossa experiência, seja ela qual for, em termos de conceitos duais: verdadeiro/falso, virtude/vicio, bem/mal, absoluto/relativo, objetivo/subjetivo, consciente/inconsciente, transcendente/imanente, abstrato/concreto, teoria/prática, belo/feio, força/fraqueza, alegria/tristeza, etc.

Mas nem todas as dualidades originam-se necessariamente das construções do pensamento. Podemos encontrar algumas dualidades existentes na natureza e que são anteriores ao pensamento humano: dia/noite, calor/frio, seco/úmido, macho/fêmea, homem/mulher… Já estando presentes na natureza, não é surpreendente que, para representá-las, utilizemos conceitos duais.

A questão é que a operação do pensamento dual consiste em dividir, opor, fragmentar. Consequentemente, ele acaba separando o que, de fato, está intimamente ligado.

Não é difícil encontrar exemplos do pensamento dual em nossa experiência cotidiana – tão impregnados que estamos por essa forma de pensar: quero/não quero, amo/não amo, posso/não posso, vou/não vou, falo/calo, etc. São movimentos que dependem de julgamentos em relação à situação em que nos encontramos e que, uma vez feitos, nos precipitam numa série de contrariedades, dilaceramentos, saltos de humor que acabam transformando a vida diária numa luta contínua.

Observando melhor o que nos acontece, vamos perceber que podemos, por ex., querer e não querer algo ao mesmo tempo, e que a dificuldade aparece quando essas duas forças contrárias são vistas como opostas e somos invadidos por um sentimento de ambivalência, que pode resultar num impasse, num imobilismo. Essa situação de conflito interno supõe uma escolha, mas se essa escolha excluir o seu contrário acabamos caindo na armadilha do pensamento dual: quero o prazer, sem dor; quero a alegria, sem tristeza… O pensamento dual introduz a divisão e cria a falsa idéia de que podemos ter o “positivo” sem o “negativo”.

No entanto, a Vida é indivisível e a tudo engloba. E não é estática, mas intensamente dinâmica. Se pudéssemos fluir com o movimento vivo da Manifestação não teríamos o sentimento de que a vida é uma luta, e abraçaríamos tanto o “positivo” como o “negativo” como mestres da situação. O que não significa uma resignação, mas uma mudança em nossa maneira de pensar: de dual para não-dual.

Precisamos compreender que não há existência separada. Tudo está ligado no campo do conhecimento, tanto externo como interno, como está estreitamente ligado na Natureza. É o pensamento dual que caminha no sentido inverso: vê a separação, a disjunção, onde as coisas não são separadas nem disjuntas.

O que não significa que devamos descartar as diferenciações, aquilo que é próprio de cada coisa ou situação, e sim distinguir sem separar, considerando o livre transito, a inter-relação entre o singular (parte) e o universal (todo).

Marly Segreto

Data: 2010.03.01 | Categoria: Notícias, Oficina Ponto de Apoio, Projetos 2010 | Comentário: 4

Comunidade de Estudo de Itapeva

PROJETO Voluntariado Verde

OFICINA PONTO DE APOIO

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Como um desdobramento da ação da Companhia de Aprendizagem, Teresa Cristina F. Bongiovanni (TCris) e as colaboradoras Ana Maria Pimentel, Maria Claudia Mariozi e Patrícia F. M. Moulatlet realizarão a Oficina Ponto de Apoio, mais uma inciativa voluntária da Comunidade de Estudo de Itapeva – SP.

Público-alvo: Funcionários da Casa Transitória de Itapeva e voluntários

Objetivos:

  • Colaborar na melhoria dos relacionamentos interpessoais dos cuidadores da Casa Transitória de Itapeva para aprimorar sua qualificação pessoal e melhor desempenho de suas funções;
  • Contribuir para o desenvolvimento e melhoria físico-emocional-mental-espiritual das crianças/adolescentes abrigadas atendidas pela instituição, através de diferentes atividades organizadas em oficinas, de acordo com o número de voluntários disponíveis;
  • Respeitar as regras e necessidades do contexto, mas estimular um fluxo mais colaborativo entre cuidadores e abrigados na rotina diária como ação formativa de convivência entre todos;
  • Reunir e habilitar voluntários que queiram participar desta rede de serviço.

    Local: CEA – Sala Verde – Itapeva – SP

    Periodicidade: 01 Reunião mensal, às 3ª. Feiras, para cada uma das 02 turmas que serão organizadas pela direção da Casa Transitória de Itapeva.

    Datas: Módulo 1 – março a julho de 2010 / Módulo 2 – agosto a dezembro de 2010

    Horário: das 09h às 11h

    A Companhia de Aprendizagem apoia esta iniciativa, que certamente beneficiará todos os envolvidos, oferecendo sua colaboração.

    Se voce tiver interesse em participar, entre em contato conosco:

    companhia@companhiadeaprendizagem.com.br – a/c TCris

  • Data: 2010.03.01 | Categoria: Diálogos - PONTO EM QUESTÃO, Projetos 2010, Trans | Comentário: 2

    [ do texto Ser e Sunyata]

    Na fase inicial de seu pensamento sobre esta questão (profundamente influenciado pela mística de Mestre Eckhart, como nos alerta o texto) “ (…) faz com que Heidegger interprete o pensamento não mais como uma faculdade do homem, mas como uma comunicação, uma co-pertinência com o ser… aprende que a realidade transcendente volta a fazer parte do homem. Tal realidade no entanto, não é interpretada de maneira antropológica – como construída de objetos disponíveis para a representação de um sujeito cognoscente – mas ontologicamente, e isto significa que a maneira como ele participa desta realidade não é a de estar em uma simples relação com ela, mas a de ser o lugar de seu acontecer”( p.96-97) . O texto em estudo aprofunda e analisa o desenvolver desta premissa e até onde Heidegger a trabalhou.

    Neste momento, paro aqui e olho para esta proposição em relação ao que tenho observado nos grupos de estudo ou trabalho dos quais participo e que são grupos constituídos – a maior parte – longe dos moldes acadêmicos e bem próximos do segmento dito como educação popular (embora tenham componentes de diversos níveis sócio-economicos).

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    Como eu vivencio o ser o lugar do meu acontecer?

    Como minha ação formativa inclui esta proposição inicial (…) “ a maneira como ele [sujeito] participa desta realidade não é a de estar em uma simples relação com ela, mas a de ser o lugar de seu acontecer”.

    Deixo emergir livremente meu diálogo com o texto…e com vocês.

    TCris

    Data: 2010.02.15 | Categoria: Diálogos - PONTO EM QUESTÃO, Projetos 2010, Trans | Comentário: 8

    Apenas para situar os Companheiros de Aprendizagem que passam pelo blog , vamos transcrever o parágrafo inicial do artigo Ser e Sunyata: os caminhos ocidental e oriental para a ultrapassagem do caráter objetificante do pensamento de José Carlos Michelazzo *, que será nosso campo de reflexão.

    “A exposição propõe-se a apresentar o diálogo Ocidente-Oriente em torno de uma questão de extrema importância não só para o debate acadêmico, mas para cada um de nós, pois afeta a todos os seres humanos. Tal questão se refere à situação em que se encontra a nossa época atual , inteiramente dominada pela razão técnica e instrumental, na qual testemunhamos os fenômenos da hegemonia da técnica e da ciência nos cinco continentes, do cansaço e do esgotamento das forças da natureza, do desmoronamento geral dos valores, característico do niilismo moderno, do vácuo espiritual que tomou conta de nossa existência, além das visões pessimistas da maioria dos especialistas em torno do futuro do nosso planeta.

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    O que será apresentado todavia, não deve ir além dos aspectos mais centrais e significativos, de maneira esquemática, em torno dos quais estariam sendo criadas as condições de possibilidade do diálogo Ocidente-Oriente – respectivamente, Martin Heidegger e os pensadores da Escola de Kyoto, especialmente Keiji Nishitani, considerado um dos mais próximos do filosófo alemão -, dando ênfase especial aos aspectos de maior convergência entre ambos. Deste modo a exposição [o texto] será constituída de três momentos:

    Idéias gerais do pensamento de Heidegger e de Nishitani
    Heidegger e a questão do Ser
    Nishitani e a questão da nadidade (sunyata)

    O homem moderno e o fenômeno do niilismo e da técnica moderna
    Heidegger e o acabamento da metafísica
    Nishitani e as conexões entre ciência e religião

    A noção de superação
    Esperanças de Heidegger
    Esperanças de Nishitani

    * Artigo publicado em LOPARIC, Zelico (org.). A escola de Kyoto e o perigo da técnica. São Paulo: DWW, 2009, p.95-122.

    Sejam bem-vindos à reflexão e participação!