Arquivos de categorias: Para refletir…

Data: 2011.08.25 | Categoria: Para refletir... | Comentário: 1

Conta um escritor que, certo dia, acompanhou um amigo até à banca de jornais em que ele costumava comprar o seu exemplar diariamente.

Ao se aproximarem do balcão, seu amigo cumprimentou amavelmente o jornaleiro e, como retorno, recebeu um tratamento rude e grosseiro.

O amigo pegou o jornal, que foi jogado em sua direção, sorriu, agradeceu e desejou um bom final de semana ao jornaleiro.

Quando ambos caminhavam pela rua, o escritor perguntou ao amigo:

- Ele sempre o trata assim, com tanta grosseria?

- Sim – respondeu o rapaz – infelizmente é sempre assim.

- E você é sempre tão polido e amigável com ele? – perguntou novamente o escritor.

- Sim, eu sou – respondeu prontamente o amigo.

- E por que você é educado, se ele é tão grosseiro e inamistoso com você?

- Ora – respondeu o jovem – porque não quero que ele decida como eu devo ser.

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Data: 2011.08.09 | Categoria: Notícias, Para refletir... | Comentário: 0

Elogio a pregui  a Nunca se trabalhou tanto como nos dias de hoje. Mas qual é o sentido da vida no mundo do trabalho incessante? E quem encontra tempo para se dedicar à busca do sentido das coisas? Atualmente, estamos diante de um impasse em relação ao uso do tempo, por isso a necessidade de refletirmos sobre o papel do ócio criativo, da preguiça, da pausa para pensar e (por que não?) contemplar.

“Na era do grande desenvolvimento tecnocientífico e digital, maravilhosas máquinas economizam o trabalho mecânico, mas criam, ao mesmo tempo, dois novos problemas: primeiro, uma espécie de intoxicação voluntária, isto é, mais a máquina nos parece útil, mais ela nos torna incompletos. Isto é, a máquina governando quem a devia governar; daí decorre o segundo problema, bem mais complexo: tantas potências auxiliares mecânicas tendem a reduzir nossas forças de atenção e de capacidade de trabalho mental, o que se relaciona aos seguintes fenômenos: impaciência, rapidez e volatilidade nunca antes vistas”, diz o jornalista e filósofo Adauto Novaes, organizador do ciclo de conferências Mutações: Elogio à Preguiça.

Contando com a participação de Marilena Chauí, José Miguel Wisnik, Maria Rita Kehl, Jorge Coli, etc., o ciclo de conferências está estruturado em quatro eixos:

1. as ideias de tempo: mecânico do trabalho, lento do pensamento etc.;
2. as ideias de trabalho: mecânico e repetitivo, criativo das obras de arte e de pensamento;
3. as ideias de progresso: uma das finalidades primordiais do trabalho na modernidade;
4. as ideias de preguiça: dos devaneios à melancolia.

A palavra “preguiça é, certamente, uma das mais suspeitas e perigosas. Dela decorre longo cortejo de acusações bizarras, mas também noções de obras de arte, poesia, romance, pinturas, reflexões filosóficas: o preguiçoso é indolente, improdutivo, nostálgico, melancólico, indiferente, distraído, voluptuoso, incompetente, ineficaz, lento, sonolento, silencioso: quem se deixa levar por devaneios. Apesar da oposição, preguiça e trabalho guardam um misterioso parentesco, quase simétrico e especular. A vida íntima que a preguiça leva com o trabalho pode nos revelar que o preguiçoso trabalha muito. Como?”.

Talvez Albert Camus tenha razão: “São os ociosos que transformam o mundo porque os outros não têm tempo algum”.

Datas: 11 de agosto a 07 de outubro | Quartas, quintas e sextas, às 19h30

Local: SESC Vila Mariana | Sala Corpo & Artes – Rua Pelotas, 141 – São Paulo – SP

Informações e inscrições: Portal SESCSP

Algumas ideias sobre o ócio e o trabalho podem ser encontradas no blog coletivo dos palestrantes de Elogio à Preguiça: www.elogioapreguica.com

Data: 2011.04.10 | Categoria: Notícias, Para refletir..., Sons & Imagens | Comentário: 4

Filipinas www.terra.com.br 1
Homem fica praticamente submerso na tentativa de recolher o que sobrou após incêndio (Filipinas, incêndio que atingiu cerca de 3.000 pessoas).

Foto: AFP
Fonte: www.terra.com.br Acesso em 07.04.11

Data: 2011.01.06 | Categoria: Espaço-tempo, Para refletir... | Comentário: 0

A FORMA JUSTA

Pedra e bambu

Sei que seria possível construir o mundo justo
As cidades poderiam ser claras e lavadas
Pelo canto dos espaços e das fontes
O céu o mar e a terra estão prontos
A saciar a nossa fome do terrestre
A terra onde estamos — se ninguém atraiçoasse — proporia
Cada dia a cada um a liberdade e o reino
— Na concha na flor no homem e no fruto
Se nada adoecer a própria forma é justa
E no todo se integra como palavra em verso
Sei que seria possível construir a forma justa
De uma cidade humana que fosse
Fiel à perfeição do universo

Por isso recomeço sem cessar a partir da página em branco
E este é meu ofício de poeta para a reconstrução do mundo

Sophia de Mello Breyner Andresen, in O Nome das Coisas

Data: 2010.08.19 | Categoria: Espaço-tempo, Para refletir... | Comentário: 0

 Buddha in His Youth   Odilon Redon

(…) ”A experiência, a possibilidade de que algo nos aconteça ou nos toque, requer um gesto de interrupção, um gesto que é quase impossível nos tempos que correm: requer parar para pensar, parar para olhar, parar para escutar, pensar mais devagar, olhar mais devagar, e escutar mais devagar; parar para sentir, sentir mais devagar, demorar-se nos detalhes, suspender a opinião, suspender o juízo, suspender a vontade, suspender o automatismo da ação, cultivar a atenção e a delicadeza, abrir os olhos e os ouvidos, falar sobre o que nos acontece, aprender a lentidão, escutar aos outros, cultivar a arte do encontro, calar muito, ter paciência e dar-se tempo e espaço. “

Notas sobre a experiência e o saber da experiência. JORGE LARROSA BONDÍA
Universidade de Barcelona, Espanha

http://www.anped.org.br/rbe/rbedigital/RBDE19/RBDE19_04_JORGE_LARROSA_BONDIA.pdf

TCris

Data: 2010.08.04 | Categoria: Diálogos, Para refletir..., Trans | Comentário: 1

pena escrevendo Certo dia, uma formiga que caminhava perdida sobre uma folha de papel viu uma pena que escrevia em finos e negros movimentos ritmados.

— Que maravilha! – exclamou. — Essa coisa notável possui vida própria! E faz rabiscos tão extensos e com tanta energia nesta bela superfície que chega a se igualar aos esforços de todas as formigas do mundo. Os rabiscos que faz! Parecem formigas! Não uma, mas milhões de formigas correndo juntas!

Ela repetiu suas idéias para uma companheira, que ficou interessada em sua história e elogiou seus poderes de observação e reflexão. Mas outra formiga disse:

— Aproveitando-me de seus esforços, devo admiti-lo, tenho observado esse estranho objeto e cheguei à conclusão de que ele não é o dono de seu próprio trabalho. Você falhou em observar que a pena está ligada a outros objetos que a rodeiam e conduzem. Estes devem ser considerados como a origem de seu movimento e reconhecidos como tal.

Desse modo as formigas descobriram os dedos.

Passado algum tempo, outra formiga escalou os dedos e percebeu que eles compreendiam a mão, que ela explorou total e minuciosamente, ao estilo da sua espécie. Voltou então para junto de suas companheiras e gritou-lhes:

— Formigas! Tenho importantes notícias para vocês. Aqueles pequenos objetos que rodeiam a pena fazem parte de outro muito maior. E este é que realmente dá movimento a todos eles.

Mas então as formigas descobriram que a mão estava ligada a um braço; que o braço estava ligado a um corpo; que não existia uma, e sim duas mãos; e que existiam pés, que não escreviam.

As investigações prosseguiram e, assim, as formigas puderam formar uma idéia clara da mecânica da escrita. Porém, através de seu método de investigação costumeiro, não conseguiram descobrir o sentido e a intenção do que estava escrito, nem como aquilo era, em última análise, governado.

Idries Shah, Caravan of Dreams. London, Octagon Press, 1991
Citado por Mônica Cavalcante Lepri – As “idéias vivas” de Gregory Bateson, em Ciência Hoje, vol. 38, nº. 228, julho/2006, p. 19.

Esta pequena história me pareceu exemplificar, de uma maneira simples e metafórica, a incompletude de nosso conhecimento. Sempre vamos nos defrontar com algo não percebido, não considerado, não sabido… que impulsiona a continuidade do processo de descoberta.

Ela também nos fala que o conhecimento das partes não pode ser conclusivo sem o conhecimento do todo, e vice versa, exigindo o desenvolvimento de um pensamento complexo, transdisciplinar, que leva em conta a interdependência de todos os fatores, o seu sentido e contexto, o “padrão que liga”, como diz Gregory Bateson.

Aliás, as idéias de Bateson merecem vários posts, por sua abrangência e originalidade. Aguardem…

Marly Segreto

Data: 2010.07.24 | Categoria: Diálogos, Para refletir..., Trans | Comentário: 0

O primeiro contato que tive com Louis Lavelle foi através de uma citação num artigo de P. Galvani (1), que vem conduzindo nossas reflexões sobre o processo de autoformação desde o início da Companhia. Eu havia ficado impressionada com a profundadidade de seu pensamento. E, por esses “acasos” que acontecem, chegou em minhas mãos um livro de Lavelle, do qual traduzo um trecho para compartilhar com vocês.

espelho  1  1

Conhecimento de si e do outro

“Ser é sempre mais que conhecer. Pois o conhecimento é um espetáculo que nós apresentamos a nós mesmos. Também, não há nada que seja mais desconhecido do que o ser que nós somos; nós não chegaremos alguma vez a abandonar nossa imagem. Num certo sentido, posso dizer que todo homem sabe mais de mim do que eu mesmo: mas isso não é para ele uma vantagem. Pois não é preciso saber com muita exatidão o que se é para ser de fato aquele que se é.

É natural que eu conheça melhor os outros que a mim mesmo, já que estou bem ocupado em me construir. E é por isso que há tanta presunção, falsa aparência e perda de tempo nesse cuidado com que eu me considero, que me atrasa quando me é preciso agir; eu devo abandoná-lo ao outro que não tem, de modo algum, o encargo direto do que virei a ser e que, inversamente a mim, interessa-se mais por meu ser realizado do que pelo ato que o realiza. Ele só vê em mim o homem manifestado, aquele que se distingue de todos os outros por seu caráter e por suas fraquezas, e não o homem que eu desejo ser e que procura sempre ultrapassar sua natureza e curar suas imperfeições. Eu experimento em mim, indefinidamente, a presença de uma potência que ainda não foi empregada, de uma esperança que ainda não foi frustrada. Um outro somente observa em mim o ser que eu posso mostrar, e eu, o ser que não mostrarei jamais. Inversamente ao que ele faz, eu tenho sempre os olhos fixados sobre o que eu não sou, bem mais do que sobre o que eu sou, sobre o meu ideal mais do que sobre meu estado, sobre a realização de meus desejos mais do que sobre a distância que me separa deles.

O mal-entendido que reina entre os homens provém sempre da perspectiva diferente pela qual cada um se vê e vê o outro. Pois cada um só vê em si mesmo as suas potencialidades e só vê no outro as suas ações. E o crédito que dá a si mesmo, recusa ao outro. Uma afinidade começa a uni-los a partir do momento em que ambos, ultrapassando o que podem mostrar, entram nessa confiança mútua, que já é uma muda cooperação.

Mas o egoísmo produz uma cegueira que, no momento em que descubro em mim um ser que sente, que pensa e que age, só deixa aparecer aos outros os objetos que devo descrever ou os instrumentos de que pude me servir. Não é preciso, então, ficar espantado pelo fato de que aquele que conhece todas as coisas em si não conheça a si mesmo, nem mesmo que, devido ao sentido contrário, cada um permaneça desconhecido ao mesmo tempo para si mesmo e pelos outros.

O mais difícil em nossas relações com os outros seres, é aquilo que parece ser talvez o mais simples: reconhecer essa existência própria, que os faz semelhantes a nós e, no entanto, diferente de nós, essa presença neles de uma individualidade única e insubstituível, de uma iniciativa e de uma liberdade, de uma vocação que lhes pertence e que nós devemos ajudá-los a realizar, ao invés de nos mostrar ressentidos, ou tentar curvá-los para conformá-los à nossa. Para nós, essa é a primeira palavra da caridade, e pode talvez ser também a última.”

LAVELLE, Louis. L’erreur de Narcisse, Paris: La Table Ronde, 2003.

L. Lavelle (1883-1951) – Filósofo francês, foi professor no College de France a na Sorbonne, membro da Academie des Sciences Morales et Politiques, sua principal obra é La Dialectique de l’éternel présent, em 4 volumes.

(1) GALVANI, P. “Autoformação, uma perspectiva transpessoal, transdisciplinar e transcultural”, em Educação e Transdisciplinaridade II, Coord. Exec. CETRANS, São Paulo: Triom, 2002, p. 101-102.

Imagem: Espelho. http://assisbrasil.org/joao/elvio.htm

Marly Segreto

Data: 2009.12.09 | Categoria: Para refletir... | Comentário: 0

Agencia Leo Burnett   Malasia   Arts and Earth festival

Continue poluindo, e logo você talvez não tenha escolha.

Campanha realizada pela agência Leo Burnett, em Kuala Lumpur – Malásia, junto ao Arts & Earth festival organizado por Global Environment Center.

Mas a mensagem é universal, não é mesmo?