Arquivos de categorias: Oficina Ponto de Apoio

Data: 2010.12.02 | Categoria: Oficina Ponto de Apoio, Projetos 2010 | Comentário: 0

Encerramos no último dia 30 de novembro, a Oficina PONTO DE APOIO que ofereceu 09 encontros mensais com os funcionários da Casa Transitória de Itapeva, numa atividade voluntária de colaboração com a instituição. Durante todo o ano, a instituição vivenciou vários momentos de mudanças – no quadro de funcionários, porque os cargos funcionais existentes foram oferecidos no concurso municipal efetivado; mudou também a dinâmica das crianças abrigadas, que passaram por uma triagem determinada pelo Ministério Publico e muitas foram re-encaminhadas para as famílias.

Ao término do ano, praticamente todos os funcionários mais antigos, experientes e familiarizados com o ambiente, estão sendo substituídos pelos funcionários aprovados no concurso municipal que agora ingressam e buscam adaptar-se a esta realidade de trabalho que os aguarda. A maior parte é ainda bem jovem, em busca de trabalho, e se encontra despreparada formativamente para lidar com os desafios que a instituição administra. Chegam num momento, final do ano, em que as crianças ficam a maior parte do tempo na Casa, pois entra o período de férias e as diferentes atividades que fazem parte do seu cotidiano, pausam. Fico me perguntando até onde nossa boa intenção e ação colaborativa e voluntária, dirigida todo o ano aos que estavam e chegavam terá sido capaz de contribuir como uma pequena semente, para que o espírito de equipe e de boa-vontade floresça ali neste novo ano. Sei que a pergunta é desnecessária e não tem resposta. As respostas não vêm quando precisamos delas, mas quando podem – já disse José Saramago -, no Ensaio sobre a Cegueira.

Na reflexão final do trabalho, os participantes agradeceram expressando o que mais os havia tocado – foram diferentes momentos, textos, exercícios, experiências. Observei a presença dos saberes formal, experencial e simbólico manifestos na apreciação deles e fui muito grata à Vida pela simplicidade do processo de convivência nos ter permitido “reinventar o ofício de aprender”. Finaliza o ano e nosso cronograma proposto. Prosseguirá o processo desencadeado em cada um, pelo que juntos experimentamos. Todos que participamos deste projeto vivenciamos uma travessia , é o que sinto.

http://cicerocavalcanti.blogspot.com/

“ As coisas assim a gente não perde nem abarca.
Cabem é no brilho da noite.
Aragem do sagrado.
Absolutas estrelas…”

(João Guimarães Rosa)

TCris

Data: 2010.09.15 | Categoria: Oficina Ponto de Apoio, Projetos 2010 | Comentário: 0

Em setembro realizamos o sexto encontro mensal da Oficina PONTO DE APOIO. Durante o período de julho-agosto, por força de leis federais que estão agilizando o processo de triagem para adoção, algumas novas medidas ocorreram na Casa Transitória, que ecoaram na rotina (e no ânimo!) dos funcionários e no nosso projeto; diminuiu o número de crianças abrigadas, pois mais da metade foi re-encaminhada para a família e consequentemente, diminuiu o número de funcionários necessários.

Paralelamente, a escolha de novos funcionários que passaram no último concurso municipal e que prestam serviço lá, também modificou o quadro administrativo; pessoas que estavam na Oficina foram dispensadas e um bom número de novos funcionários concursados entrou no quadro. Hoje há uma diversidade de situações das pessoas que compõem o público da Oficina Ponto de Apoio e algumas adaptações na condução dos temas foram necessárias. Benditos princípios da experiência a priori e método a posteriori e da estrutura aberta que a Companhia desenvolveu como metodologia, que nos permite acolher os iniciantes e integrar todos num novo e outro ritmo.

Neste contexto, decidi por um texto que trabalha com o nível simbólico, onde todos possam se ver refletidos e trabalhamos o Mito de Perséfone – que fala dos ciclos da natureza e por analogia, da vida humana. Foi uma boa escolha, pois apesar das pessoas em geral desconhecerem o tempo-espaço grego, a história de Perséfone fez sentido para elas porque grande parte tem sua origem na vida rural, próxima à natureza; os depoimentos posteriores demonstraram isto no entrecruzamento subjetivo.

“Quando fazemos coisas com as palavras, do que se trata é de como damos sentido ao que somos e ao que nos acontece, de como correlacionamos as palavras e as coisas, de como nomeamos o que vemos ou o que sentimos e de como vemos ou sentimos o que nomeamos.” (Notas sobre a experiência e o saber de experiência. Jorge Larrosa Bondía – Universidade de Barcelona, Espanha.Tradução de João Wanderley Geraldi – Universidade Estadual de Campinas, Departamento de Lingüística)

http://www.anped.org.br/rbe/rbedigital/RBDE19/RBDE19_04_JORGE_LARROSA_BONDIA.pdf

Whirlpools 1957 - M.C.ESCHER

A Companhia aporta experiencialmente a epistemologia estudada em tempo anterior. Ciclos que finalizam e que iniciam. Ciclos dentro de ciclos.

Abraços a todos
TCris

Data: 2010.06.24 | Categoria: Oficina Ponto de Apoio, Projetos 2010 | Comentário: 0

No 4o. encontro da Oficina Ponto de Apoio, realizado no mês de junho para as turmas A e B, nossa convidada Luzia Proença, psicóloga, participante da Comunidade de Estudos de Itapeva e de projetos anteriores, escolheu como tema de sua palestra O Caminho dos Relacionamentos.

Com a turma A, além da palestra, fizemos uma reflexão sobre a música A Lista, de Osvaldo Montenegro – http://www.youtube.com/watch?v=aV99ypbCidw – o que nos rendeu ricas percepções; estamos preparando um vídeo com o depoimento dos participantes.

Na turma B tivemos a oportunidade de fazer uma reflexão a partir do texto Consideração – você sabe o que é isso? que suscitou importantes descobertas sobre a diversidade de relacionamentos que perpassam nossa vida e o quanto somos frutos dessas interações. Dos diferentes trechos do texto escolhidos por muitas pessoas como significativos, emergiu a problemática do contexto profissional, não só em relação ao funcionamento da equipe dos funcionários, mas também em relação a como as crianças e adolescentes são percebidas e entendidas por eles.

Deste diálogo emergiram algumas dicas vistas por alguns como orientadoras de uma possível ação:

- “Então, a consideração é demonstrada nas atitudes. A atitude de entender, de contextualizar, de ouvir, de falar, de avaliar, de investigar e de perceber que as pessoas estão juntas nas ações; isto é consideração.”

- “Nunca se esqueça que você também tem de fazer a sua parte. Muito fácil esperar dos outros, mas na verdade o que importa é você ter consideração pelos outros, assim o caminho da reciprocidade se abre a sua frente. ”

- “Mas o melhor a saber é que algumas decisões são tão importantes no processo de crescimento que podem significar sofrer ou crescer.”

Percebo que , gradualmente, nossa dinâmica interativa vai se caracterizando como formativa:

_ os participantes começam a perceber que o que é dito pelo Outro (s) tem um potencial de informação, de sentido e conexão com a realidade e as situações vivenciados por cada um e que portanto, pode re-orientar suas ações;

_ o espírito de equipe que antes apareceu como uma carência existente no grupo, agora começa a ser reinvindicado como condição necessária para transformar e mellhorar a ação de cada um;

_ o espaço de revelação de conflitos pessoais no ambiente de trabalho tem sido mantido e respeitado por todos na escuta; isso parece estabelecer parâmetros de compreensão mútua; foi interessante a descoberta semântica da palavra reciprocidade surgida no grupo B como alguma coisa nova para muitos e que expressava a compreensão de um sentimento emergente do contexto.


“A informação é simplesmente o que dá forma ao sentido que emerge de nossas interações com o meio ambiente, com nós mesmos e com os outros; a informação não é uma entidade exterior a nós mesmos, ela não existe por si mesma. O conhecimento estrutura-se e reestrutura-se a cada interação, interna e externa. Aprender não consiste em acrescentar novos conhecimentos, mas em reorganizar o que já foi compreendido.

milton da costa


(…) A verdadeira crise que o mundo atravessa hoje é uma crise de percepção, e é essa mesma crise que a nossa linguagem cotidiana traduz e consolida quando nos impede de entrar em relação profunda com o vivente. Por isso, só temos a ganhar nos questionando sobre a realidade e as exigências do vivente.”

(A linguagem do Vivente – uma voz, uma via adormecida? – Hélène Trocme-Fabre. São Paulo:TRIOM, 2009. p.35-36 )

TCris

Data: 2010.05.26 | Categoria: Oficina Ponto de Apoio, Projetos 2010 | Comentário: 1

Ontem aconteceu o terceiro encontro da turma B da Oficina Ponto de Apoio.

No trânsito entre as pessoas novas que estão chegando e a saída de alguns em função da realização de novo concurso público municipal, retomamos a origem, propósito e dinâmica do projeto, o que foi muito bom para que todos pudéssemos nos apropriar da nossa trajetória.

O diálogo já acontece de uma forma mais espontânea e ritmada e começam a surgir os “nós” que permeiam o funcionamento da equipe de trabalho. Desta turma faz parte a diretora da Casa Transitória que já pode inferir alguns pontos a serem trabalhados na sua gestão; conversamos um pouco sobre isso. Também participou pela primeira vez o Lucas, psicólogo recém-chegado que vai assumir o trabalho na Casa (veio das bandas da Paraíba e traz uma experiência de lá em locais similares); sua contribuição ontem foi importante na pontuação de alguns tópicos que emergiram, o que “movimentou” especialmente o encontro.

Oficina Ponto de Apoio - Turma B

Na dinâmica, surgiram alguns pontos fundamentais trazidos pelos participantes/ funcionários:

– A necessidade de todos falarem “a mesma língua” – traduzida em discurso e atitude.
– Um conflito entre dois funcionários que pode ser explicitado e de onde surgiu a perspectiva mais ampla de que há ruídos na forma como a comunicação acontece entre os funcionários (o que é bem comum onde há muitas pessoas que trabalham em turnos diferentes e pode ser melhorado) resignificando a questão.
– A percepção de que pontos que aparentemente são vistos como divergentes podem ser revistos como complementares;
– Vivenciamos e falamos sobre o processo da escuta do outro, do tempo de absorção do que se aprendeu e da elaboração interna para nova devolutiva externa – este foi um exercício que o grupo reconheceu que temos vivenciado nos nossos encontros.
– Na apresentação de uma dupla apresentando sua reflexão surgiu a idéia de formarmos grupos de escuta com as crianças.

E assim vamos caminhando e bem, eu diria, porque o que nos une é apenas a boa-vontade e o propósito de nos melhorarmos. Sempre me emociono em participar deste processo onde um corpus vai se configurando a partir de um modus operandi e o processo começa a caminhar por si mesmo. Tenho a perspectiva (tomara!) de que em algum momento deste processo possamos nos reconhecer nas leis do vivente propostas por Helene Trocmé-Fabre:

“O vivente está em devir, ou seja, está sempre atento em manter e atualizar o seu potencial, ligando-se ao mundo que o cerca.
- Descobrindo toda complexidade deste mundo.
- Organizando o que vê, ouve e percebe.
- Dando sentido ao que lhe acontece.
- Aprendendo a escolher, assim aprendendo a renunciar,
- e portanto, a decidir.
- Criando, assim inovando.
- Recebendo e dando, assim entrando em reciprocidade.
- Comunicando (no sentido etimológico da palavra) torna-se parceiro.”

Abraços a todos
TCris

Data: 2010.04.27 | Categoria: Oficina Ponto de Apoio, Projetos 2010 | Comentário: 1

Pois é. Estamos no segundo encontro mensal (Abril), com a segunda turma da Oficina Ponto de Apoio.

Esta turma hoje melhorou muito o índice de participação em relação ao primeiro encontro. Dela participou a diretora da Casa Transitória, que no primeiro encontro pareceu inibir os demais participantes. Mas hoje, um diálogo mais franco e aberto pareceu suscitar que algumas feridas profissionais do ambiente se revelassem.

Há uma certa angústia/alívio quando as feridas se expõem…o paradoxo se reapresenta.

Falamos sobre a responsabilidades que temos e que costumamos “tercerizar” para outros; lemos um texto sobre e depois cada participante escolheu um trecho significativo para comentar – observei que já melhorou um pouco o movimento da escuta do outro, e desta vez todos leram, o que não ocorreu antes.

Os dois trechos mais citados do texto foram:

“Importante pensar com maturidade a esse respeito, pois somente admitindo que somos senhores da nossa vida e do nosso destino, deixaremos de encontrar desculpas, e faremos a nossa parte.”

“A felicidade é construção diária e depende do que consideramos o que seja ser feliz. Se admitimos que a felicidade é uma forma de viver, basta aprender a arte de bem-viver.”

Também fizemos uma dinâmica onde três grupos se formaram em torno das palavras Reduzir, Reutilizar e Reciclar (lema emprestado da SABESP); esta dinâmica está sendo aplicada em todos os eventos do Centro de Educação Ambiental que nos hospeda. Cada grupo discutiu o que poderia ser reduzido, reciclado e reutilizado no ambiente de trabalho deles.

www.sxc.hu//208836 broken egg Houve uma bom grau de convergência entre estes indicadores, o que vai naturalmente nos conduzindo para algumas temáticas que emergem do contexto deles.

Em vários momentos pontuei a responsabilidade deles como formadores das crianças e isso pareceu ser uma revelação para alguns; disseram que só se viam como funcionários (publicos e da Casa Transitória). Faz parte do processo de Autoformação reconhecer-se como sujeito que se forma em processo de autos, hetero e eco-formação, e no caso, em co-formação. Talvez possamos chegar em algum momento ao uso consciente desta terminologia.

Neste exercicio de hoje resgatei vivencialmente uma citação feita no artigo do Ignacio Gerber e que tem a ver com meu processo de busca de sentido:

“A nós interessa a atividade de fazer sentido, deixando de lado a suposição de significados depositados em alguma parte, sedimentados, disponíveis e decifráveis. A ênfase é no processo de ir fazendo sentido, um processo eminentemente criativo. Quando o sentido se cristaliza ou é recebido ou tomado de forma cristalizada, o processo se interrompe e a criatividade se estiola.”[1]

[1] Figueiredo, L.C. “A questão do sentido, a intersubjetividade e as teorias das relações de objeto”, In Revista Brasileira de Psicanálise, Vol. 39, 2006, p. 79-88

E´isto que estou buscando no meu fazer – que o sentido para mim se apresente como um fazer sentido com o que está sendo feito pelo e com o Outro. E que isso nos construa, a cada um na medida do seu próprio ser.

TCris

Data: 2010.03.01 | Categoria: Notícias, Oficina Ponto de Apoio, Projetos 2010 | Comentário: 4

Comunidade de Estudo de Itapeva

PROJETO Voluntariado Verde

OFICINA PONTO DE APOIO

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Como um desdobramento da ação da Companhia de Aprendizagem, Teresa Cristina F. Bongiovanni (TCris) e as colaboradoras Ana Maria Pimentel, Maria Claudia Mariozi e Patrícia F. M. Moulatlet realizarão a Oficina Ponto de Apoio, mais uma inciativa voluntária da Comunidade de Estudo de Itapeva – SP.

Público-alvo: Funcionários da Casa Transitória de Itapeva e voluntários

Objetivos:

  • Colaborar na melhoria dos relacionamentos interpessoais dos cuidadores da Casa Transitória de Itapeva para aprimorar sua qualificação pessoal e melhor desempenho de suas funções;
  • Contribuir para o desenvolvimento e melhoria físico-emocional-mental-espiritual das crianças/adolescentes abrigadas atendidas pela instituição, através de diferentes atividades organizadas em oficinas, de acordo com o número de voluntários disponíveis;
  • Respeitar as regras e necessidades do contexto, mas estimular um fluxo mais colaborativo entre cuidadores e abrigados na rotina diária como ação formativa de convivência entre todos;
  • Reunir e habilitar voluntários que queiram participar desta rede de serviço.

    Local: CEA – Sala Verde – Itapeva – SP

    Periodicidade: 01 Reunião mensal, às 3ª. Feiras, para cada uma das 02 turmas que serão organizadas pela direção da Casa Transitória de Itapeva.

    Datas: Módulo 1 – março a julho de 2010 / Módulo 2 – agosto a dezembro de 2010

    Horário: das 09h às 11h

    A Companhia de Aprendizagem apoia esta iniciativa, que certamente beneficiará todos os envolvidos, oferecendo sua colaboração.

    Se voce tiver interesse em participar, entre em contato conosco:

    companhia@companhiadeaprendizagem.com.br – a/c TCris

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