Encerramos no último dia 30 de novembro, a Oficina PONTO DE APOIO que ofereceu 09 encontros mensais com os funcionários da Casa Transitória de Itapeva, numa atividade voluntária de colaboração com a instituição. Durante todo o ano, a instituição vivenciou vários momentos de mudanças – no quadro de funcionários, porque os cargos funcionais existentes foram oferecidos no concurso municipal efetivado; mudou também a dinâmica das crianças abrigadas, que passaram por uma triagem determinada pelo Ministério Publico e muitas foram re-encaminhadas para as famílias.
Ao término do ano, praticamente todos os funcionários mais antigos, experientes e familiarizados com o ambiente, estão sendo substituídos pelos funcionários aprovados no concurso municipal que agora ingressam e buscam adaptar-se a esta realidade de trabalho que os aguarda. A maior parte é ainda bem jovem, em busca de trabalho, e se encontra despreparada formativamente para lidar com os desafios que a instituição administra. Chegam num momento, final do ano, em que as crianças ficam a maior parte do tempo na Casa, pois entra o período de férias e as diferentes atividades que fazem parte do seu cotidiano, pausam. Fico me perguntando até onde nossa boa intenção e ação colaborativa e voluntária, dirigida todo o ano aos que estavam e chegavam terá sido capaz de contribuir como uma pequena semente, para que o espírito de equipe e de boa-vontade floresça ali neste novo ano. Sei que a pergunta é desnecessária e não tem resposta. As respostas não vêm quando precisamos delas, mas quando podem – já disse José Saramago -, no Ensaio sobre a Cegueira.
Na reflexão final do trabalho, os participantes agradeceram expressando o que mais os havia tocado – foram diferentes momentos, textos, exercícios, experiências. Observei a presença dos saberes formal, experencial e simbólico manifestos na apreciação deles e fui muito grata à Vida pela simplicidade do processo de convivência nos ter permitido “reinventar o ofício de aprender”. Finaliza o ano e nosso cronograma proposto. Prosseguirá o processo desencadeado em cada um, pelo que juntos experimentamos. Todos que participamos deste projeto vivenciamos uma travessia , é o que sinto.
“ As coisas assim a gente não perde nem abarca.
Cabem é no brilho da noite.
Aragem do sagrado.
Absolutas estrelas…”
(João Guimarães Rosa)
TCris


