Arquivos de categorias: Companheiros de Aprendizagem

Data: 2011.04.30 | Categoria: Agenciamento, Companheiros de Aprendizagem, Diálogo com o Coração | Comentário: 4

Norrin Road - Chegada em Casa

“Etapa VI – NO CAMINHO DO GRANDE RETORNO

Tranquilamente, sobre as costas do búfalo
O boiadeiro volta para casa.
Envolto pelas brumas,
O som da flauta à noite, é muito belo.
O homem canta sua melodia,
Ele marca o compasso,
O coração pleno de uma alegria desconhecida.
Será preciso dizer! De agora em diante, ele habita
Entre os sábios.”

Fonte: JEAN YVES LELOUP. A ARTE DE CATIVAR O BÚFALO – Etapas no caminho do despertar no budismo, cristianismo e processo de individuação na psicologia profunda –Casa Siloé – Mosteiro de São Bento, Vinhedo – 20-22 abril 2007

Data: 2011.04.23 | Categoria: Agenciamento, Companheiros de Aprendizagem, Diálogo com o Coração | Comentário: 5

Reconhecimento do her  i
Reconhecer assume o sentido de voltar a conhecer quando nos deparamos com algo ou alguém já visto anteriormente, mas que ficou perdido na memória e vem novamente à tona.

Reconhecer significa também admitir algo como certo, verificado, constatado, caracterizado, identificado e, então, é possível declarar, afirmar, assegurar, legitimar o que foi observado.

Reconhecer também implica confessar, aceitar, mostrar-se agradecido por algo.

Conhecer parece não bastar e sempre pedir uma ampliação através do reconhecer.

Podemos reconhecer nas mil faces do herói as multiplas facetas do humano?

Podemos reconhecer que todos nós temos um pouco de herói e vilão, tolo e sábio, palhaço e austero, como diz Campbell ?

Quanto mais humana for a feição do herói, com suas qualidades e fraquezas, mais provável a nossa identificação com ele.

Mas a palavra conhecer em francês, connaître, apresenta uma característica interessante, pois pode ser lida como con-naître: nascer com.

Nesse sentido, reconhecer pode também ser compreendido como renascer.

Vida – morte – ressurreição, não é isso que celebramos na Páscoa cristã?

E o ovo não pode ser visto como símbolo do germe da nova vida?

Então, boa Páscoa a todos!

Data: 2011.04.15 | Categoria: Agenciamento, Companheiros de Aprendizagem, Diálogo com o Coração | Comentário: 3

Retorno
Na ilha por vezes habitada do que somos, há noites,
manhãs e madrugadas em que não precisamos
de morrer.

Então sabemos tudo do que foi e será.

O mundo aparece explicado definitivamente e entra
em nós uma grande serenidade, e dizem-se as
palavras que a significam.

Levantamos um punhado de terra e apertamo-la
nas mãos.

Com doçura.

Aí se contém toda a verdade suportável: o contorno, a
vontade e os limites.

Podemos então dizer que somos livres, com a paz e o
sorriso de quem se reconhece e viajou à roda do
mundo infatigável, porque mordeu a alma até aos
ossos dela.

Libertemos devagar a terra onde acontecem milagres
como a água, a pedra e a raiz.

Cada um de nós é por enquanto a vida.

Isso nos baste.

José Saramago

Em http://www.luso-poemas.net/modules/news03/article.php?storyid=811#ixzz0t1tptgmh

Data: 2011.04.08 | Categoria: Agenciamento, Companheiros de Aprendizagem, Diálogo com o Coração | Comentário: 6

Punição ou culpa “Há muito tempo, me casei, também eu. Dispensei uma vida com esse alguém. Até que ele foi. Quando me deixou, já não me deixou a mim. Que eu já era outra, habilitada a ser ninguém. Às vezes, contudo, ainda me adoece uma saudade desse homem. Lembro o tempo em que me encantei, tudo era um princípio. Eu era nova, dezanovinha… Ele se chegou me beijou a testa. Como se faz a um filho, um beijo longe da boca. Meu peito era um rio lavado, escoado no estuário do choro.

Era essa tarde, já descaída em escuro. Ressalvo. Diz-se que a tarde cai. Diz-se que a noite também cai. Mas eu encontro o contrário: a manhã é que cai. Por um cansaço de luz, um suicídio da sombra. Lhe explico. São três os bichos que o tempo tem: manhã, tarde e noite. A noite é quem tem asas. Mas são asas de avestruz. Porque a noite as usa fechadas, ao serviço de nada. A tarde é a felina criatura. Espreguiçando, mandriosa, inventadora de sombras. A manhã, essa, é um caracol, em adolescente espiral. Sobe pelos muros, desenrodilha-se vagarosa. E tomba, no desamparo do meio-dia.

Deixem-me agora evocar, aos goles de lembrança. Enquanto espero que ele volte, de novo, a este pátio. Recordar tudo, de uma só vez, me dá sofrimento. Por isso, vou lembrando aos poucos. Me debruço na varanda e a altura me tonteia. Quase vou na vertigem. Sabem o que descobri? Que minha alma é feita de água. Não posso me debruçar tanto. Senão me entorno e ainda morro vazia, sem gota…”

(Mia Couto. A despedideira)

Infra    o“Estou de saída, para a minha rotina de visitadora quando, de passagem pelo corredor, reparo que o pano que cobria o espelho havia tombado. Sem querer, noto o meu reflexo. Recuo dois passos e me contemplo como nunca antes o fizera. E descubro a curva do corpo, o meu busto ainda hasteado. Toco o rosto, beijo os dedos, fosse eu outra, antiga e súbita amante de mim. O cesto cai-me da mão, como se tivesse ganhado alma.

Uma força me aproxima do armário. Dele retiro o vestido preto que, faz vinte e cinco anos, meu marido me ofereceu. Vou ao espelho e me cubro, requebrando-me em imóvel dança. As palavras desprendem-se de mim, claras e nítidas:

- Só peço um oxalá: que eu fique viúva o quanto antes!

O pedido me surpreende, como se fosse outra que falasse. Poderia eu proferir tão terrível desejo? E, de novo, a minha voz se afirma, certeira:

- Estou ansiosa que você morra, marido, para estrear este vestido preto.

O espelho devolve a minha antiquíssima vaidade de mulher, essa que nasceu antes de mim e a que eu nunca pude dar brilho. Nunca antes eu tinha sido bela. No instante, confirmo: o luto me vai bem com meus olhos escuros. Agora, reparo: afinal, nem envelheci. Envelhecer é ser tomado pelo tempo, um modo de ser dono do corpo. E eu nunca amei o suficiente. Como a pedra, que não tem espera nem é esperada, fiquei sem idade. E experimento, em vertigem, pose e lágrima. No funeral, o choro será assim, queixo erguido para demorar a lágrima, nariz empinado para não fungar. Dessa feita, marido, não será você, mas serei eu o centro. A sua vida me apagou. A sua morte me fará nascer.

(Mia Couto. O cesto)

COUTO, Mia. O fio das missangas. Contos

Data: 2011.04.01 | Categoria: Agenciamento, Companheiros de Aprendizagem, Diálogo com o Coração | Comentário: 2

Norrin Road - Danos Reparados Conta a lenda que dormia
Uma Princesa encantada
A quem só despertaria
Um Infante, que viria
De além do muro da estrada.

Ele tinha que, tentado,
Vencer o mal e o bem,
Antes que, já libertado,
Deixasse o caminho errado
Por o que à Princesa vem.

A Princesa Adormecida,
Se espera, dormindo espera,
Sonha em morte a sua vida,
E orna-lhe a fronte esquecida,
Verde, uma grinalda de hera.

Longe o Infante, esforçado,
Sem saber que intuito tem,
Rompe o caminho fadado,
Ele dela é ignorado,
Ela para ele é ninguém.

Norrin Road - Núpcias do Heroí
Mas cada um cumpre o Destino
Ela dormindo encantada,
Ele buscando-a sem tino
Pelo processo divino
Que faz existir a estrada.

E, se bem que seja obscuro
Tudo pela estrada fora,
E falso, ele vem seguro,
E vencendo estrada e muro,
Chega onde em sono ela mora,

E, inda tonto do que houvera,
À cabeça, em maresia,
Ergue a mão, e encontra hera,
E vê que ele mesmo era
A Princesa que dormia.

(Eros e Psique. Fernando Pessoa)

Data: 2011.03.25 | Categoria: Agenciamento, Companheiros de Aprendizagem, Diálogo com o Coração | Comentário: 5

“O arquétipo do Andarilho propicia ou causa o surgimento de um outro: o do lobo solitário ou do proscrito. Ela agora está afastada das famílias aparentemente felizes das aldeias, fora dos ambientes aquecidos. Ao relento e no frio. É essa agora a sua vida… Começamos de certo modo a sentir que não mais fazemos parte da vida que rodopia à nossa volta. Os megafones parecem estar muito longe, os camelôs, os ambulantes, todo o magnífico circo da vida exterior como que cambaleia e desmorona, à medida que descemos mais fundo nos mundos subterrâneos “ [mundo interior].

Norrin Road - Encontro com o Doador

[A donzela sem mãos está desfigurada e faminta quando chega ao pomar.]… Ela se ajoelha diante de um pomar como se este fosse um altar – o que ele é – o altar dos deuses selvagens do outro mundo. À medida que descemos até nossa natureza básica [interna e verdadeira], as antigas formas automáticas de alimentação são eliminadas. Coisas do mundo que costumavam ser alimentos para nós, perdem seu sabor. Nossas metas não mais nos atraem. Nossas realizações não têm mais interesse. Para onde quer que olhemos no mundo objetivo, não há alimentos para nós. Portanto, é um dos milagres mais autênticos da psique, que quando estamos tão desamparadas, a ajuda chega e bem na hora.”

… Na história, a ação está agora centrada na árvore frutífera [a pêra que alimenta] que em tempos remotos era chamada Árvore da Vida, Árvore do Conhecimento. A água, o líquido fundamental do crescimento e da criatividade, é absorvida pelas raízes que alimentam a planta pela ação capilar – uma rede de bilhões de ligações celulares pequenas demais para serem vistas – e a água chega até o fruto e faz com que ele cresça e se embeleze. Por este motivo considera-se que o fruto é investido de alma, de uma força de vida que deriva de uma certa quantidade de água, terra, ar, alimento e semente. E que contém tudo isso, além de ter um sabor divino. As mulheres que se alimentam do fruto, da água e da semente do trabalho nas florestas do outro mundo [mundo interno] também crescem psicologicamente na mesma proporção. Suas psiques engravidam e permanecem num estado de amadurecimento constante.”

Norrin Road - Dons Mágicos

… A história ressuscita nosso conhecimento de uma promessa muito antiga: a promessa de que a descida nos será benéfica mesmo que esteja escuro, mesmo que tenhamos a impressão de estar perdidas. Mesmo em meio à falta de conhecimento, à falta de visão, quando estamos “vagueando às cegas”, existe “algo”, “alguém” excessivamente presente que acompanha nosso ritmo. Viramos à esquerda, ele vira à esquerda. Viramos à direita, ele nos acompanha de perto, dando-nos amparo, abrindo caminho para nós.”

Clarissa Pinkola Estes. “A donzela sem mãos”, in: Mulheres que correm com os lobos, Rio de Janeiro: Rocco, 1995, p.508-512.

Data: 2011.03.18 | Categoria: Agenciamento, Companheiros de Aprendizagem, Diálogo com o Coração | Comentário: 8

“Naquele tempo, o mundo dos espelhos e o mundo dos homens, não eram, como hoje, incomunicantes. Além disso, eram muito diferentes um do outro; não coincidiam nem os seres nem as cores nem as formas. Os dois reinos, o especular e o humano, viviam em paz; entrava-se e saía-se pelos espelhos. Uma noite o povo do espelho invadiu a Terra. Sua força era grande mas ao cabo de sangrentas batalhas as artes mágicas do Imperador Amarelo prevaleceram. Ele repeliu os invasores, encarcerou-os no espelho e lhes impôs a tarefa de repetir, como numa espécie de sonho, todos os atos dos homens. Privou-os de sua força e de seu aspecto e reduziu-os a mero reflexos servis. Um dia contudo, eles se livrarão dessa letargia mágica.

Norrin Road - Poderes diabólico (s) Antagonista (s)

O primeiro a despertar será o Peixe. No fundo do espelho perceberemos uma linha muito tênue, e a cor dessa linha será uma cor que não se parece com nenhuma outra. Depois irão despertando as outras formas. Gradualmente diferirão de nós, gradualmente deixarão de imitar-nos. Romperão as barreiras de vidro ou de metal e desta vez não serão vencidas. Junto com as criaturas dos espelhos combaterão as criaturas da água. … Outros pensam que antes da invasão, ouviremos vindo do fundo dos espelhos, o rumor das armas.”

BORGES, Jorge Luis. “Animais dos espelhos”, In: O livro dos seres imaginários. Companhia das Letras, 2007. p.26-27

Norrin Road - Provas difíceis

MINHA FILOSOFIA CRUCIFICADA – fragmento

Meu Deus! Como é difícil viver aquilo que se pensa!…
Outrora, toda a minha filosofia estava na cabeça,
Em forma de grandes idéias,
Mais tarde, a minha filosofia desceu ao coração,
Em forma de belos ideais.
E eu, na minha erudita ignorância,
Me tinha em conta de um filósofo…
E, em frases grandíloquas de altissonante eloqüência,
Proclamava aos quatro ventos a minha sapiência filosófica…
Quando, porém, tentei passar a minha filosofia
Da cabeça e do coração para as mãos,
Para a crueza da vida prática,
Para o rude prosaísmo da vivência cotidiana –
Quase que desanimei…
Verifiquei que subia ao Gólgota
E ia ser crucificado…
Da cabeça e do coração para as mãos –
Não é isto uma cruz?
Minha pobre filosofia,
Ontem tão segura e autocomplacente,
Hoje, sangrando entre os braços da cruz!…

Huberto Rohden – A Voz do Silêncio - Ed. Martin Claret

Data: 2011.03.12 | Categoria: Agenciamento, Companheiros de Aprendizagem, Diálogo com o Coração | Comentário: 7

Aparecimento do antagonista 1 2

“Era uma vez um certo Harry, chamado o Lobo da Estepe. Andava sobre duas pernas, usava roupas e era um homem, mas não obstante era também um lobo das estepes. Havia aprendido uma boa parte de tudo quanto as pessoas de bom entendimento podem aprender, e era bastante ponderado. O que não havia aprendido, entretanto, era o seguinte: estar contente consigo e com sua própria vida. Era incapaz disso, daí ser um homem descontente. Isso provinha, decerto, do fato de que, no fundo de seu coração, sabia sempre (ou julgava saber) que não era realmente um homem e sim um lobo das estepes. (…) É admissível, por exemplo, que, em sua infância, fosse rebelde, desobediente e anárquico, o que teria levado seus educadores a tentar combater a fera que havia nele, dando ensejo assim a que se formasse em sua imaginação a idéia e a crença de que era, realmente, um animal selvagem, coberto apenas com um tênue verniz de civilização. A esse propósito poder-se-iam tecer longas considerações e até mesmo escrever livros; mas isso de nada valeria ao Lobo da Estepe, pois para ele era indiferente saber se o lobo se havia introduzido nele por encantamento, à força de pancada ou se era apenas uma fantasia de seu espírito. O que os outros pudessem pensar a este respeito ou até mesmo o que ele próprio pudesse pensar, em nada o afetaria, nem conseguiria afetar o lobo que morava em seu interior.
DueloO Lobo da Estepe tinha, portanto, duas naturezas, uma de homem e outra de lobo; tal era seu destino, e nem por isso tão singular e raro. Deve haver muitos homens que tenham em si muito de cão ou de raposa, de peixe ou de serpente sem que com isso experimentem maiores dificuldades. (…) No caso de Harry, entretanto, o caso diferia: nele o homem e o lobo não caminhavam juntos, mas apenas permaneciam em contínua e mortal inimizade e um vivia apenas para causar dano ao outro, e quando há dois inimigos mortais num mesmo sangue e na mesma alma, então a vida é uma desgraça.
(…) Com nosso Lobo da Estepe sucedia que, em sua consciência, vivia ora como lobo, ora como homem, como acontece, aliás, com todos os seres mistos. Ocorre, entretanto, que quando vivia como lobo, o homem nele permanecia como espectador, sempre à espera de interferir e condenar, e quando vivia como homem, o lobo procedia de maneira semelhante. Por exemplo, se Harry, como homem, tivesse um pensamento belo, experimentasse uma sensação nobre e delicada, ou praticasse uma das chamadas boas ações, então o lobo, em seu interior, arreganhava os dentes, ria e mostrava-lhe com amarga ironia o quão ridícula era aquela nobre encenação aos seus olhos de fera, aos olhos de um lobo que sabia muito bem em seu coração o que lhe convinha, ou seja, caminhar sozinho nas estepes, beber sangue vez por outra ou perseguir alguma loba. Toda ação humana parecia, pois, aos olhos do lobo horrivelmente absurda e despropositada, estúpida e vã. Mas sucedia exatamente o mesmo quando Harry sentia e se comportava como lobo, quando arreganhava os dentes para os outros, quando sentia ódio e inimizade por todos os seres humanos e por seus mentirosos e degenerados hábitos e costumes. Precisamente aí é que a parte humana existente nele se punha a espreitar o lobo, chamava-o de besta e de fera e o lançava a perder, amargurando-lhe toda a satisfação de sua saudável e simples natureza lupina.
Era isso o que ocorria ao Lobo da Estepe, e pode-se perfeitamente imaginar que Harry não levasse de todo uma vida agradável e feliz. (…) Não se pode negar que fosse, em geral, muito infeliz, e podia também fazer os outros infelizes, especialmente quando os queria ou era por eles estimado. Pois todos os que com ele se deram viram apenas uma das partes de seu ser. Muitos o estimaram por ser uma pessoa inteligente, refinada e arguta, e mostraram-se horrorizados e desapontados quando descobriam o lobo que se mostrava nele. E assim tinha de ser, pois Harry, como toda pessoa sensível, queira ser amado como um todo (…). Havia outros, todavia, que amavam nele exatamente o lobo, o livre, o selvagem, o indômito, o perigoso e forte, e estes achavam profundamente decepcionante e deplorável quando o selvagem e perverso se transformava em homem, e mostrava anseios de bondade e refinamento, gostava de ouvir Mozart, de ler poesia e acalentar ideais humanos. Em geral, estes se mostravam mais desapontados e irritados do que os outros, e dessa forma o Lobo da Estepe levava sua própria natureza dual e discordante aos destinos alheios toda vez que entrava em contato com as pessoas”.

HESS, Hermann – O lobo da estepe, RJ: Record, 26ª ed., 2000