Blog da Companhia de Aprendizagem

Arquivo da categoria ‘Companheiros de Aprendizagem’

Vivendo e aprendendo - histórias rarefeitas

Nosso amigo Dubois escreveu cinco ensaios sobre a coragem a partir de sua experiencia como montanhista/alpinista. Transcrevo abaixo uma releitura que fiz como comentário à sua criação.

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Coragem em cinco Movimentos ou ensaios que descrevem nosso processo Autoformativo pela vida afora…

O que aprendemos conosco mesmos - “autos”-formação

Primeiro Movimento

(…) “A coragem foi superar o cansaço e tomar a decisão certa.”

Segundo Movimento

(…) “A coragem foi então, como uma confiança laçada em cima do vazio, meu primeiro solo, um prêmio para uma brincadeira sobre um erro tolo, que felizmente deu certo.”

Terceiro Movimento

(…) “O dia amanheceu, um dia de escalada como muitos outros que viriam na minha vida. Os fantasmas tinham desaparecido.A coragem voltou para mim quando descobri que o respeito pela montanha e por mim mesmo era o antídoto que me fortalecia contra o pavor que eu sentia.”

Retorno reflexivo sobre as experiências vividas

(…) “Estou concentrado e compenetrado no que vou fazer, não é uma brincadeira, uma improvisação. Não sinto fome, ou frio, ou cansaço. Estou onde quero estar, não penso em fugir, em fazer o caminho mais fácil. Estou apenas fazendo uma escalada digna do lugar e digna de mim, sem aplauso, sem plateia. Às vezes é necessário coragem para isto também: apenas ser digno de si mesmo.”

O que aprendemos com os outros (hetero-formação)

Quarto Movimento

(…) “Levariam muitos anos para eu entender aquele homem, sua resignação aparente, sua fortaleza (como diria Euclides da Cunha), sua coragem, apesar de tudo, da dor, da tristeza, de lutar e resistir naquele mundo que para mim era tão inóspito, mas que para ele era seu mundo e nele era um homem verdadeiro, digno, onde cabia até mesmo a solidariedade e a generosidade com pessoas estranhas como nós. Apenas um sertanejo perdido em aos pés de uma montanha da Bahia, mas de quem eu nunca consegui esquecer a coragem.”


O que aprendemos com o ambiente - eco-formação

Quinto movimento

(…) “Nestas horas eu lembro de pessoas que conheci e que realmente admiro pela coragem: médicos plantonistas, bombeiros, catadores de lixo, aquela família de agricultores que perdeu tudo em um destes planos econômicos desastrosos e que estava lá, acampada, apenas querendo começar de novo, o líder da comunidade de pescadores de Ararapira, o sertanejo no fundão da Bahia, aquela senhora que decidiu que a quimioterapia não ia ser o fim da vida dela. Daí eu percebo como somos privilegiados, pois podemos nos dar ao luxo de sermos corajosos na montanha, apenas porque queremos e não porque necessitamos.”

Conheça na íntegra os textos de Dubois sobre escalada e coragem.

Gratidão pela partilha.
Fraterno abraço,

TCris

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Ao Xiquinho nossa sincera homenagem

Xiquinho - Xiquinho
Companheiro de aprendizagem, de confusão, de riso, de explicações enredadas e interpretações ímpares… o Xiquinho foi sempre assim, na Companhia. Ultimamente, menos presente fisicamente, mas nunca ausente do nosso convívio. Quando ele chegava para os encontros de estudos – a gente nunca sabia quando – sempre tinha uma história interessante, engraçada e inusitada para contar, que sempre terminava em algum tipo de ensinamento para o grupo: “É vital dar sentido a tudo que fazemos. No meu trabalho, ajudar os jovens para que a vida faça sentido”.

Eukiko, um personagem humorístico concebido, mas nunca desenhado, foi nele inspirado. “Eukiko, e eu com isso… o que faço com isso”, ele dizia, deixando clara a necessidade de um engajamento pessoal em tudo que se faz e de fazer algo com o que é aprendido: saber-ser e saber-fazer entrelaçados.

Aos poucos, fomos nos habituando com sua outra lógica que, muitas vezes, pedia uma interlocução: _ “A Marly pode explicar melhor o que estou querendo dizer…”, ele solicitava. Era preciso tentar acompanhá-lo pelo intrincado labirinto de idéias e pensamentos: “Quando eu vou dormir digo que eu quero parar de pensar e quando acordo já tenho outra idéia”. E íamos percebendo que por trás daquele aparente caos havia uma ordem composta de uma grande afetividade, de um olhar sensível dirigido aos outros e do desejo de compartilhar o que tinha aprendido com todos que encontrava em seu caminho…

São tantas as boas lembranças que temos dele! Sua chegada inesperada no II Congresso Mundial de Transdisciplinaridade, em Vila Velha, onde, à luz da janela que dava para o mar, brotou o desejo de fazer o mestrado com Pascal Galvani (chegou a fazer o esboço do projeto). A sua dedicação e entrega à HOLOS 21, na qual ele acreditava. O trabalho de ecoprofissionalização e formação de jovens, sempre apostando no potencial que via neles. O velho carro que vivia encrencado, mas que subiu a Serra da Cantareira sem poder engatar a 1ª. O Conselho de Transdisciplinaridade da Holos que ele queria criar, numa tarde fresca no sítio Borboleta Azul de Mairiporã. E, mais recentemente, a descoberta de ser avô… Pedaços de vida que partilhamos com essa alma antiga de coração jovem.

E como foram ricos, contundentes e amorosos esses encontros! Com ele, nunca se sabia quando seria o próximo, e nem o último. Agora sabemos! Mas ele se foi como sempre esteve – não tinha hora de chegada e nem de partida, mas sempre estava. E continuará estando. Para nossa alegria!

“Parar não existe. Tudo está em movimento… precisamos estabelecer uma dinâmica para a dinâmica da morte. Estar ao seu lado”, dizia ele em 2005.

Tudo isso relembra a nossa impermanência… Há uma urgência no tempo que nos passa despercebida, mas não impune. Há um tempo que é o nosso e passa. Há o tempo que não nos pertence, no qual estamos e que também passa – o tempo do não-dito, do não-realizado, como diz poeticamente Guimarães Rosa.

Há tantas coisas que querem ouvir de nós e não dizemos; tantas outras que queremos dizer e não nos ouvem. Em que grupo estamos? Em que tempo vivemos? No tempo da presença, do estar inteiro no que se faz, do estar disponível para o necessário? Ou no tempo do desperdício no supérfluo, da reclusão dos pequenos interesses, das fobias pessoais e arbitrárias, da arrogância limitadora do egocentrismo?

Qualquer que seja esse tempo, vivemos no fio da navalha… A diferença será para que lado penderemos no final.

Sem ser absoluto… talvez o Xiquinho tenha nos ajudado a intuir possíveis nuances do melhor lado…

Obrigada amigo!

COMPANHIA DE APRENDIZAGEM

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Os delírios imagéticos de Ghuga Távora

Ele é o homem dos mil braços e idéias; é do Recife - PE , mas sassarica por todo este país (e fora dele) fotografando, criando e reinventando as coisas. Nos seus “delírios imagéticos” Ghuga Távora realizou em Belo Horizonte mais um Happening Hours com a instalação “Quem dera ser um peixe”, da qual faz parte essa bela imagem abaixo que foi projetada no teto do local do evento.

quem dera ser um peixe - Ghuga tàvora - http://www.ima

Sobre o processo de criação desta imagem ele conta:

_ “Eu fotografei no Mercado Central de BH… Dai peguei aqueles filmes plásticos de embalar comida… criei um Rio com ele e as fotos suspensas nele…Super simples… e a Instalação custou R$ 8,00!!! . Tudo é POP UP! Já vem pronto! …[o título] vem da musica do Fagner. É mais rápido que o raciocinio.. um contato direto com a inspiração. O Happening foi todo produzido e ambientado pela produção deles… a galera Imaginauta de Belô! O blog é participativo e cooperativo…é a minha ideia de rede-criativo-produtiva.

Talento é pra quem tem e aproveita!!! O Ghuga tá pensando em fazer uma oficina de fotografia aqui em São Paulo e então, a gente avisa os interessados.

Confira tudo em http://www.imaginautasbelo.blogspot.com/

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Coração de água e madeira

Da Amazonia, Du Bois, nosso companheiro de aprendizagem tem mandado Cartas amazônicas.

Du Bois - gigante da amazonia

De madeira lilás ( ninguém me crê )
se fez meu coração. Espécie escassa
de cedro, pela cor e porque abriga
em seu âmago a morte que o ameaça.
Madeira dói?, pergunta quem me vê
os braços verdes, os olhos cheios de asas.
Por mim responde a luz do amanhecer
que recobre de escamas esmaltadas
as águas densas que me deram raça
e cantam nas raízes do meu ser.
No crepúsculo estou da ribanceira
entre as estrelas e o chão que me abençoa
as nervuras.
Já não faz mal que doa
meu bravo coração de água e madeira.

Thiago de Mello - O animal da floresta
Barreirinha, fim de 2000

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CINEBARIBE - Cinema Fluvial

Muito feliz, o Ghuga Távora nosso companheiro de Aprendizagem me contou hoje: - Aprovamos o CINEBARIBE na Lei Rouanet…! O CINEBARIBE foi um projeto criado por GHustavo Távora, que hoje em dia gera projetos em Artes Visuais e Educomunicação. A inspiração veio do desejo de atuar no despertar das Pessoas para a “Cosmovisão” fazendo com que as Pessoas se percebam parte da Natureza, e desta forma, ajude a preservação da mesma e de si. A partir da relação fotográfica das Pessoas com o MUNDO o projeto irá orientar os participantes do projeto para O Rio Capibaribe, ícone importantissimo da nossa Cultura e Patrimõnio Natural de Recife. O Projeto agrega artes visuais, educomunicação, ecologia e meio ambiente, produção artístico-cultural e mostra de artes - o auge será a projeção da produção audiovisual, a partir de um Catamarã que irá deslizar pelo Rio fazendo mostras para o “Público Marginal” , o nome da mostra será : “IMARGENS”.

Fui lá conferir esse projeto e fiquei encantada:

Cinebaribe - http://www.cinebaribe.blogspot.com/  Ghuga

“CINEBARIBE é um projeto completo que tem como objetivos específicos a inclusão social através da comunicação e aborda a comunicação como um direito humano. A proposta do projeto é trabalhar com desenvolvimento humano-social através de oficinas de fotografia criativa e vídeo experimental, a partir do pensamento da comunicação no século digital – a democratização da informação pela filosofia da Internet 2.0. O público específico são jovens e adolescentes que habitam comunidades ribeirinhas às margens do Rio Capibaribe.

O projeto CINEBARIBE foi desenvolvido dentro da filosofia do aprendizado transdisciplinar, portanto, é um projeto que lida com artes, comunicação e novas tecnologias.O projeto é baseado em 4 pilares básicos que são: Formação; Difusão; Inclusão e Registro Histórico. ”

No site está tudo muito bem explicadinho e se você tem algum projeto pessoal para desenvolver pode se beneficiar da qualidade e criatividade deste!!!

Ghuga e parceiros, a Companhia de Aprendizagem partilha desse sucesso e deseja vida próspera ao CINEBARIBE em tudo de bom e necessário que ele se propõe desenvolver.

TCris

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Pascal Galvani & Companhia de Aprendizagem

Pascal Galvani cita o encontro realizado com a Companhia de Aprendizagem, em 2005, em seu artigo Transdisciplinarité et écologisation d’une formation universitaire : une pratique critique à partir du paradigme de la complexité (Transdisciplinaridade e ecologização de uma formação universitária: uma prática crítica a partir do paradigma da complexidade), publicado na revista Éducation relative à l’environnement : Regards – Recherches – Réflexions (Educação relativa ao meio ambiente: Olhares – Pesquisas – Reflexões) - vol. 7 – 2008, dizendo:

“Por ocasião do II Congresso Mundial de Transdisciplinaridade, organizado em setembro de 2005 pelo CETRANS (Centro de Educação Transdisciplinar – São Paulo) em Vila-Velha/Vitória (Brasil), numerosos participantes expressaram a dificuldade de encontrar modelos operacionais para inventar práticas de formação e de pesquisa baseadas na abordagem transdisciplinar e na epistemologia da complexidade. Um grupo de pesquisa-ação do Cetrans organizou, então, uma mesa redonda sobre a metodologia reflexiva que eles haviam construído (Companhia de Aprendizagem, 2005) a partir dos trabalhos de Hélène Trocmé-Fabre (2004) e de minhas pesquisas”.

Galvani e H  l  ne   encontro com a Companhia 1 - Galvani e H  l  ne   encontro com a Companhia 1

Foi para nós uma alegria relembrar esse encontro, quando tivemos a oportunidade de dialogar com os autores que referenciaram o processo auto e co-formativo desenvolvido até então na Companhia, confirmando a pertinência da metodologia construída por nós. Pudemos também presentear os autores com exemplares da revista COMPANHIA, onde o resultado desse processo era apresentado, que é citada como referência no artigo de Galvani:

Companhia de aprendizagem. Revista COMPANHIA: um ateliê transdisciplinar. Embu das Artes (Brasil): Studium, 2005.

companhia de aprendizagem4 - companhia de aprendizagem4

Pascal Galvani é professor no Departamento de Ciências Humanas e Diretor do Programa de Mestrado em Estudo das Praticas Psicossociais da Universidade de Quebec em Rimouski - Canadá. Seus campos de pesquisa incluem as abordagens reflexivas, a pesquisa-ação-formação, a exploração fenomenológica e hermenêutica das experiências de formação, as démarches dialógicas de co-formação, assim como a educação e formação nas culturas ameríndias.

Hèlène Trocmé-Fabre é Doutora em Linguística e Doutora em Letras e Ciências Humanas. Autora de: J’apprends, donc je suis, Editions d’Organisation, 1987, poche 1994 ; Réinventer le métier d’apprendre, Editions d’Organisation, 1999 ; A Árvore do Saber- Aprender. Tradução Marly Segreto. São Paulo: TRIOM, 2004; Le langage du vivant, Editions Être et Connaître, 2004; Nascemos para Aprender. São Paulo: TRIOM, 2006.

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Diálogo com o Milenio - Uma pausa nas alturas…

Apresentamos aqui o Edson Struminski (Du Bois), companheiro de Aprendizagem quando se trata de Calvino. Ele é montanhista e traçou um paralelo entre a proposta de Exatidão de Calvino e o montanhismo, no seu artigo Escalando com Ítalo Calvino, parte 3 postado em Abril de 2009.

Fomos lá conferir, postamos um comentário e ele gentilmente nos retornou. Enquanto isso confira alguns trechos que ele escreveu:

“Calvino nos lança esta pergunta. Quem somos nós, quem é cada um de nós senão uma combinatória de experiências, de informações, de leituras, de imaginações? Ele nos lembra, finalmente, que cada vida é uma enciclopédia, uma biblioteca, um inventário de objetos, uma amostragem de estilos, onde tudo pode ser continuamente remexido e reordenado de todas as maneiras possíveis, por isto, para ele, escrever vale à pena.”

Contemplando  o Pico Paraná
Momentos de partilha que o montanhismo oferece…

“Gostaria de terminar esta minha análise do livro do escritor italiano Ítalo Calvino em que ele apresentou propostas para o novo milênio (1), imaginando que se houver um leitor, mesmo que somente um entre os tantos que passam por este blog diariamente, que eventualmente se torne uma pessoa interessada nas propostas de Calvino para aperfeiçoar a literatura e que enxergue nestas propostas uma estranha, ainda que possível fonte de diálogo com o montanhismo (e com possibilidade de aperfeiçoá-lo), então estes textos terão valido a pena ser escritos.”

Valeu, Edson!

Conheça na íntegra o artigo acessando o link.

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Diálogo com o Milênio - Convite

Estamos convidando você para um novo diálogo com seu próprio processo de Autoformação - onde aprendemos conosco, com os outros e com o entorno. Todos juntos em contínua co-formação! Ser…conviver…interagir…transformar…vir a ser.

Desta vez focando Italo Calvino e sua obra póstuma ” Seis propostas para o próximo milênio”, trabalho a que o autor referia-se como Lições americanas, e que acabou por transformar-se em subtítulo da publicação póstuma.

www.gef.free.fr/pinacograms.html - Calvino

Convidado pela Universidade de Harvard, em 1984, para oferecer um ciclo de seis conferências, faleceu em 1985, em Siena, na Itália. Deixou prontos os textos das cinco primeiras: e a que seria a última, Consistência, Calvino havia deixado para preparar em Harvard. Ficou o legado literário de uma dos maiores escritores do século XX, uma referência nos caminhos da literatura do terceiro milênio.

Não é um diálogo de especialistas em literatura, mas de leitores de sua própria arte & vida, como cada um de nós:

“Em meio a cada vez mais aguda crise contemporânea da linguagem, o grande escritor italiano identifica a seis qualidades que apenas a literatura pode salvar – Leveza, Rapidez, Exatidão, Visibilidade, Multiplicidade, Consistência - , virtudes a nortear não apenas as atividades dos escritores, mas cada um dos gestos de nossa existência.” (contracapa da obra: CALVINO, Ítalo – Seis propostas para o próximo milênio. São Paulo: Companhia das Letras, 1990.).

Obras diversas de Calvino ou de outros autores de qualquer área do conhecimento poderão compor e enriquecer esse painel reflexivo sobre a vida no milênio em que vivemos.

Sejam todos bem-vindos, companheiros de Aprendizagem!

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