Arquivo da categoria ‘Companheiros de Aprendizagem’
COMUNIDADE DE DESTINO - você conhece?
Pois é…
A Helô, uma das participantes da Companhia de Aprendizagem, nos enviou uma entrevista do Prof. Humberto Mariotti publicada na revista Página 22.
Ele fala sobre sustentabilidade - interna e externa – porque sem uma não há a outra.
Da leitura, ela inferiu que a Companhia de Aprendizagem também pode ser caracterizada como uma Comunidade de Destino:
• (…) Um lugar sem mais espaço para narrativas unilaterais. As decisões nascem de um sistema horizontal e coparticipativo – aquilo que Morin designa “comunidade de destino”.
• (…) as narrativas hoje são pulverizadas para fazer com que as pessoas se reúnam para conversar e decidir seus próprios destinos. É o que o Edgar Morin chama de “comunidade de destino”. Agora nós temos que inventar narrativas de coparticipação.
• (…) Gandhi dizia que, quando a auto-organização se torna patente, não precisa mais de liderança, porque a liderança se torna disseminada. O poder se torna difuso quando a causa é compartilhada.

Neste contexto, nós também nos reconhecemos como uma comunidade de destino, pois buscamos a vivência desta práxis formativa de convivência, por meio da mediação e acompanhamento dos processos de AUTOFORMAÇÃO EM CO-FORMAÇÃO que integram os procedimentos da Companhia de Aprendizagem, tendo em vista :
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Legitimação do sujeito e do lugar de onde ele fala (diferentes níveis de realidade, de percepção e de consciência);
Escuta sensível e Registro;
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Exploração intersubjetiva do sentido da experiência vivida e entrecruzamento dos saberes (formal, experiencial e sensível);
Busca do sentido como significação, orientação e sensibilidade;
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Retorno reflexivo sobre a experiência;
Transito pelo simbólico e pelas diferentes linguagens: do eu e do nós (individual e coletivo internos) e do isto (individual e coletivo externos);
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Itinerância: nos diferentes espaços/tempos;
Alternância: dos saberes, das temporalidades, dos tipos de interação;
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Utilização de instrumentos heurísticos.
Logo mais, você vai conhecer um pouco mais da proposta, trajeto e projetos da Companhia de Aprendizagem, no QUEM SOMOS aqui do blog.
Aguarde!!!
Sem comentários »Ecos do Encontro O PONTO DE MUTAÇÃO 3
Minha hospitalidade

Seja hospitaleiro.
Quando o forasteiro farto de caminho ponha em teu povoado seu olhar como um corpo sobre os pelegos do recado estendido no campo, espera-o mais além do umbral de tua casa plana e fresca e oferece-lhe tua mão como um pregosto de abrigo.
Porque és senhor de tua casa, trata-o tal como se fosse amo.
Não perguntes quem é.
Talvez em seus braços pese um mal feito, mais difícil de levar pela vida que as arrastadas nazarenas pela varrida terra de teu pátio em que vão fincando sua coroa de espinhos.
Talvez um orgulho demasiadamente grande alargue sua frente sob o chambergo* cuja aba pretenciosa vem desprezando o ar que cria ao seu passo.
Senta-o junto ao fogão, coração de fogo de tua morada tranquila, e dá-lhe um banco forte em que assentar sua fadiga.
Aproxima umas brasas de seus pés para que sequem o barro de suas botas e o calor suba até seus lábios em confiança de confidência.
Deixa-o falar e consinta com tua cortesia suas palavras.
E quando o sono enevoe de vazio seus olhos, então da-lhe teu leito e vigie seu repouso estendido sobre teus pelegos.
Quando se for embora levará consigo o presente de tua irmandade que melhora o homem.
* Chapéu de abas largas.
Ricardo Güiraldes (1886 – 1927)
Poeta, novelista e contista argentino
Tradução livre: Adriana Caccuri
Imagens:
http://www.cervantesvirtual.com/servlet/SirveObras/acadLetArg/
http://www.patrimoniosf.gov.ar/browse/db/2/id/16994/page/1/
Adriana Caccuri
1 comentário »Ecos do Encontro O PONTO DE MUTAÇÃO 2

De onde viemos?
Para trás: revendo as marcas deixadas no caminho… o mapa da navegação… deixando o lastro e incorporando o rastro que ainda faz sentido… Caleuche, o barco mítico, aparece e desaparece… não somos mais as mesmas… estamos em outro lugar…
Como e onde estamos hoje?
Faire le point: assinalar as coordenadas, a localização atual… Ser no aqui e agora… presença em si na partilha… atentas… amantes… pacientes… os diferentes pontos de vista iluminam os pontos cegos… pontos de fuga se anunciam… transição… mutação… novas rotas… novos sentidos…
Para aonde vamos?
Para adiante segue o caminho… é favorável ter aonde ir… quanto mais caminhamos, mais retornamos… às nossas origens… Paradoxo…!
Uma contribuição…
Nostalgia (Nostalghia, 1983)
Direção: Andrei Tarkovsky (1932-1986)
Roteiro: Andrei Tarkovsky, Tonino Guerra
Origem: Itália/Rússia
Sinopse: Jornada mística do poeta russo Andrei Gorchakov à Itália em busca de um novo modo de vida. Depois de 3 meses, viajando em companhia de Eugenia, uma atriz italiana, chegam a um pequeno vilarejo ao norte da Itália. Frustrado e deprimido por ainda não ter encontrado seu caminho, Gorchakov mergulha em seu passado, isolando-se em impenetrável silêncio. Mas ao encontrar Domenico, um velho lunático, assim chamado por seu estranho e solitário modo de viver, ele consegue compreender sua angústia e o segredo de sua própria Nostalgia.
Leiam os comentários sobre este trecho do filme.
Marly Segreto
6 comentários »AGENDA 2010 - Ecos do Encontro O PONTO DE MUTAÇAO
AGENDA 2010

…Para adiante e para trás segue o caminho…
Ponto de mutação
Ponto de (em) questão - Janeiro
Revisitação dos registros do processo de construção Companhia de Aprendizagem – Triagem- Encaminhamentos- Descarte
Ponto de transição - Fevereiro
Site da Companhia de Aprendizagem: Finalizar o site temporariamente; Encaminhar registros para o site do CETRANS; Manter o blog.
Ponto de mutação
Ponto de sustentação - Março
Participação no II Encontro de Membros do CETRANS - 12 a 14 de março
Ponto de contato - 2010
Ciclo de Estudos internos sobre Paradoxo
Ponto de mutação
Ponto de encontro - Abril, Julho e Setembro
Encontros bimestrais da Companhia de Aprendizagem
Ponto de transformação - 2010
Finalização do projeto Livro N-1
Companhia de Aprendizagem 2010
Sampa, 22 a 24 de janeiro
Encontro da Coordenação - O Ponto de Mutação
TCris
Sem comentários »Ecos do Encontro O PONTO DE MUTAÇÃO 1

Ponto de mutação
Ponto de contato
Ponto de sustentação
Ponto de mutação
Ponto de encontro
Ponto de questão
Ponto de mutação
Ponto de transição
Ponto de transformação
Monica O. Simons
3 comentários »O PONTO DE MUTAÇÃO

24 FU - RETORNO (o ponto de transição, de mutação)
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Retorno. Sucesso.
Saída e entrada sem erro.
Amigos chegam sem culpa.
Para adiante e para trás segue o caminho.
Ao sétimo dia vem o retorno.
É favorável ter aonde ir.
… O movimento é natural e surge espontaneamente. Por isso a transformação do antigo também se torna fácil. O velho é descartado e o novo introduzido. Ambos os movimentos estão de acordo com as exigências do tempo…
Formam-se associações de pessoas que têm os mesmos ideais. Como tal grupo se une em público e está em harmonia com o tempo, os propósitos particulares e egoístas estão ausentes…
A idéia de retorno baseia-se no curso da natureza. O movimento é cíclico e o caminho se completa em si mesmo. Por isso não é necessário precipitá-lo artificialmente. Tudo vem de modo espontâneo e no tempo devido.
Esse é o sentido do céu e da terra *.
* Wilhelm, Richard. I Ching – O livro das mutações. São Paulo: Pensamento, 1983, p. 91-92.
Este será o tema do encontro da Coordenação da Companhia de Aprendizagem que será realizado nos dias 22, 23 e 24 de janeiro em Embu das Artes - SP.
1 comentário »Vivendo e aprendendo - histórias rarefeitas
Nosso amigo Dubois escreveu cinco ensaios sobre a coragem a partir de sua experiencia como montanhista/alpinista. Transcrevo abaixo uma releitura que fiz como comentário à sua criação.

Coragem em cinco Movimentos ou ensaios que descrevem nosso processo Autoformativo pela vida afora…
O que aprendemos conosco mesmos - “autos”-formação
Primeiro Movimento
(…) “A coragem foi superar o cansaço e tomar a decisão certa.”
Segundo Movimento
(…) “A coragem foi então, como uma confiança laçada em cima do vazio, meu primeiro solo, um prêmio para uma brincadeira sobre um erro tolo, que felizmente deu certo.”
Terceiro Movimento
(…) “O dia amanheceu, um dia de escalada como muitos outros que viriam na minha vida. Os fantasmas tinham desaparecido.A coragem voltou para mim quando descobri que o respeito pela montanha e por mim mesmo era o antídoto que me fortalecia contra o pavor que eu sentia.”
Retorno reflexivo sobre as experiências vividas
(…) “Estou concentrado e compenetrado no que vou fazer, não é uma brincadeira, uma improvisação. Não sinto fome, ou frio, ou cansaço. Estou onde quero estar, não penso em fugir, em fazer o caminho mais fácil. Estou apenas fazendo uma escalada digna do lugar e digna de mim, sem aplauso, sem plateia. Às vezes é necessário coragem para isto também: apenas ser digno de si mesmo.”
O que aprendemos com os outros (hetero-formação)
Quarto Movimento
(…) “Levariam muitos anos para eu entender aquele homem, sua resignação aparente, sua fortaleza (como diria Euclides da Cunha), sua coragem, apesar de tudo, da dor, da tristeza, de lutar e resistir naquele mundo que para mim era tão inóspito, mas que para ele era seu mundo e nele era um homem verdadeiro, digno, onde cabia até mesmo a solidariedade e a generosidade com pessoas estranhas como nós. Apenas um sertanejo perdido em aos pés de uma montanha da Bahia, mas de quem eu nunca consegui esquecer a coragem.”
O que aprendemos com o ambiente - eco-formação
Quinto movimento
(…) “Nestas horas eu lembro de pessoas que conheci e que realmente admiro pela coragem: médicos plantonistas, bombeiros, catadores de lixo, aquela família de agricultores que perdeu tudo em um destes planos econômicos desastrosos e que estava lá, acampada, apenas querendo começar de novo, o líder da comunidade de pescadores de Ararapira, o sertanejo no fundão da Bahia, aquela senhora que decidiu que a quimioterapia não ia ser o fim da vida dela. Daí eu percebo como somos privilegiados, pois podemos nos dar ao luxo de sermos corajosos na montanha, apenas porque queremos e não porque necessitamos.”
Conheça na íntegra os textos de Dubois sobre escalada e coragem.
Gratidão pela partilha.
Fraterno abraço,
TCris
Sem comentários »Ao Xiquinho nossa sincera homenagem

Eukiko, um personagem humorístico concebido, mas nunca desenhado, foi nele inspirado. “Eukiko, e eu com isso… o que faço com isso”, ele dizia, deixando clara a necessidade de um engajamento pessoal em tudo que se faz e de fazer algo com o que é aprendido: saber-ser e saber-fazer entrelaçados.
Aos poucos, fomos nos habituando com sua outra lógica que, muitas vezes, pedia uma interlocução: _ “A Marly pode explicar melhor o que estou querendo dizer…”, ele solicitava. Era preciso tentar acompanhá-lo pelo intrincado labirinto de idéias e pensamentos: “Quando eu vou dormir digo que eu quero parar de pensar e quando acordo já tenho outra idéia”. E íamos percebendo que por trás daquele aparente caos havia uma ordem composta de uma grande afetividade, de um olhar sensível dirigido aos outros e do desejo de compartilhar o que tinha aprendido com todos que encontrava em seu caminho…
São tantas as boas lembranças que temos dele! Sua chegada inesperada no II Congresso Mundial de Transdisciplinaridade, em Vila Velha, onde, à luz da janela que dava para o mar, brotou o desejo de fazer o mestrado com Pascal Galvani (chegou a fazer o esboço do projeto). A sua dedicação e entrega à HOLOS 21, na qual ele acreditava. O trabalho de ecoprofissionalização e formação de jovens, sempre apostando no potencial que via neles. O velho carro que vivia encrencado, mas que subiu a Serra da Cantareira sem poder engatar a 1ª. O Conselho de Transdisciplinaridade da Holos que ele queria criar, numa tarde fresca no sítio Borboleta Azul de Mairiporã. E, mais recentemente, a descoberta de ser avô… Pedaços de vida que partilhamos com essa alma antiga de coração jovem.
E como foram ricos, contundentes e amorosos esses encontros! Com ele, nunca se sabia quando seria o próximo, e nem o último. Agora sabemos! Mas ele se foi como sempre esteve – não tinha hora de chegada e nem de partida, mas sempre estava. E continuará estando. Para nossa alegria!
“Parar não existe. Tudo está em movimento… precisamos estabelecer uma dinâmica para a dinâmica da morte. Estar ao seu lado”, dizia ele em 2005.
Tudo isso relembra a nossa impermanência… Há uma urgência no tempo que nos passa despercebida, mas não impune. Há um tempo que é o nosso e passa. Há o tempo que não nos pertence, no qual estamos e que também passa – o tempo do não-dito, do não-realizado, como diz poeticamente Guimarães Rosa.
Há tantas coisas que querem ouvir de nós e não dizemos; tantas outras que queremos dizer e não nos ouvem. Em que grupo estamos? Em que tempo vivemos? No tempo da presença, do estar inteiro no que se faz, do estar disponível para o necessário? Ou no tempo do desperdício no supérfluo, da reclusão dos pequenos interesses, das fobias pessoais e arbitrárias, da arrogância limitadora do egocentrismo?
Qualquer que seja esse tempo, vivemos no fio da navalha… A diferença será para que lado penderemos no final.
Sem ser absoluto… talvez o Xiquinho tenha nos ajudado a intuir possíveis nuances do melhor lado…
Obrigada amigo!
COMPANHIA DE APRENDIZAGEM
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