De origem africana, Burkina Faso, e filho do griot e ator Sotigui Kouyaté (que atuou no filme Mahabharata de Peter Broock), a aprendizagem de Hassane Kassi Kouyaté foi permeada pela tradição griot. Contadores de histórias, os griots são considerados “senhores da palavra” e responsáveis pela transmissão da genealogia do continente africano para o povo. Ainda hoje eles atuam no equilíbrio da sociedade, são mediadores entre famílias e casais e com a palavra vivem de louvores que endereçam aos poderosos, das narrações históricas que declamam nas festas, dos contos morais que contam ou cantam por ocasião das cerimônias em que participam ou dos serviços que oferecem quando intervêm em conflitos.
Contador de histórias, ator, músico, dançarino e diretor de teatro, Kouyaté atuou em várias companhias africanas e tem atuado em vários teatros europeus, como diretor de companhias, ator de seus projetos e como convidado. Atualmente, é diretor artístico da companhia Dois Tempos Três Movimentos, em Paris. Seu propósito não é perpetuar de maneira tradicional a herança recebida. O que ele mantém do griot é a essência da função, a arte do gesto, a maestria do tempo.
Numa entrevista, respondendo se considera ter também uma missão de griot, ele disse: “Sim, modestamente. É difícil que o pássaro voe e seus filhotes rastejem. É como se a gente tivesse essa vocação nos genes. Nós sempre estivemos numa família empreendedora. Eu não sei se poderia viver sem realizar ações que pudessem fazer as coisas avançarem. Eu seria apenas uma concha vazia se não me engajasse. Tenho a necessidade de me sentir útil, e faço isso por mim também”.
Hassane Kouyaté trabalha essencialmente sobre o conto: espetáculo, adaptação, estágios, animação de ateliers. Partilha sua vida entre Paris e Bobo Dioulasso, em Burkina Faso, onde dirige a Casa da Palavra: Centro Regional das Artes da Narrativa e da Literatura Oral. Baseado na tradição africana, seu trabalho foi enriquecido com a experiência européia.
Ele criou a associação Tama Evénements, que produz e organiza eventos culturais e artísticos em colaboração com as municipalidades, festivais, coletividades, empresas, associações e artistas.
Do dia 17 a 21 de maio, Hassane conduz uma oficina no SESC Ipiranga (destinada a atores com experiência comprovada), explorando práticas coletivas e individuais em trabalho com o Rei Lear, de Shakespeare. Nesses encontros, vai lidar com a arte de narrar e com o aprofundamento da escuta, das relações entre tempo, ritmo e palavra, corpo e palavra, cena e público.
No dia 18 de maio acontece o Encontro com o griot, com abordagem sobre tradição e a vida em Paris e em Bobo Dioulasso, no Burkina Faso.
No dia 22 de maio é a vez do griot demonstrar a arte da narrativa em espetáculos. Os encontros, com tradução consecutiva, são gratuitos, mas a retirada de ingressos deveria ter sido feita até o dia 10/5. Podem já estar esgotados. Talvez a gente ainda consiga, não é? Vamos tentar…
O SESC Ipiranga fica na R. Bom Pastor, 822- tel.: (11) 3340-2000 – São Paulo – SP
Foto obtida em http://www.sescsp.org.br/sesc/revistas/subindex.cfm?ParamEnd=1&IDCategoria=7053