Fonte: www.saobernardo.sp.gov.br/secretarias/sec/cul…
“Para mim, o caminho do Mistério passa pelo Real. Vem daí, quero crer, o imperativo do circunstancial em meu trabalho, empenhado sempre no delineamento de situações humanas, sejam elas triviais feito as do cotidiano, ou mais visivelmente solenes como Amor, Nascimento e Morte. Do contato com o circunstancial nasce-me, enfim, o impulso de trabalhar: o desejo de dar forma a visões, estados de alma, inquietudes geradas pela constatação de que o Real existe.” Antonio Vitor
http://www.dangaleria.com.br/exposicao/expovitor/realidade.htm

Na minha pesquisa sobre Antonio Vitor, após ter assistido um documentário sobre ele na TV Cultura, dentre tantas telas instigantes, capturei esta tela do Pavilhão desativado, porque como o próprio pintor, ela pareceu representar para mim um estado de alma inquieto, quando eu refletia sobre os rumos da continuidade do projeto Ponto de Apoio, desenvolvido com os funcionários e crianças da Casa Transitória de Itapeva.
A Casa Transitória, embora não tenha esta aparência no nível concreto, onde ela é bem mais ordenada, neste momento – com o vaivém de funcionários que se deslocam em função de um concurso público e simultaneamente com todo procedimento judicial atual que realiza uma revisão dos casos para um futuro (e benéfico ) re-encaminhamento das crianças às famílias ou para agilizar a adoção – me pareceu este pavilhão em desconstrução.
A tela de Antonio Vitor corporificou este trânsito. E agora? O que observar na tela/processo? O que foi desconstruído ou os elementos vivos, que na tela nos chamam à um possível recomeço? A presença contínua do paradoxo na emergência da realidade.
Uma possibilidade de sentido orientador apareceu no texto de Lavelle CONHECIMENTO DE SI E DO OUTRO , postado pela Marly, que então me apareceu como uma expressão do Terceiro incluído diante da minha interação tríplice: meu processo decisório pessoal/ tela do Pavilhão desativado/realidade concreta da Casa Transitória em transformação.
“Eu experimento em mim, indefinidamente, a presença de uma potência que ainda não foi empregada, de uma esperança que ainda não foi frustrada. Um outro somente observa em mim o ser que eu posso mostrar, e eu, o ser que não mostrarei jamais. Inversamente ao que ele faz, eu tenho sempre os olhos fixados sobre o que eu não sou, bem mais do que sobre o que eu sou, sobre o meu ideal mais do que sobre meu estado, sobre a realização de meus desejos mais do que sobre a distância que me separa deles.
O mal-entendido que reina entre os homens provém sempre da perspectiva diferente pela qual cada um se vê e vê o outro. Pois cada um só vê em si mesmo as suas potencialidades e só vê no outro as suas ações. E o crédito que dá a si mesmo, recusa ao outro. Uma afinidade começa a uni-los a partir do momento em que ambos, ultrapassando o que podem mostrar, entram nessa confiança mútua, que já é uma muda cooperação. “
Uma fecunda reflexão que cria um agenciamento (como gosta Deleuze) e deste novo platô, um inusitado olhar como perspectiva de ação e cooperação. Um exercício consciente e laborioso de Fraternidade.
Obrigada pelo presente do texto, Marly. A Companhia em co-formação prossegue…
Abraços a todos
TCris
Olá TCris. Meu nome é Marcelo Camera. Eu sou o documentarista que acompanhou o Antonio Vitor. Ele faleceu no começo do ano. Fiquei feliz em encontrar seu blog. Obrigado pela lembrança.
Marcelo