Date: 2010.06.24 | Category: Oficina Ponto de Apoio, Projetos 2010 | Tags:

No 4o. encontro da Oficina Ponto de Apoio, realizado no mês de junho para as turmas A e B, nossa convidada Luzia Proença, psicóloga, participante da Comunidade de Estudos de Itapeva e de projetos anteriores, escolheu como tema de sua palestra O Caminho dos Relacionamentos.

Com a turma A, além da palestra, fizemos uma reflexão sobre a música A Lista, de Osvaldo Montenegro – http://www.youtube.com/watch?v=aV99ypbCidw – o que nos rendeu ricas percepções; estamos preparando um vídeo com o depoimento dos participantes.

Na turma B tivemos a oportunidade de fazer uma reflexão a partir do texto Consideração – você sabe o que é isso? que suscitou importantes descobertas sobre a diversidade de relacionamentos que perpassam nossa vida e o quanto somos frutos dessas interações. Dos diferentes trechos do texto escolhidos por muitas pessoas como significativos, emergiu a problemática do contexto profissional, não só em relação ao funcionamento da equipe dos funcionários, mas também em relação a como as crianças e adolescentes são percebidas e entendidas por eles.

Deste diálogo emergiram algumas dicas vistas por alguns como orientadoras de uma possível ação:

- “Então, a consideração é demonstrada nas atitudes. A atitude de entender, de contextualizar, de ouvir, de falar, de avaliar, de investigar e de perceber que as pessoas estão juntas nas ações; isto é consideração.”

- “Nunca se esqueça que você também tem de fazer a sua parte. Muito fácil esperar dos outros, mas na verdade o que importa é você ter consideração pelos outros, assim o caminho da reciprocidade se abre a sua frente. ”

- “Mas o melhor a saber é que algumas decisões são tão importantes no processo de crescimento que podem significar sofrer ou crescer.”

Percebo que , gradualmente, nossa dinâmica interativa vai se caracterizando como formativa:

_ os participantes começam a perceber que o que é dito pelo Outro (s) tem um potencial de informação, de sentido e conexão com a realidade e as situações vivenciados por cada um e que portanto, pode re-orientar suas ações;

_ o espírito de equipe que antes apareceu como uma carência existente no grupo, agora começa a ser reinvindicado como condição necessária para transformar e mellhorar a ação de cada um;

_ o espaço de revelação de conflitos pessoais no ambiente de trabalho tem sido mantido e respeitado por todos na escuta; isso parece estabelecer parâmetros de compreensão mútua; foi interessante a descoberta semântica da palavra reciprocidade surgida no grupo B como alguma coisa nova para muitos e que expressava a compreensão de um sentimento emergente do contexto.


“A informação é simplesmente o que dá forma ao sentido que emerge de nossas interações com o meio ambiente, com nós mesmos e com os outros; a informação não é uma entidade exterior a nós mesmos, ela não existe por si mesma. O conhecimento estrutura-se e reestrutura-se a cada interação, interna e externa. Aprender não consiste em acrescentar novos conhecimentos, mas em reorganizar o que já foi compreendido.

milton da costa


(…) A verdadeira crise que o mundo atravessa hoje é uma crise de percepção, e é essa mesma crise que a nossa linguagem cotidiana traduz e consolida quando nos impede de entrar em relação profunda com o vivente. Por isso, só temos a ganhar nos questionando sobre a realidade e as exigências do vivente.”

(A linguagem do Vivente – uma voz, uma via adormecida? – Hélène Trocme-Fabre. São Paulo:TRIOM, 2009. p.35-36 )

TCris

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