Arquivo de Junho de 2010
OFICINA PONTO DE APOIO - O Caminho dos Relacionamentos
No 4o. encontro da Oficina Ponto de Apoio, realizado no mês de junho para as turmas A e B, nossa convidada Luzia Proença, psicóloga, participante da Comunidade de Estudos de Itapeva e de projetos anteriores, escolheu como tema de sua palestra O Caminho dos Relacionamentos.
Com a turma A, além da palestra, fizemos uma reflexão sobre a música A Lista, de Osvaldo Montenegro - http://www.youtube.com/watch?v=aV99ypbCidw - o que nos rendeu ricas percepções; estamos preparando um vídeo com o depoimento dos participantes.
Na turma B tivemos a oportunidade de fazer uma reflexão a partir do texto Consideração - você sabe o que é isso? que suscitou importantes descobertas sobre a diversidade de relacionamentos que perpassam nossa vida e o quanto somos frutos dessas interações. Dos diferentes trechos do texto escolhidos por muitas pessoas como significativos, emergiu a problemática do contexto profissional, não só em relação ao funcionamento da equipe dos funcionários, mas também em relação a como as crianças e adolescentes são percebidas e entendidas por eles.
Deste diálogo emergiram algumas dicas vistas por alguns como orientadoras de uma possível ação:
- “Então, a consideração é demonstrada nas atitudes. A atitude de entender, de contextualizar, de ouvir, de falar, de avaliar, de investigar e de perceber que as pessoas estão juntas nas ações; isto é consideração.”
- “Nunca se esqueça que você também tem de fazer a sua parte. Muito fácil esperar dos outros, mas na verdade o que importa é você ter consideração pelos outros, assim o caminho da reciprocidade se abre a sua frente. ”
- “Mas o melhor a saber é que algumas decisões são tão importantes no processo de crescimento que podem significar sofrer ou crescer.”
Percebo que , gradualmente, nossa dinâmica interativa vai se caracterizando como formativa:
_ os participantes começam a perceber que o que é dito pelo Outro (s) tem um potencial de informação, de sentido e conexão com a realidade e as situações vivenciados por cada um e que portanto, pode re-orientar suas ações;
_ o espírito de equipe que antes apareceu como uma carência existente no grupo, agora começa a ser reinvindicado como condição necessária para transformar e mellhorar a ação de cada um;
_ o espaço de revelação de conflitos pessoais no ambiente de trabalho tem sido mantido e respeitado por todos na escuta; isso parece estabelecer parâmetros de compreensão mútua; foi interessante a descoberta semântica da palavra reciprocidade surgida no grupo B como alguma coisa nova para muitos e que expressava a compreensão de um sentimento emergente do contexto.
“A informação é simplesmente o que dá forma ao sentido que emerge de nossas interações com o meio ambiente, com nós mesmos e com os outros; a informação não é uma entidade exterior a nós mesmos, ela não existe por si mesma. O conhecimento estrutura-se e reestrutura-se a cada interação, interna e externa. Aprender não consiste em acrescentar novos conhecimentos, mas em reorganizar o que já foi compreendido.
(…) A verdadeira crise que o mundo atravessa hoje é uma crise de percepção, e é essa mesma crise que a nossa linguagem cotidiana traduz e consolida quando nos impede de entrar em relação profunda com o vivente. Por isso, só temos a ganhar nos questionando sobre a realidade e as exigências do vivente.”
(A linguagem do Vivente – uma voz, uma via adormecida? - Hélène Trocme-Fabre. São Paulo:TRIOM, 2009. p.35-36 )
TCris
Sem comentários »UBUNTU - o transcultural e a Copa do Mundo
Em clima de Copa do Mundo, partilho aqui um link que me foi enviado pela Vera Laporta, muito interessante, sobre o universo linguístico, simbólico, além de outras dimensões da realidade externa e aparentemente concreta.
Trata-se principalmente de resgatar o contexto filosófico-linguístico de onde surge a expressão Ubuntu, agora se popularizando na mídia, em função da Copa do Mundo na Africa do Sul.

(,,,) “Para melhor compreensão do Nommo na cultura Bantu, podemos acrescentar os conceitos de totalidade e de Ubuntu das línguas Bantu (FOSTER, 2006), (NGOENHA, 2006). A noção de totalidade é uma importante no mundo bantu. A totalidade de toda a existência seja material, espiritual e humana. A totalidade é um aspecto preponderante do cosmo. A totalidade pode ser descoberta em todas as esferas da visão de mundo das sociedades bantu. Na criação do universo o criador fez como que tudo que existe tivesse uma relação, esta relação possui uma dinâmica de transformação, podendo ser alterada pelos Muntu, visíveis e invisíveis. A noção de totalidade é semelhante a noção de sistema na matemática atual ocidental, onde seria um conjunto completo de tudo que existe e das relações passiveis entre eles. O criador realizou a criação ou continua realizado tendo como fator importante a harmonia e o equilíbrio. Entretanto a harmonia e equilíbrio são variáveis, existe a necessidade de atos dos Bantu (pessoas visíveis e invisíveis) para preservação ou constante restabelecimento da harmonia e do equilíbrio.
Na sociedade o Ubuntu representa a existência respeitosa e equilibrada entre os seres da natureza. No Ubuntu repousa a comunidade e suas relações sócias baseadas na tradição, na ética social e no reconhecimento de todos como indispensáveis. A identidade e a personalidade dos indivíduos é parte do Ubuntu. Este Ubuntu é a aplicação do conceituo de totalidade as relações humanas e as sociedades existentes. O Nommo tem haver com a preservação da harmonia.
1- Dado o preâmbulo da forma terminamos aqui como começamos.
Na raiz filosófica africana denominada de Bantu, o termo NTU designa a parte essencial de tudo que existe e tudo que nos é dado a conhecer à existência. O Muntu é a pessoa, constituída pelo corpo, mente, cultura e principalmente, pela palavra. A palavra com um fio condutor da sua própria história, do seu próprio conhecimento da existência. A população, a comunidade é expressa pela palavra Bantu. A comunidade é histórica, é uma reunião de palavras, como suas existências. No Ubuntu, temos a existência definida pela existência de outras existências. Eu, nós, existimos porque você e os outros existem; tem um sentido colaborativo da existência humana. Neste texto demos uma possibilidade de introdução a cultura e a filosofia das sociedades Bantu. “
Confira o artigo NTU de Henrique Cunha Júnior
Abraços
TCris
Bambu em foco - as artes de Eliseu Pinheiro Lopes
Pois é!
Hoje recebi um link do Eliseu Pinheiro Lopes , administrador da Fazenda dos Bambus, em Pardinho - SP , que já apresentamos aqui no blog por ocasião do II Encontro de Membros do CETRANS.
Visitei o link www.panoramio.com/user/949449 e me deparei com uma riquíssima coleção de fotos que registram uma diversidade de atividades desenvolvidas por lá, também no Centro Cultural Max Feffer, de Pardinho. E como estamos na semana do Meio Ambiente, divulga-lo pode vir a ser de auxilio para quem está interagindo de forma equilibrada e saudável com o Meio Ambiente.
A seção de Artesanato é um primor! e aproveito para divulgar foto da Libelula (feita de bambu) , com que fui agraciada no sorteio quando estive por lá.

Vejam só os temas registrados nas fotos (todas legendadas): Araçuaí, Artesanato, Artesanato em Palha de Milho, Artesanato em Taboa , Centro de Cultura Max Feffer , Chapada do Lagoão , Controle de Erosão na Fazenda dos Bambus, Curso de Compostagem e Minhocultura , Eliseu Pinheiro Lopes , Fazenda dos Bambus , Horta Mandala , Horta orgânica , Jequitinhonha , Minas Gerais, Orgânicos , Pardinho , Primeiro Seminário do Bambu , Violão de Bambu .
Vale a pena conhecer um pouco mais sobre o Bambu - esta planta que está virando sinônimo de sustentabilidade, e pessoas com o talento e sensibilidade para aproveita-lo!
TCris
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