Ontem aconteceu o terceiro encontro da turma B da Oficina Ponto de Apoio.
No trânsito entre as pessoas novas que estão chegando e a saída de alguns em função da realização de novo concurso público municipal, retomamos a origem, propósito e dinâmica do projeto, o que foi muito bom para que todos pudéssemos nos apropriar da nossa trajetória.
O diálogo já acontece de uma forma mais espontânea e ritmada e começam a surgir os “nós” que permeiam o funcionamento da equipe de trabalho. Desta turma faz parte a diretora da Casa Transitória que já pode inferir alguns pontos a serem trabalhados na sua gestão; conversamos um pouco sobre isso. Também participou pela primeira vez o Lucas, psicólogo recém-chegado que vai assumir o trabalho na Casa (veio das bandas da Paraíba e traz uma experiência de lá em locais similares); sua contribuição ontem foi importante na pontuação de alguns tópicos que emergiram, o que “movimentou” especialmente o encontro.
Na dinâmica, surgiram alguns pontos fundamentais trazidos pelos participantes/ funcionários:
– A necessidade de todos falarem “a mesma língua” – traduzida em discurso e atitude.
– Um conflito entre dois funcionários que pode ser explicitado e de onde surgiu a perspectiva mais ampla de que há ruídos na forma como a comunicação acontece entre os funcionários (o que é bem comum onde há muitas pessoas que trabalham em turnos diferentes e pode ser melhorado) resignificando a questão.
– A percepção de que pontos que aparentemente são vistos como divergentes podem ser revistos como complementares;
– Vivenciamos e falamos sobre o processo da escuta do outro, do tempo de absorção do que se aprendeu e da elaboração interna para nova devolutiva externa – este foi um exercício que o grupo reconheceu que temos vivenciado nos nossos encontros.
– Na apresentação de uma dupla apresentando sua reflexão surgiu a idéia de formarmos grupos de escuta com as crianças.
E assim vamos caminhando e bem, eu diria, porque o que nos une é apenas a boa-vontade e o propósito de nos melhorarmos. Sempre me emociono em participar deste processo onde um corpus vai se configurando a partir de um modus operandi e o processo começa a caminhar por si mesmo. Tenho a perspectiva (tomara!) de que em algum momento deste processo possamos nos reconhecer nas leis do vivente propostas por Helene Trocmé-Fabre:
“O vivente está em devir, ou seja, está sempre atento em manter e atualizar o seu potencial, ligando-se ao mundo que o cerca.
- Descobrindo toda complexidade deste mundo.
- Organizando o que vê, ouve e percebe.
- Dando sentido ao que lhe acontece.
- Aprendendo a escolher, assim aprendendo a renunciar,
- e portanto, a decidir.
- Criando, assim inovando.
- Recebendo e dando, assim entrando em reciprocidade.
- Comunicando (no sentido etimológico da palavra) torna-se parceiro.”
Abraços a todos
TCris

Só pra não esquecermos:
“Daí a importância de reconhecermos que os processos de aprendizagem, de desenvolvimento e de evolução são expressões de processos de autotransformação e de autotranscendência. Pois os seres vivos trazem em si, potencialmente, a capacidade de superar a si mesmos, criando novas estruturas, novos comportamentos, novas formas de interagir. E é justamente essa auto-superação criativa em busca do novo que, em seu devido tempo, leva a um desdobramento ordenado da complexidade, que parece ser uma propriedade fundamental da vida, uma característica básica da dança do universo.” (Postagem de Marly Segreto – A Dança Vital)