“Ninguém liberta ninguém; ninguém se liberta sozinho:
os homens se libertam em comunhão.” (Paulo Freire)
Canto de Ler
Centro de Educação Ambiental Avelino Peixe Comeirão Filho
Fundação Planeta Terra
Itapeva – SP
Estou especialmente contente depois que a lanchonete da Sala Verde foi transformada em um re-CANTO DE LER – que agora nutre mentes, corações, a convivência e criatividade humanas – o que convenhamos, é bem mais necessário!Esta é a intenção que alimenta este espaço cultural recém-criado no Centro de Educação Ambiental Avelino Peixe Comeirão Filho, em Itapeva – SP, possível graças a uma feliz conjuntura de circunstâncias.
Eu, como colaboradora voluntária do CEA, participo da dinamização deste espaço, montando uma programação para que ele funcione como um ponto de cultura dentro da Sala Verde. Uma parceria prazerosa e agradável, totalmente baseada na cooperação voluntária, que pretende contribuir para a formação das pessoas que visitam o lugar.
E o que já está acontecendo lá, neste seu primeiro mês de existência? Muitas coisas. O nome Re-CANTO DE LER faz alusão não só à leitura de livros e textos diversificados, mas principalmente à leitura do mundo preconizada por Paulo Freire:
“Para mim, desde o início, nunca foi possível separar a leitura das palavras da leitura do mundo.. Segundo, também não era possível separar a leitura do mundo, da escrita do mundo. Ou seja, linguagem – e isso é uma questão lingüística – não pode ser entendida sem um compreensão crítica da presença dos seres humanos no mundo. A linguagem não é exclusivamente um meio de expressão das impressões que temos diante do mundo. A linguagem é também conhecimento em si. E a linguagem implica a inteligibilidade do mundo que não existe sem a comunicação. … Deve-se primeiramente ler o mundo no qual tais palavras existem.” (Pedagogia dos sonhos possíveis – p. 56)
Neste espírito então, o Re-CANTO de LER é um local de prática de leitura – do mundo, de textos em diferentes linguagens, de depoimentos das pessoas, da natureza em volta. Um Ateliê de Leitura, bem ao estilo da Companhia!
Apareça lá para visitar a gente!
TCris
Parabens Cristina ficou linda, e o artigo ótimo. Coloquei no site do Instituto Planeta Terra.
Não conhecia o blog. Gostei do Re-CANTO DE LER!
Que conquista maravilhosa! O Re-Canto de Ler oferece beleza, acolhimento e nutrição formadora.
Reconheço o quanto a literatura e as diferentes leituras foram importantes em meu processo autoformativo.
Como contribuição, traduzi trechos de dois autores, que me pareceram significativos e entrelaçados, em sintonia com a proposta de vcs:
“As letras enquanto formas, como produtos de uma ação coletiva inovadora, como unidades estruturais de palavras e de pensamentos, participam ao mesmo tempo do mundo abstrato da razão, da confrontação e da eficiência (em outras palavras, de um ‘céu’ inacessível ainda que balizado) e do mundo diretamente existente, e isso através de sua materialidade, sua referência às coisas, sua implicação na transformação da realidade da natureza e do homem. (…) como adesão à aventura, à experiência humana, tanto no nível da transformação da realidade quanto no da avaliação das possibilidades de apreender essa realidade” (D. Agrafiotis).
“Explorar a literatura como “instrumento da formação” é, portanto, explorar o seu poder de sacudir as pessoas. É explorar o poder desestabilizador do texto. Ler e fazer ler, ininterruptamente. Gargarejar o texto até que ele fique colado em nossa garganta, até que resista à influência de um imaginário onipotente para que possamos atingir algo irredutível… aquilo que está ali, escondido no coração do texto, quando o dizer excede o dito e nossas escoras intelectuais são postas em dificuldade ou malogram. Sentimos que o que então acontece é de uma ordem particular: eu me reconheço completamente e há, ao mesmo tempo, uma outra coisa, alguma coisa que me obriga a reconfigurar meu espaço mental, a criar um lugar, sem com isso me obrigar a renunciar a ocupar esse lugar. Desse modo, a obra pode nos despertar de nosso torpor, ela interroga a fronteira entre o que sabemos e o que somos. Ela fala de mim, constantemente de mim, e jamais somente de mim. Assim, ela me obriga a falar de mim na segunda pessoa. Evitando a embriaguez inevitável do discurso na primeira pessoa e a presunção inelutável daquele que fala de si na terceira pessoa” (Philipe Meirieu).
Parabéns Cris e parceiros!
Não vejo a hora de poder ir à Itapeva e visitar esse espaço tão precioso.
Abraços a todos
Marly
úhú…yeah
muito bacana este espaço…confesso que dá inté vontade de ler
clap clap clap
E falando em literatura….estou lendo o livro Cartas entre amigos – sobre os medos contemporâneos, do Pe. Fábio de Melo e de Gabriel Chalita e estou gostando muito, porque é daquelas obras que nos estimulam a outras leituras – de nós mesmos, dos outros e de novas obras.
Num dado momento, Pe. Fabio citando Ortega y Gasset, grande filósofo espanhol: “Eu sou eu e minhas circunstâncias” , complementa:
“O movimento de mudança começa em nós. Acreditamos nisso. Ao transformar a realidade que me envolve, de alguma forma estou transformando o que sou. Os que estão ao meu lado também são afetados pela minha transformação. É assim que vamos prosseguindo, acreditando que os primeiros a serem transformados somos nós mesmos.” p.239
Parece simples e óbvio e não por isso menos verdadeiro. E´asim que nasce o Re- CANTO DE LER!
Abraços a todos
TCris
Ainda funciona o comercio da lanchonete???