Blog da Companhia de Aprendizagem

OFICINA PONTO DE APOIO - A emergência do sentido

Pois é. Estamos no segundo encontro mensal (Abril), com a segunda turma da Oficina Ponto de Apoio.

Esta turma hoje melhorou muito o índice de participação em relação ao primeiro encontro. Dela participou a diretora da Casa Transitória, que no primeiro encontro pareceu inibir os demais participantes. Mas hoje, um diálogo mais franco e aberto pareceu suscitar que algumas feridas profissionais do ambiente se revelassem.

Há uma certa angústia/alívio quando as feridas se expõem…o paradoxo se reapresenta.

Falamos sobre a responsabilidades que temos e que costumamos “tercerizar” para outros; lemos um texto sobre e depois cada participante escolheu um trecho significativo para comentar - observei que já melhorou um pouco o movimento da escuta do outro, e desta vez todos leram, o que não ocorreu antes.

Os dois trechos mais citados do texto foram:

“Importante pensar com maturidade a esse respeito, pois somente admitindo que somos senhores da nossa vida e do nosso destino, deixaremos de encontrar desculpas, e faremos a nossa parte.”

“A felicidade é construção diária e depende do que consideramos o que seja ser feliz. Se admitimos que a felicidade é uma forma de viver, basta aprender a arte de bem-viver.”

Também fizemos uma dinâmica onde três grupos se formaram em torno das palavras Reduzir, Reutilizar e Reciclar (lema emprestado da SABESP); esta dinâmica está sendo aplicada em todos os eventos do Centro de Educação Ambiental que nos hospeda. Cada grupo discutiu o que poderia ser reduzido, reciclado e reutilizado no ambiente de trabalho deles.

www.sxc.hu//208836 broken egg
Houve uma bom grau de convergência entre estes indicadores, o que vai naturalmente nos conduzindo para algumas temáticas que emergem do contexto deles.

Em vários momentos pontuei a responsabilidade deles como formadores das crianças e isso pareceu ser uma revelação para alguns; disseram que só se viam como funcionários (publicos e da Casa Transitória). Faz parte do processo de Autoformação reconhecer-se como sujeito que se forma em processo de autos, hetero e eco-formação, e no caso, em co-formação. Talvez possamos chegar em algum momento ao uso consciente desta terminologia.

Neste exercicio de hoje resgatei vivencialmente uma citação feita no artigo do Ignacio Gerber e que tem a ver com meu processo de busca de sentido:

“A nós interessa a atividade de fazer sentido, deixando de lado a suposição de significados depositados em alguma parte, sedimentados, disponíveis e decifráveis. A ênfase é no processo de ir fazendo sentido, um processo eminentemente criativo. Quando o sentido se cristaliza ou é recebido ou tomado de forma cristalizada, o processo se interrompe e a criatividade se estiola.”[1]

[1] Figueiredo, L.C. “A questão do sentido, a intersubjetividade e as teorias das relações de objeto”, In Revista Brasileira de Psicanálise, Vol. 39, 2006, p. 79-88

E´isto que estou buscando no meu fazer - que o sentido para mim se apresente como um fazer sentido com o que está sendo feito pelo e com o Outro. E que isso nos construa, a cada um na medida do seu próprio ser.

TCris



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Uma resposta para “ OFICINA PONTO DE APOIO - A emergência do sentido ”

  1. TCris Maio 7th, 2010 15:19

    Pois é…lendo a bela reflexão postada pela Marly sobre a Escuta sensível, me reportei à experiencia de ouvir as primeiras seis crianças abrigadas da Casa Transitória (meninas, na faixa etária de 10 a 14 anos), que esta semana fizeram uma avaliação conduzida pela Ana Maria, Claudia e Patricia voluntárias-monitoras - sobre o trabalho de artesanato que desenvolveram nas 4 últimas semanas, na confecção de fuxicos.

    Decidimos que vamos trabalhar assim: 4 atividades semanais e então o grupo se auto-avalia: o que valeu a pena, o que se aprendeu, o que poderia ser melhorado, e então decide se continua por mais um período de 04 semanas ou encerra.
    Queremos trabalhar a questão dos ciclos (início, meio e final) pois esta é uma visão importante para todos que estão lá “em trânsito” - eles vivem aguardando o dia em que voltarão às suas casas (mesmo que já sejam anos…).
    Também pretendemos que eles comecem por perceber o que aprendem em cada período de trabalho e que é uma escolha nossa continuar no caminho da aprendizagem - que demanda escolha, decisão e empenho (no mínimo)!

    O ambiente silencioso e calmo da mata natural do Centro de Educação Ambiental, a pequena sala do CANTO DE LER onde o trabalho acontece de forma acolhedora e privativa, contrasta com o ambiente da Casa Transitória, sempre ruidoso, agitado e coletivo. As crianças percebem esta diferença, mesmo que estranhem e não consigam ainda verbaliza-la.

    Mas na escuta do grupo, brotaram belas palavras:valorização, respeito, concentração, prazer em fazer a atividade. E vamos então para as próximas quatro semanas de vivência das palavras…nos aproximando um pouco mais da Lei dos Viventes.

    “Medo azedo, que começa cedo e vai noite adentro, como se cura?
    Medo de penedo, de cair bêbedo, medo de bicharedo, como se cura?
    Medo de paralelepípedo, medo de segredo, medo de bruxedo, como se cura?
    Medo cruz-credo, medo do degredo, medo com todos os enredos, como se cura?
    Medo de dedo em riste, medo de folheto triste, medo até de inofensivo chiste, como se cura?
    E medo de ter medo, como se cura?”…

    (Texto de Gabriel Perissé - 15Abril 2010
    Publicado em http://www.correiocidadania.com.br/content/view/4536/53/)

    Abraços
    TCris

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