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Projeto Diálogos - PONTO EM QUESTÃO - Ser o lugar do meu acontecer

[ do texto Ser e Sunyata]

Na fase inicial de seu pensamento sobre esta questão (profundamente influenciado pela mística de Mestre Eckhart, como nos alerta o texto) “ (…) faz com que Heidegger interprete o pensamento não mais como uma faculdade do homem, mas como uma comunicação, uma co-pertinência com o ser… aprende que a realidade transcendente volta a fazer parte do homem. Tal realidade no entanto, não é interpretada de maneira antropológica – como construída de objetos disponíveis para a representação de um sujeito cognoscente – mas ontologicamente, e isto significa que a maneira como ele participa desta realidade não é a de estar em uma simples relação com ela, mas a de ser o lugar de seu acontecer”( p.96-97) . O texto em estudo aprofunda e analisa o desenvolver desta premissa e até onde Heidegger a trabalhou.

Neste momento, paro aqui e olho para esta proposição em relação ao que tenho observado nos grupos de estudo ou trabalho dos quais participo e que são grupos constituídos – a maior parte – longe dos moldes acadêmicos e bem próximos do segmento dito como educação popular (embora tenham componentes de diversos níveis sócio-economicos).

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Como eu vivencio o ser o lugar do meu acontecer?

Como minha ação formativa inclui esta proposição inicial (…) “ a maneira como ele [sujeito] participa desta realidade não é a de estar em uma simples relação com ela, mas a de ser o lugar de seu acontecer”.

Deixo emergir livremente meu diálogo com o texto…e com vocês.

TCris



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2 respostas para “ Projeto Diálogos - PONTO EM QUESTÃO - Ser o lugar do meu acontecer ”

  1. TCris Março 3rd, 2010 11:26

    “Para mim, o caminho do Mistério passa pelo Real. Vem daí, quero crer, o imperativo do circunstancial em meu trabalho, empenhado sempre no delineamento de situações humanas, sejam elas triviais feito as do cotidiano, ou mais visivelmente solenes como Amor, Nascimento e Morte. Do contato com o circunstancial nasce-me, enfim, o impulso de trabalhar: o desejo de dar forma a visões, estados de alma, inquietudes geradas pela constatação de que o Real existe.”

    Antonio Vitor, pintor e artista paulista contemporâneo
    http://www.dangaleria.com.br/exposicao/expovitor/av3.htm

    Cada um tem o seu lugar de acontecer, em si, que ultrapassa os próprios limites e expande…

  2. Marly Março 11th, 2010 00:59

    Como ser o lugar de meu acontecer?

    Vendo pelo lado das trocas com os outros surgiu a questão: poderia haver uma verdadeira comunicação sem comunhão?

    Como me comunico com o outro, o estranho, o diferente de mim? Se me dirijo ao outro a partir de uma imagem que faço dele, de um rótulo, de um papel social estarei me comunicando com ele? Como pode haver comunicação se me coloco numa posição que me separa do outro, seja ela superior ou inferior? Basta um entendimento verbal para que haja a comunicação?

    Quando eu me desnudo das roupagens que aparentemente me identificam e me apresento como um ser humano diante de outro ser humano, com minha vulnerabilidade, sensibilidade, com meu saber e não saber, sem imposições, na escuta de uma história que pode também ser a minha e que me surpreendo ao ouvi-la, quando a comunhão está presente, então posso dizer que houve uma comunicação.

    Nessas situações, tenho a impressão que a luminosidade muda, englobando tudo e a todos, algo de indizível se apresenta, não existem mais barreiras, só uma comum-unidade, uma comum-ação.

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