Date: 2009.08.01 | Category: Diálogos, Trans | Tags:

(…) ” Quando vi a palavra “remembramento” no texto, lembrei-me do mito egípcio de Osiris, que foi enganado por seu irmão Set, aprisionado numa arca e lançado às águas do Nilo.

www.companiarte.hpg.ig.com.br/html/mito_mito de osiris

Depois, para evitar que ele fosse encontrado por Isis, que queria sepultá-lo, Set despedaçou o corpo de Osíris espalhando os pedaços por diversos lugares. Mas Isis, numa busca incansável, conseguiu encontrar e reunir os pedaços, faltando apenas um, que foi engolido por um peixe.

Como Osiris era uma divindade agraria associada ao movimento de germinação-decomposição das plantas, o sentido de morte e regeneração está presente nesse mito. Parece-me que ele também traz um sentido de delimitação, de separação numa individualidade (aprisionamento na arca) que é lançada no fluxo da vida. Em seguida, vem a consciência da mutilação, dissociação, desintegração, fragmentação de um eu plural que ainda não encontrou verdadeiramente a sua singularidade. Isis poderia representar aquela parte em nós que, ciente desse desmembramento, vai em busca dos pedaços para poder reuní-los, uma consciência unificadora. A parte que ficou faltando, engolida pelo peixe, passa o sentido da potencialidade, sempre presente, de uma reintegração em um nível mais elevado e primordial.

Esse mito nos fala dessa busca de uma unidade integrativa de nossas fragmentações.”

Postagem de Marly Segreto sobre a obra Formação do Sujeito e Transdisciplinaridade, de Patrick Paul .
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1 responses to “A relação homem/ser é uma relação de identidade?”

  1. TCris at 2009/08/10 12:49 says:

    Marly:

    Apesar desta postagem referir-se a um contexto bem específico – fala da formação do sujeito/ser na sua multiplicidade e na sua busca de integrar seus diferentes aspectos como constituintes de sua identidade (muito mais ampla do que nosso senso comum registra…) vejo refletido nele muitas similaridades com a fala de Calvino na proposição das seis propostas para o próximo milênio. Isso me encanta e amplia minha compreensão do que ele diz, instigando uma busca mais apurada e refletida sobre quem somos nós.

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