A relação homem/ser é uma relação de identidade?
(…) ” Quando vi a palavra “remembramento” no texto, lembrei-me do mito egípcio de Osiris, que foi enganado por seu irmão Set, aprisionado numa arca e lançado às águas do Nilo.

Depois, para evitar que ele fosse encontrado por Isis, que queria sepultá-lo, Set despedaçou o corpo de Osíris espalhando os pedaços por diversos lugares. Mas Isis, numa busca incansável, conseguiu encontrar e reunir os pedaços, faltando apenas um, que foi engolido por um peixe.
Como Osiris era uma divindade agraria associada ao movimento de germinação-decomposição das plantas, o sentido de morte e regeneração está presente nesse mito. Parece-me que ele também traz um sentido de delimitação, de separação numa individualidade (aprisionamento na arca) que é lançada no fluxo da vida. Em seguida, vem a consciência da mutilação, dissociação, desintegração, fragmentação de um eu plural que ainda não encontrou verdadeiramente a sua singularidade. Isis poderia representar aquela parte em nós que, ciente desse desmembramento, vai em busca dos pedaços para poder reuní-los, uma consciência unificadora. A parte que ficou faltando, engolida pelo peixe, passa o sentido da potencialidade, sempre presente, de uma reintegração em um nível mais elevado e primordial.
Esse mito nos fala dessa busca de uma unidade integrativa de nossas fragmentações.”
Postagem de Marly Segreto sobre a obra Formação do Sujeito e Transdisciplinaridade, de Patrick Paul .
Participe: www.centrans.com.br/moodle - Encontros Abertos - Forum : A relação homem/ser é uma relação de identidade? , basta se cadastrar.
| Enviar por e-mail | Hits para esta publicação: 119
Uma resposta para “ A relação homem/ser é uma relação de identidade? ”
Deixe uma resposta.
Marly:
Apesar desta postagem referir-se a um contexto bem específico - fala da formação do sujeito/ser na sua multiplicidade e na sua busca de integrar seus diferentes aspectos como constituintes de sua identidade (muito mais ampla do que nosso senso comum registra…) vejo refletido nele muitas similaridades com a fala de Calvino na proposição das seis propostas para o próximo milênio. Isso me encanta e amplia minha compreensão do que ele diz, instigando uma busca mais apurada e refletida sobre quem somos nós.