Diálogo com o Milenio - escolhendo a Leveza
“Resta ainda aquele fio que começarei a desenrolar logo ao princípio: a literatura como função existencial: a busca da leveza como reação ao peso de viver… p.39
www.flickr.com/photos/oimaginauta“Evoquei aqui, o xamã e o herói das fábulas, a privação sofrida que se transforma em leveza e permite voar ao reino em que todas as necessidades serão magicamente recompensadas. Falei de bruxas que voavam usando utensílios domésticos, tão modestos quanto pode ser uma cuba. Mas o herói deste conto de Kafka não parece dotado de poderes xamânicos ou feiticeirescos; nem o reino para além das Montanhas de gelo parece aquele em que a cuba vazia encontrará algo que possa enche-la. Tanto mais que se estivesse cheia não teria conseguido voar.
Assim, a cavalo em nossa cuba, iremos ao encontro do próximo milênio sem esperar encontrar nele nada além daquilo que seremos capazes de levar-lhe. A leveza, por exemplo, cujas virtudes esta conferencia procurou ilustrar.” p.41
Ítalo Calvino, “Leveza”, in Seis propostas para o próximo milênio. Trad. de Ivo Barroso, São Paulo: Companhia das Letras, 1990
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10 respostas para “ Diálogo com o Milenio - escolhendo a Leveza ”
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Em outras palavras: o que estamos dispostos a deixar para trás de nós mesmos, para seguir em direção ao desconhecido - espaço do conhecimento a ser construido - que nos espera nesse milenio?
Queremos a leveza da incerteza, da ousadia, da criação, da evolutividade? Ou queremos permanecer exatamente onde estamos esperando e torcendo para que o mundo se ajuste às nossas convicções?
Em que área da nossa vida podemos escolher a leveza? Pense …e rápido!
A grande descoberta do nosso seculo, creio q seja a descoberta do DNA existencial,pela qual percebemos q somos micro particulas desse todo que chamamos existencia.
Não podemos ir para o novo milenio, uma vez que ele ja esta vindo a nós, como um elo desse “DNA” tempo.
Deixar o peso ,me parece como escolher um local para enterrar o lixo atomico, as baterias usadas dos celulares, e junto a isso, nosso peso, nosso ser usado e contaminado pelas duras experiencias do viver.
“Quando encontramos diamantes, soltamos as pedras que carregamos nas mãos.” Algo como sem esforço.!
Essa é a leveza de encontrar o caminho que se revela depois de esgotado os remendos , as tentativas de conserto desse velho mundo .
As mochilas cheias de boa vontade e muito desengano,são deixadas a margem dessas trilhas .
Soltando as pedras por encontrar diamantes!
a combinação da imagem com o texto ficou perfeita.
parece café com chantily!
sabe? quanto mais vou, menos peso levo. tem sido bem bom.
Marly, muitíssimo bem lembrado e colocado:
” Então, é preciso distinguir a leveza adquirida por subtração de peso, por delicadeza, suavidade e agilidade, da leviandade do irrefletido, imprudente, precipitado e sem esforço. A leveza de que fala Calvino não é um ato inconseqüente, leviano, mas exige um trabalho de força, de sustentação, de flexibilidade para vencer a gravidade do mundo, das relações com os outros, da relação de cada um consigo mesmo.”
Escolher a leveza é um comprometimento com a ética - pressupõe transformações internas/externas profundas para “ser e deixar ser aquilo que é ” ; à medida que vamos nos tornando leves neste sentido, vamos de alguma forma nos sutilizando e despertando em nós potenciais que não haviamos experimentado ainda. Ou como diz alguém “deixamos de caminhar como gansos nos apoiando em um pé de cada vez e contando passos e aprendemos a sincronia do bater asas dos pássaros que leva em conta também o vento…”
Bem a propósito do que a Cris diz, vejam que maravilha esse poema de Mia Couto:
Em alguma vida fui ave.
Guardo memória
de paisagens espraiadas
e de escarpas em voo rasante.
E sinto em meus pés
o consolo de um pouso soberano
na mais alta copa da floresta.
Liga-me à terra
uma nuvem e seu desleixo de brancura.
Vivo a golpes
com coração de asa
e tombo como um relâmpago
faminto de terra.
Guardo a pluma
que resta dentro do peito
como um homem guarda o seu nome
no travesseiro do tempo.
Em alguma ave fui vida.
“Guardo memória
de paisagens espraiadas
e de escarpas em voo rasante…
Em alguma ave fui vida.”
Eu também fui!!! e agora, nas asas da poesia de Mia couto, recordo.
Queridas Cris e Marly
Recebi um e-mail com referência a esta discussão sobre a “leveza” a partir do livro de Ítalo Calvino e fiquei embevecida com as postagens das pessoas. Em nossa equipe estamos estudando “o tempo” sob os olhares de Maria F. de Mello e estas leituras me foram muito ricas para complementar o que já foi visto. Obrigada! Abraços leves, amorosos e atemporais a todas. Vera Laporta
Quanto peso carregamos tentando arrastar os outros connosco,para reconhecer que tudo foi perda de tempo…
Eu quero me livrar de tantas amarras e ocupar o tempo que me resta com a criação.E encontrar a leveza numa aquarela ou num bordado.
Boa noite a todas
A convite da Teresa estou acessando este blog e acrescentaria um poema de Mario Quintana que me parece adequado, para não dizer consolador e até inspirador, em relação ao tema da leveza de Calvino.
Um abraço a todas
Das Ilusões
Meu saco de ilusões, bem cheio tive-o.
Com ele ia subindo a ladeira da vida.
E, no entretanto, após cada ilusão perdida…
Que extraordinária sensação de alívio!
Mario Quintana
De bolso
Rua dos Cataventos & outros poemas
Edson:
Obrigada pela presença! Seja bem-vindo aqui como um companheiro de Aprendizagem. Hoje abrimos oa postagem sobre Exatidão e logo farei sua apresentação oficial em um post. Gostaria de uma foto sua ou de uma bela imagem que para vc represente o montanhismo…não consegui capturar no seu blog! Vc pode me enviar?
Grande abraço