Uma sépala, uma pétala, um espinho
Numa simples manhã de verão…
Um frasco de Orvalho…uma Abelha ou duas…
Uma Brisa…um bulício nas árvores…
E eis-me Rosa!
Emily Dickinson, poeta norte-americana (1830-1886)
“Digo-vos verdadeiramente, o vosso corpo não foi feito só para respirar, comer, e beber, mas foi também feito para entrar na Sagrada Corrente da Vida. E os vossos ouvidos não foram só feitos para ouvir as palavras dos homens, o cântico dos pássaros, a chuva que cai, mas foram feitos também para ouvir a sagrada Corrente do Som. E os vossos olhos não foram só feitos para verem o nascer e pôr-do-sol, o ondular dos grãos de semente, e as palavras dos rolos Sagrados, mas eles foram também feitos para ver a Sagrada Corrente da Luz. Um dia o vosso corpo retornará á Sagrada Mãe Terra, mesmo também os vossos olhos e ouvidos. Mas a Sagrada Corrente da Vida, a Sagrada Corrente do Som, e a Sagrada Corrente da Luz, essas nunca nasceram e não podem morrer. Adentrem as Correntes Sagradas, a mesma Vida, mesmo Som, mesma Luz que vos fez nascer, que assim poderão alcançar o reino do Pai Celeste e tornarem-se um com Ele, tal como o rio se dilui no distante mar.
Mais que isto não pode ser dito, as Correntes Sagradas levar-vos-ão ao lugar onde não há mais palavras, e mesmo os rolos Sagrados não podem registar os mistérios que ele contem.”
O que haverá de mais leve do que as Correntes do Som, da Luz e da Vida?! A leveza do Intangível que gera e contém o tangível das formas, sempre transitórias e em transformação…Sagrado Mistério que maravilha e nos fascina. Verão…orvalho…abelhas, pássaros e eis-me transitória Rosa que fascina pela essencia Leve e Vital que a sustem nessa forma.
A rosa é o simbolo sagrado do despertar do espirito.
Rosa sobre a cruz, rosa de saron, flor de lotus, todas…
nascem de um verde que vinga, de um espinho..e ..por fim…
desabrocha com luz.
“Se todo o ser ao vento abandonamos
E sem medo nem dó nos destruímos,
Se morremos em tudo o que sentimos
E podemos cantar, é porque estamos
Nus em sangue, embalando a própria dor
Em frente às madrugadas do amor.
Quando a manhã brilhar refloriremos
E a alma possuirá esse esplendor
Prometido nas formas que perdemos.
Aqui, deposta enfim a minha imagem,
Tudo o que é jogo e tudo o que é passagem.
No interior das coisas canto nua.
Aqui livre sou eu – eco da lua
E dos jardins, os gestos recebidos
E o tumulto dos gestos pressentidos
Aqui sou eu em tudo quanto amei.
Não pelo meu ser que só atravessei,
Não pelo meu rumor que só perdi,
Não pelos incertos atos que vivi,
Mas por tudo de quanto ressoei
E em cujo amor de amor me eternizei”.
Sophia Andressen (1919- ), Porto – Portugal
Este poema me parece dialogar com os de E.Dickinson e Adelia Prado, trazendo a leveza de se deixar embalar pelo vento, viver a morte da forma e do que é sentido… e poder cantar, por estar nu, o próprio reflorescimento. Ser amor.
“Na madrugada desse começo de Primavera, densa de orvalho, destacando-se no silêncio que entorpece a cidade, antes do despertar das aves, ouvia a voz monótona do muezim cego recitando o Ebed – a voz flutuando como um cabelo na camada de ar fresco que assenta sobre as palmeiras de Alexandria.
(…) A maravilhosa oração abre caminho como uma serpente através da minha consciência adormecida, os seus anéis de palavras lucilantes penetram em mim (…) até que a aurora emerge cheia do seu maravilhoso poder de sarar, sinal de uma graça imerecida e inesperada, impregnando o pobre quarto onde Melissa dorme, respirando com uma leveza de gaivota, embalada pelos esplendores oceânicos de uma língua que ela jamais conhecerá”.
Lawrence Durrel – Justine (1º livro de “O Quarteto de Alexandria”)
Amei tanto conhecer a poesia de Sophia acima,
que encontrei-me em sua oração:
” Senhor
Senhor se eu me engano e minto,
Se aquilo a que chamei a vossa verdade
É apenas um novo caminho da vaidade,
Se a plenitude imensa que em mim sinto,
Se a harmonia de tudo a transbordar,
Se a sensação de força e de pureza
São a literatura alheia e o meu bem-estar,
Se me enganei na minha única certeza,
Mandai os vossos anjos rasgar
Em pedaços o meu ser
E que eu vá abandonada
Pelos caminhos a sofrer. ”
Sophia Andressen
obrigada por tão grandiosa contribuição para
nossas almas.
(…)
“Eu sempre sonho que uma coisa gera,
nunca nada está morto.
O que não parece vivo, aduba.
O que parece estático, espera. ”
Adélia Prado – Leitura
“Digo-vos verdadeiramente, o vosso corpo não foi feito só para respirar, comer, e beber, mas foi também feito para entrar na Sagrada Corrente da Vida. E os vossos ouvidos não foram só feitos para ouvir as palavras dos homens, o cântico dos pássaros, a chuva que cai, mas foram feitos também para ouvir a sagrada Corrente do Som. E os vossos olhos não foram só feitos para verem o nascer e pôr-do-sol, o ondular dos grãos de semente, e as palavras dos rolos Sagrados, mas eles foram também feitos para ver a Sagrada Corrente da Luz. Um dia o vosso corpo retornará á Sagrada Mãe Terra, mesmo também os vossos olhos e ouvidos. Mas a Sagrada Corrente da Vida, a Sagrada Corrente do Som, e a Sagrada Corrente da Luz, essas nunca nasceram e não podem morrer. Adentrem as Correntes Sagradas, a mesma Vida, mesmo Som, mesma Luz que vos fez nascer, que assim poderão alcançar o reino do Pai Celeste e tornarem-se um com Ele, tal como o rio se dilui no distante mar.
Mais que isto não pode ser dito, as Correntes Sagradas levar-vos-ão ao lugar onde não há mais palavras, e mesmo os rolos Sagrados não podem registar os mistérios que ele contem.”
Do livro:
EVANGELHO ESSENIO DA PAZ.
O que haverá de mais leve do que as Correntes do Som, da Luz e da Vida?! A leveza do Intangível que gera e contém o tangível das formas, sempre transitórias e em transformação…Sagrado Mistério que maravilha e nos fascina. Verão…orvalho…abelhas, pássaros e eis-me transitória Rosa que fascina pela essencia Leve e Vital que a sustem nessa forma.
A rosa é o simbolo sagrado do despertar do espirito.
Rosa sobre a cruz, rosa de saron, flor de lotus, todas…
nascem de um verde que vinga, de um espinho..e ..por fim…
desabrocha com luz.
“Se todo o ser ao vento abandonamos
E sem medo nem dó nos destruímos,
Se morremos em tudo o que sentimos
E podemos cantar, é porque estamos
Nus em sangue, embalando a própria dor
Em frente às madrugadas do amor.
Quando a manhã brilhar refloriremos
E a alma possuirá esse esplendor
Prometido nas formas que perdemos.
Aqui, deposta enfim a minha imagem,
Tudo o que é jogo e tudo o que é passagem.
No interior das coisas canto nua.
Aqui livre sou eu – eco da lua
E dos jardins, os gestos recebidos
E o tumulto dos gestos pressentidos
Aqui sou eu em tudo quanto amei.
Não pelo meu ser que só atravessei,
Não pelo meu rumor que só perdi,
Não pelos incertos atos que vivi,
Mas por tudo de quanto ressoei
E em cujo amor de amor me eternizei”.
Sophia Andressen (1919- ), Porto – Portugal
Este poema me parece dialogar com os de E.Dickinson e Adelia Prado, trazendo a leveza de se deixar embalar pelo vento, viver a morte da forma e do que é sentido… e poder cantar, por estar nu, o próprio reflorescimento. Ser amor.
Recebi do nosso amigo e colaborador Norrin Road, via e-mail…
“Rosas
Vermelhas carmim
Do vento
De Luxemburgo
Rosas assim
Rosas
Brancas Marias
De Hiroshima
Amarelas
Rosas de marfim ”
Norrin Road
A leveza no romance:
“Na madrugada desse começo de Primavera, densa de orvalho, destacando-se no silêncio que entorpece a cidade, antes do despertar das aves, ouvia a voz monótona do muezim cego recitando o Ebed – a voz flutuando como um cabelo na camada de ar fresco que assenta sobre as palmeiras de Alexandria.
(…) A maravilhosa oração abre caminho como uma serpente através da minha consciência adormecida, os seus anéis de palavras lucilantes penetram em mim (…) até que a aurora emerge cheia do seu maravilhoso poder de sarar, sinal de uma graça imerecida e inesperada, impregnando o pobre quarto onde Melissa dorme, respirando com uma leveza de gaivota, embalada pelos esplendores oceânicos de uma língua que ela jamais conhecerá”.
Lawrence Durrel – Justine (1º livro de “O Quarteto de Alexandria”)
Amei tanto conhecer a poesia de Sophia acima,
que encontrei-me em sua oração:
” Senhor
Senhor se eu me engano e minto,
Se aquilo a que chamei a vossa verdade
É apenas um novo caminho da vaidade,
Se a plenitude imensa que em mim sinto,
Se a harmonia de tudo a transbordar,
Se a sensação de força e de pureza
São a literatura alheia e o meu bem-estar,
Se me enganei na minha única certeza,
Mandai os vossos anjos rasgar
Em pedaços o meu ser
E que eu vá abandonada
Pelos caminhos a sofrer. ”
Sophia Andressen
obrigada por tão grandiosa contribuição para
nossas almas.