Arquivos mensais: abril, 2009

Data: 2009.04.29 | Categoria: Cenários, Diálogos | Comentário: 0

LEITURA
Adélia Prado

Era um quintal ensombrado, murado alto de pedras.
As macieiras tinham maçãs temporãs, a casca vermelha
de escuríssimo vinho, o gosto caprichado das coisas
fora do seu tempo desejadas.
Ao longo do muro eram talhas de barro.
Eu comia maçãs, bebia a melhor água, sabendo
que lá fora o mundo havia parado de calor.
Depois encontrei meu pai, que me fez festa
e não estava doente e nem tinha morrido, por isso ria,
os lábios de novo e a cara circulados de sangue,
caçava o que fazer pra gastar sua alegria:
onde está meu formão, minha vara de pescar,
cadê minha binga, meu vidro de café?

Bilha - artesanato de Manatuto - Timor Leste

Eu sempre sonho que uma coisa gera,
nunca nada está morto.
O que não parece vivo, aduba.
O que parece estático, espera.

Data: 2009.04.21 | Categoria: Agenciamento, Diálogos, Trans | Comentário: 2

Eixo, principio, a vésica que permite proporcionalidade, mediação, consciência. Sim “consciência equilibradora” entre o imutável e o mutável, entre o reino arquetípico e o reino sensível, entre realidade e realismo, entre unificação e pluralismo (Lawlor, Robert. Geometria sagrada).

CONSCIÊNCIA UNIVERSAL

CONSCIÊNCIA EQUILIBRADORA (vésica)

CONSCIÊNCIA EMPÍRICA

O campo visual muda para pessoas que vivem em habitats diferentes.

O campo visual muda para quem vê de outras maneiras.

O campo visual de um aleijado sentado no meio da calçada da Av. Paulista é outro, não é como o de alguém que se mantém em sua verticalidade.

Eu posso enxergar como as imagens criadas pelo pintor Francis Bacon.

Francis Bacon   Tr  s estudos para um auto retrato Francis Bacon – Três estudos para um auto-retrato, 1975

Esta forma visual de ver o mundo me permite sair das linhas que constantemente definem os objetos que estão a minha volta, ao meu redor, e me traz flexibilidade.

Assim como os esquimós que, pela luz e brancos intensos e múltiplos, perdem a noção da linha de horizonte e se permitem verticalidades diferentes das nossas em sua arte, eu, no obscuro de um buraco macular vejo outro mundo: o vazio semi-obscuro das possibilidades e de novas configurações.

Wolfflin, um historiador de Arte, utiliza a palavra malesich para designar “a massa por oposição ao contorno”. Mal, deriva de mácula, a mancha, de onde malen é pintar e maler, pintor” (Deleuze, Gilles. A lógica da sensação).

O rizoma é uma forma de organização em que os elementos não seguem linhas de subordinação hierárquica e não tem centro (eixo).

Viver, ser na vertical.

Morrer, ser na horizontal.

Viver e morrer , desprender-se.

Perder o eixo.

Deslizar o eixo

Deslocar o eixo.

Largar o eixo.

(???????????????)

…………………………………………………..

Está aberto o diálogo…

Adriana

Data: 2009.04.14 | Categoria: Espaço-tempo | Comentário: 5

Gaia  Goddess of the Earth   Clay

“Que eu seja como a que tece o pano na floresta, profundamente escondida.
Que eu possa fazer o meu trabalho sem interrupção.
Que eu seja uma exilada, se este é o sacrifício.”

(Resoluções de uma Bruxa – Bruxa Rae Beth)
Imagem: http://www.cedarcreeckclay.com/newimages/Gaia

Data: 2009.04.09 | Categoria: Espaço-tempo, Trans | Comentário: 4

965851 tunnel vision“Da mesma maneira que a terra e os outros elementos servem aos múltiplos usos dos inumeráveis seres espalhados no espaço infinito, assim possa eu, de alguma maneira, ser útil aos seres que ocupam o espaço, enquanto todos não forem libertados.
Como um cego que encontra uma pérola em um montão de lixo, assim se levantou em mim, eu não sei como, este pensamento do despertar, esta elevação do coração.
É um elixir nascido para abolir a morte dos mundos, um tesouro inexaurível para eliminar a miséria do mundo, um remédio incomparável para curar as doenças do mundo, uma árvore para descansar o mundo cansado de errar no caminho da vida, um ponto aberto a tudo o que vem para conduzi-lo fora das vias dolorosas, uma lua espiritual que se levantou para abrandar a queimadura das paixões do mundo, um grande sol para dissipar as trevas da ignorância.
Para a caravana humana que segue a rota da vida, esfaimada de felicidade, eis que está preparado o banquete em que todos poderão saciar-se novamente.
Hoje, na presença de todos os santos, convido o mundo ao estado do despertar e da pacificação, e para isso estou pronto a assumir o fardo de todos os sofrimentos, estou resolvido, eu o suportarei, não me esquivarei, nem fugirei, não tremo, não tenho frêmitos de pavor, não temo, não estou com medo, nem recuo, nem me desencorajo. Por que isso? Porque esse é o meu voto.
(…) Possa eu ser o protetor dos abandonados, o guia daqueles que caminham e, para aqueles que desejam a outra margem, ser a barca, o banco de areia, a ponte. Que eu possa ser a lâmpada para aqueles que têm necessidade de lâmpada, leito para aqueles que têm necessidade de leito, escravo daqueles que têm necessidade de escravo, a pedra do milagre, a planta que cura, a árvore dos anseios, a vaca dos desejos.”

Fonte: LELOUP, Jean-Yves. A montanha no oceano: meditação e compaixão no budismo e no cristianismo. Rio de Janeiro: Vozes, 2002 (Um extrato do Shantideva, p. 140-141-144).

Feliz Páscoa!

Marly

Data: 2009.04.07 | Categoria: Companheiros de Aprendizagem | Comentário: 2

495395 contraluzDecidir ser feliz,
nada adicionar à infelicidade da humanidade,
nem mesmo uma queixa, um pensamento….
Vontade de não perturbar, de não magoar.

591078 reading rainbow 1

Não é ainda o amor

nem a sabedoria,

é o começo da ética.

993150 faith 1 2 3 4

Para muitos,
já é o heroísmo…

(Jean-Yves Leloup
e seu costumeiro talento
com as palavras
e idéias…)

Recebi as sábias palavras por e-mail enviado pela Esther.

Gracias! Vamos compartilhá-las com os outros.

Marly