Diálogo com Clarice [Retorno reflexivo sobre a experiência]
Como foi dito em Sobre Ser/fazer uma comunidade, o Diálogo com Clarice revelou-se uma ação formativa e uma aprendizagem conjunta, o que tem sido a prática na Companhia de Aprendizagem.
Em nosso modo de ver, a formação é um processo contínuo que se dá ao longo da vida, não estando restrita a um espaço/tempo determinado institucionalmente (escola, família, etc.). Ela envolve um processo vivido pelo ser enquanto ser, uma forma pessoal que vai sendo configurada nesse processo e a maneira como esta forma é construída. Nesse sentido, o ato de se formar (autoformação) assume uma dimensão mais ampla, pois diz respeito a uma diversidade de interações e transações (consigo mesmo, com os outros e com o meio físico/cultural) e às possibilidades de transformação delas decorrentes.
Estamos em formação todo o tempo, em todos os lugares e nas diferentes relações que estabelecemos com os outros. É um processo que está acontecendo conosco, que está sendo vivenciado, quer tenhamos consciência dele ou não. Mas podemos nos apropriar do poder de nos formar, podemos caminhar rumo a nós mesmos e, tomando consciência da forma adquirida, ir além e através dela em direção ao que podemos vir a ser. A autoformação é também uma autocriação.

Neste retorno reflexivo sobre a experiência no Diálogo com Clarice, convidamos vocês para uma leitura da leitura, ou seja, para uma leitura dos comentários pessoais feitos a partir da leitura dos temas postados e do livro de Clarice como um todo, seguida de uma reflexão a ser partilhada com todos.

São questões nas quais nos reconhecemos, mas que também nos indicam que há uma fronteira entre o conhecido e o desconhecido, trazendo uma interrogação permanente sobre o que temos sido, o que não somos mais e o que poderemos vir a ser.
Na finalização deste trabalho, temos a oportunidade de fazer desta experiência uma aprendizagem de reciprocidade. Ao expressarmos nossas reflexões estaremos aprendendo uns com os outros e resgatando o prazer de Ser e de aprender em comunidade.
Aos interessados, sugerimos a leitura de dois textos que nos apoiaram neste trabalho:
Geysa Silva – Uma aprendizagem ou O livro dos prazeres (em Resumos)
Amariles Guimarães Hill – A experiência de existir narrando (em Artigos)
(*) Detalhe do retrato de Clarice Lispector pintado por De Chirico.
Marly
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5 respostas para “ Diálogo com Clarice [Retorno reflexivo sobre a experiência] ”
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Querida Cris,
Agradeço pela oportunidade de entrar neste mundo tão lindo da aprendizagem, da experiência, da troca de sensibilidades.
Fiz poucos comentários, mas participei silenciosamente e aprendi MUITO! Acredito que o motivo de ter participado em silêncio seja pelo fato de que eu estava acostumada a ler um texto de uma forma mais acadêmica, então naveguei e refleti cada comentário, e APRENDI a ler mais profundamente.
Agora, cada vez que leio um texto literário, tenho outros olhos; e o texto fala comigo, e eu dialogo com o texto de uma forma muito especial!
Um beijo a todos!
que lindo esse seu trabalho, Cris!
eu que agradeço por ter me enfiado no meio disso e me dado a oportunidade de saborear Clarice….
gosto muito dela desde sempre….
engraçado ler meus comentários.engraçado estar só no primeiro degrau e já me sentir tão autorizada a ousar dizer que CRESCI!!!
beijo grande
Dialogar com Clarice e com os caminhantes que por aqui passaram mostrou a delicadeza de se encontrar em companhia da poesia, do encamento das emoções e da beleza do diálogo nascido de nosso eu mais profundo.
Cris, sua intuição favorecendo esse momento nasceu de sua sensibilidade e acolhimento.
Agradeço a todos de poder compartilhar esse momento.
Aceitar o convite para participar do Diálogo com Clarice também significou para mim aceitar a aprendizagem que estava sendo proposta. E me lembrei de Drummond: “Viver não. Viver sim. Como viver sem conviver na praça dos convites?”.
Foi impossível ler o livro e os temas postados sem entrar em ressonância com o que lia e sem perceber a sua repercussão em mim. Mérito da Arte de Clarice, certamente, mas também das contribuições de cada uma, que me permitiram ver o não visto e sentir o que falava particularmente a mim e o que falava a todas nós como mulheres e como seres humanos.
Ao ler meus comentários em sequência, pude resgatar minha trajetória e me interrogar sobre minhas escolhas: por que escolhi comentar isso e não aquilo? Essa leitura contribuiu para uma compreensão do que estava sendo mais significativo para mim no momento e revelou os pontos cegos, o que ainda pede um trabalho de compreensão.
Agradeço à Cris pela iniciativa e por sua atenção cuidadosa e à todas vcs que foram nossas companheiras nessa aprendizagem.
Foi uma emoção “extra-ordinária ” ler a obra de Clarice, anotar e digitar os trechos que ressoaram em mim - dos mais longos a uma única frase! Depois veio aquele misto de desejo e descoberta, deslumbramento e vontade de compartilhar emoções, percepções, encantos e temores, o não saber… puro prazer! Fui para o blog e convidei nominalmente algumas pessoas que eu sabia gostarem de leitura e algumas e quantas outras responderam; vieram, cada uma com suas contradições, desejos, dúvidas, infinita riqueza potencial e se derramaram em gotas tímidas ou águas profundas e caudalosas. E começamos a tecer, juntas.Tecemos um caminho com vários motivos – cada postagem tinha seu tom e matiz.
Relendo agora minhas próprias postagens, posso relembrar o fluxo de cada pensamento, músicas, argumento e palavras cuidadosamente escolhidas ou simplesmente brotadas, para não romper o ritmo do momento. Para mim foi um aprofundamento - um escorregão em algumas poças de lama pessoais que eu evitava, e um mergulho profundo em alguns rincões cristalinos não vislumbrados – experenciar o paradoxo. E sobreviver. E entender mais claramente as coisas em mim mesma. E experimentar uma alegria prazeirosa e doce. E acreditar mais.
Adorei perceber que o tempo tem me feito uma pessoa mais leve e bem humorada, que fui capaz também de rir e de cantar enquanto com Clarice atravessava alguma dor.
“De estar viva – sentiu ela – teria de agora em diante, que fazer o seu motivo e tema.” Eu também! Gratidão a todos.