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Diálogo com Clarice - [Tempo do Sagrado]

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“Cristo foi Cristo para os outros. Quem foi um Cristo para o Cristo? Ele tivera que ir diretamente ao Deus. E ela, sentada então no banco da igreja quisera também poder ir direto à Onipotência sem ser através da condição humana de Cristo que era também a sua e a dos outros. E oh Deus não querer ir a Ele através da condição misericordiosa de Cristo, talvez não passasse de novo do medo de amar. Levantou-se e tornou a bordar. “

Clarice Lispector. Uma aprendizagem ou o Livro dos prazeres. ed. Rocco, 1998. p.67



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3 respostas para “ Diálogo com Clarice - [Tempo do Sagrado] ”

  1. TCris Fevereiro 27th, 2009 09:58

    “Lóri passara da religião de sua infância para uma não religião e agora passara para algo mais amplo: chegara ao ponto de acreditar num Deus tão vasto que ele era o mundo com suas galáxias: isso ela vira no dia anterior ao entrar no mar deserto sozinha. E por causa da vastidão impessoal era um Deus para o qual não se podia implorar: podia-se era agregar-se a ele e ser grande também.” p.81

  2. leda Fevereiro 27th, 2009 11:39

    É muito delicado o conceito de Deus como um todo;
    muito mais ,quando se crer que fazemos parte desse todo estrelado, que chamamos infinito.
    Monismo, deus é um , e somos deus…são conceitos da nova era ecologica, onde a consciencia da individuaçao dá o primeiro passo para uma visão cosmica de si…
    mas,” esse ainda não é o meu reino.”…rsrrsr
    Algo, alem de galaxias, de mundos que se manifestam e desmanifestam…
    Algo que é desde o principio, que se alojou feito luz ,feito uma lembrança esqueçida que ainda doe
    dentro de nós,um caminho, uma verdade ,uma Vida.
    Uma oração ja respondida,a misericordia da
    miseria cardia, o cristo que faz o link com
    Deus diretamente em nos…

  3. Marly Março 3rd, 2009 14:22

    O seguinte trecho: “… pensou que de agora em diante era só isso o que ela queria de Deus: encostar o peito nele e não dizer palavra”, me fez lembrar de um quadro de Rembrandt (A volta do filho pródigo) em que o filho pródigo, de joelhos diante do Pai, encosta a cabeça em seu coração. Apesar de haver uma diferença entre encostar o peito (afetividade) e a cabeça (mente), como Lori, me vi muitas vezes diante desse quadro desejando apenas encostar minha cabeça no coração do Pai misericordioso (miseria cardia, como diz a Leda). Talvez para sair de um excessivo rigor e acionar em mim a misericórdia por minha imperfeição.

    Mas a nossa relação com Deus, nossa religiosidade, pode ir se transformando, e Clarice o expressa muito bem: “Mas seu Deus não lhe servia: fora feito à sua própria imagem, parecia-se demais com ela… O seu Deus até agora fora terrestre, e não era mais… Descobriu que até agora rezara para um eu-mesmo, só que poderoso, engrandecido e onipotente, chamando-o de o Deus e assim como uma criança via o pai como a figura de um rei”. Ela ansiava por uma integração sem palavras, “mas a palavra de Deus era de tal mudez completa que aquele silêncio era ele próprio”. Momento difícil de passagem pelo vazio e pelo silêncio: a noite escura da alma, diz S. Juan de la Cruz.
    Nesta passagem é interessante notar a inversão que ela faz: Deus como feito à sua imagem e não ela sendo feita à imagem de Deus. Parece que primeiro precisamos humanizar Deus para, depois, nos abrirmos à nossa humanidade (e a de Cristo) e sermos divinizados por ele. Saindo assim de uma representação de um Deus pessoal e indo em direção a um Deus Cósmico. “E por causa da vastidão impessoal era um Deus para o qual não se podia implorar: podia-se era agregar-se a ele e ser grande também”, como destacou a Cris.

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