Blog da Companhia de Aprendizagem

Diálogo com Clarice - [ sobre Máscaras]

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“Também Lóri usava a máscara de palhaço da pintura excessiva. Aquela mesma que nos partos da adolescência se escolhia para não se ficar desnudo para o resto da luta. Não, não é que se fizesse mal em deixar o próprio rosto exposto à sensibilidade. Mas é que este rosto que estivesse nu poderia, ao ferir-se, fechar-se sozinho em súbita máscara involuntária e terrível: era pois menos perigoso escolher, antes que isso fatalmente acontecesse, escolher sozinha ser uma “persona”. Escolher a própria máscara era o primeiro gesto voluntário humano. E solitário. Mas quando enfim se afivelava a máscara daquilo que se escolhera para representar-se e representar o mundo, o corpo ganhava uma nova firmeza, a cabeça se podia às vezes se manter altiva como a de quem superou um obstáculo: a pessoa era.”

Clarice Lispector. Uma aprendizagem ou o Livro dos prazeres. ed. Rocco, 1998. p.85



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5 respostas para “ Diálogo com Clarice - [ sobre Máscaras] ”

  1. TCris Fevereiro 22nd, 2009 16:05

    Sobre máscaras…

    “Quem me vê sempre parado, distante garante que eu não sei sambar
    Tô me guardando pra quando o carnaval chegar
    Eu tô só vendo, sabendo, sentindo, escutando e não posso falar
    Tô me guardando pra quando o carnaval chegar
    Eu vejo as pernas de louça da moça que passa e não posso pegar
    Tô me guardando pra quando o carnaval chegar
    Há quanto tempo desejo seu beijo molhado de maracujá
    Tô me guardando pra quando o carnaval chegar
    E quem me ofende, humilhando, pisando, pensando que eu vou aturar
    Tô me guardando pra quando o carnaval chegar
    E quem me vê apanhando da vida duvida que eu vá revidar
    Tô me guardando pra quando o carnaval chegar
    Eu vejo a barra do dia surgindo, pedindo pra gente cantar
    Tô me guardando pra quando o carnaval chegar
    Eu tenho tanta alegria, adiada, abafada, quem dera gritar ”

    Quando o carnaval chegar
    Chico Buarque

  2. Lana Fevereiro 25th, 2009 14:46

    arre!

    essa letra coube feito luva!!!

    e pra completar: quem consegue aguentar o sol das 10 às 16 na cara, sem filtro?

  3. luzia Fevereiro 26th, 2009 18:36

    “….escolher a própria máscara era o primeiro gesto voluntário humano…”
    Aprendemos muito cedo a escolher nossas máscaras para nossos desempenhos na vida, em muitas acreditamos ser nosso próprio rosto, pela necessidade ou identificação, levamos parte de nossa vida para tirá-las, assumir nossa própria expressão. Quando conseguimos e podemos sentir o sol acariciar nosso pele e interagir dentro de nossa fragilidade, descobrimos que somos “inteiras” em nossa própria imperfeição.

  4. Marly Março 3rd, 2009 12:53

    Há muito tempo eu tive um sonho em que me defrontei com um pequeno ser, parecia uma criança, e percebi que em seu rosto havia uma máscara. Retirei essa máscara e surgiu outra. Retirei novamente e surgiu outra. E foi assim até que pude ver o seu verdadeiro rosto: um ser primitivo, quase um elemental.
    O que se oculta por detrás das diferentes máscaras que usamos?
    Em diferentes culturas tradicionais, as máscaras estão geralmente associadas aos rito agrários, funerários e de iniciação: neles as máscaras não escondem, mas revelam tendências superiores (Face divina) a serem assimiladas ou inferiores, que devem ser expurgadas (catarse). Nesse sentido, as máscaras visam dominar e controlar o mundo invisível.
    A palavra “persona” designava originalmente, no teatro grego antigo, a máscara usada pelos atores - “per sona”, por onde soa - e o objetivo da representação era a identificação do ator com a manifestação divina figurada pela máscara.
    Jung utiliza o conceito de persona para designar o sistema de adaptação, a maneira pela qual nos comunicamos com o mundo. Essa máscara vai sendo construída no processo de formação com o sentido de uma adaptação ao coletivo, a maneira como nos apresentamos publicamente. Podemos dizer que a persona não é verdadeiramente o que somos, mas o que nós mesmos e os outros pensam que somos. E está muito ligada à nossa necessidade de pertencimento.
    O perigo está na identificação com a persona, quando a máscara substitui o próprio rosto.
    Como bem diz a Luzia: “levamos parte de nossa vida para tirá-las, assumir nossa própria expressão”.
    Tema bem atual, vcs não acham?

  5. TCris Março 3rd, 2009 16:18

    Muito atual Marly! Aliás cada tema dessas postagens daria um seminário atualíssimo. Que bom podermos estar tendo esse espaço de trocas e crescimento, acho também.

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