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Diálogo com Clarice - [sobre a Felicidade]

Margaridas - Margaridas

” Lóri estava suavemente espantada. Então isso era a felicidade. De início se sentiu vazia. Depois seus olhos ficaram úmidos: era felicidade, mas como sou mortal, como o amor pelo mundo me transcende. O amor pela vida mortal a assassinava docemente, aos poucos. E o que é que eu faço? Que faço da felicidade? Que faço dessa paz estranha e aguda, que já está começando a me doer como uma angústia, como um grande silêncio de espaços? A quem dou minha felicidade, que já está começando a me rasgar um pouco e me assusta. Não. Não quero ser feliz. Prefiro a mediocridade. Ah milhares de pessoas não têm coragem de pelo menos prolongar-se um pouco mais nessa coisa desconhecida que é sentir-se feliz e preferem a mediocridade. Ela se despediu de Ulisses quase correndo: ele era o perigo “

Clarice Lispector. Uma aprendizagem ou o Livro dos prazeres. ed. Rocco, 1998. p.74



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6 respostas para “ Diálogo com Clarice - [sobre a Felicidade] ”

  1. TCris Fevereiro 18th, 2009 11:11

    [Lori] ” De algum modo já aprendera que cada dia nunca era comum; era sempre extraordinário. E que a ela cabia sofrer o dia ou ter prazer nele. Ela queria o prazer do extraordinário que era tão simples de encontrar nas coisas comuns: não era necessário que a coisa fosse extraordinária para que nela se sentisse o extraordinário. “ p.119

  2. TCris Fevereiro 18th, 2009 11:16

    A gente reza tanto para encontrar a felicidade, luta, se debate em vão e não enxerga bem aqui do nosso lado o que pode nos fazer feliz (o véu de Maya….). E quando finalmente percebemos, fugimos assustados: Mas a quem dou essa felicidade? - essa é a pergunta que temos medo de não encontrar a resposta. A felicidade é apenas ser…como as margaridas do campo. Será?

  3. luzia Fevereiro 18th, 2009 16:15

    Acho que nos ensinaram a buscar a felicidade, mas não a encontrá-la. Ficamos fixados no mundo da busca que perdemos o senso do que realmente estamos procurando, apenas temos a sensação leve de que tudo está na próxima esquina, na próxima parada….sim…alí serei feliz! Percorremos então vários e diferentes caminhos nessa angustiante busca dessa parte de nós, que parece, deixamos em outro lugar.Algumas vezes passamos toda a vida, outras, acontece o encontro….macio, silencioso, sereno , nada de extraordinário, apenas delicadeza…..nenhum outro, apenas aprofundamos nosso olhar para nosso interior e descobrimos a paz.

  4. Lana Fevereiro 18th, 2009 18:18

    sei lá, Cris.
    sei que estou entre esses milhares de pessoas aí.
    e muito a fim de deixar de estar.

  5. TCris Fevereiro 18th, 2009 19:31

    Lana:
    “Consolava-a que a espera dele não doía tanto nele, pois se tratava de um homem extremamente paciente e com capacidade de sofrer. Então ela sossegava. Achava agora que a capacidade de sofrer era a medida de grandeza de uma pessoa e salvava a vida interior dessa pessoa.” P. 137

  6. leda Fevereiro 19th, 2009 09:23

    No filme “jornada da alma” jung diz uma frase :”maldita felicidade”, que me deixou pensando sobre a felicidade…
    Hoje entendo q Felicidade é um principio, como a honestidade, a beleza.. portanto não a encontraremos em nada, ela apenas é e não depende de contexto!!!!

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