Diálogo com Clarice - Lembrete
[Ulisses] _ “ Nos piores momentos, lembre-se : quem é capaz de sofrer intensamente também poderá ser capaz de intensa alegria.”
Clarice Lispector. Uma aprendizagem ou o Livro dos prazeres. ed. Rocco, 1998. p.97
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6 respostas para “ Diálogo com Clarice - Lembrete ”
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[Lori] “O que seria uma alegria? Ainda teria capacidade de reconhece-la se viesse? Ou já era tarde demais para que soubesse distingui-la? Pois ela adivinhava que a alegria viesse talvez como um som simples quase aquém do nível da audição. “ p.64
AQUI, parece que lori fala das intensidades, do mais escuro ao mais claro.
Noto porem, que a dualidade que nos aprisiona,fica segurando a corda pelos dois lados.(alegria e dor)
Ah, bendito Buda e seu caminho do meio….
Nossa doença é que somos bi polar…
Acho que por hora, a grande maioria ainda está fazendo sua experiencia no sofrimento; alguns já buscam e encontram a alegria como experiência. Depois vamos para a terceira via e aprender a estar integrado nas duas experiencias e ir além delas.
E´bom poder desvelar o trajeto - nos mantém na direção. Bendito Buda mesmo!
No trecho abaixo Lori vislumbra isso:
“Sobretudo aprendera agora a aproximar-se das coisas sem liga-las à sua função. Parecia agora poder ver como seriam as coisas e as pessoas, antes que lhes tivéssemos dado o sentido de nossa esperança humana ou de nossa dor. Se não houvesse humanos na terra seria assim: chovia, as coisas se ensopavam sozinhas e secavam e depois ardiam secas ao sol e se crestavam em poeira.” p.35
Jamais conseguiremos “sentir” o estado de alegria, quando nos chega, se ficarmos a fugir do sentimento de “tristeza”..pois essas duas emoções se completam na sua continuidade. Necessitamos perceber que percorremos esse caminho contínuo sem ficarmos a nos esconder da dor esperando que venha o alívio…pois as duas emoções estão sempre latentes em nós, mas só daremos passagens à elas integrando-as em nós. Lóri fez todas as passagens, vivenciando cada instante de seus sentimentos, dialogando com cada parte de sua dor, entregando-se a ela, para, finalmente, resgatar sua totalidade.
Alegria e tristeza: expressões de uma mesma energia que ora se expande, ora se contrai. Uma não pode ser reconhecida sem a existência da outra.
Mas, dependendo da maneira como interpretamos nosso sentimento, podemos paralisar esse movimento e, ao nos fixarmos em um dos pólos, sua intensidade aumenta: a alegria transforma-se em euforia, a tristeza em depressão.
Tendemos a lidar com os sentimentos como absolutos e, no entanto, eles são relativos: podemos estar tristes por algum motivo sem por isso perder completamente a alegria, ela continua lá a nossa espera, e vice-versa.
Parafraseando um poema de Roberto Juaroz:
A parte de alegria que há na tristeza
e a parte de tristeza que há na alegria
saem às vezes do seu leito
e se unem em um outro leito
que não é nem alegria nem tristeza.
Nesse leito corre o rio das mais vivas águas.
Podemos dar passagem aos dois sentimentos, mas também podemos transcendê-los.
”
Há vidas que duram um instante :
o nascimento.
Há vidas que duram dois instantes :
o nascimento e a morte.
Há vidas que duram três instantes :
o nascimento, a morte e uma flor.
Roberto Juaroz in “Poesia Vertical”