Date: 2009.01.29 | Category: Diálogo com Clarice | Tags:

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“ Ela estava só. Com a eternidade à sua frente e atrás dela. O humano é só.”

Clarice Lispector. Uma aprendizagem ou o Livro dos prazeres. ed. Rocco, 1998. p.74

6 responses to “Diálogo com Clarice – [diante da Eternidade]”

  1. leda at 2009/01/29 18:53 says:

    Quando se tem a eternidade a frente e atrás,não se tem eternidade…pois a linha de tempo é outra medida, diferente de eternidade.
    Por ser eterno, não é mensurável.
    A solidão que faz o humanho só,é filha do tempo, onde tudo é mortal..

  2. TCris at 2009/01/29 20:51 says:

    Talvez a solidão seja apenas a nossa (mortal e humana) percepção da impermanência das formas diante da perenidade que a eternidade (imensurável) representa.

    Essa linguagem poética de Clarice, que numa frase (quase um verso) revela um dos maiores paradoxos da existência humana – a solidão de sermos uma forma finita permite pressentir o sem forma do infinito a que também pertencemos.

    Na nossa finitude vamos deixando marcas uns para os outros, nas pedras, nas palavras, no eter, que nos permitem sonhar com a eternidade.

  3. leda at 2009/01/30 00:13 says:

    “”Nessa noite Lóri ficou de vigília. Era uma noite muito bonita: parecia com o mundo. O espaço escuro estava todo estrelado, o céu em eterna muda vigíia. E a terra embaixo com suas montanhas e seus mares.

    Lóri estava triste. Não era uma tristeza difícil. Era mais como uma tristeza de saudade. Ela estava só. Com a eternidade à sua frente e atrás dela. O humano é só.

    Ela quis retroceder. Mas sentia que era tarde demais: uma vez dado o primeiro passo este era irreversível, e empurrava-a para mais, mais, mais!

    O que quero, meu Deus. É que ela queria tudo. Como se passasse do homem-macaco ao pitecantropus erectus. E então não havia como retroceder: a luta pela sobrevivência entre mistérios. E o que o ser humano mais aspira é tornar-se um ser humano.

    Já que não tinha sono, foi à cozinha esquentar o café. Pôs açucar demais na xícara e o café ficou horrível. Isto levou-a uma realidade mais cotidiana. Descansou e parou de ser.”

    Dentro do contexto maior da frase, percebemos a súplica da alma diante da saudade da eternidade.

    bela e profunda percepção da solidão !!!!

  4. Lana at 2009/01/30 15:39 says:

    e cada vez mais acredito que é preciso estar só pra se viver!!! que coisa!!!

  5. Marly at 2009/01/30 19:56 says:

    “…a luta pela sobrevivência entre mistérios.”

    Quando nascemos, entramos no tempo.
    Quando morremos, saimos do tempo.
    Entre o nascer e o morrer, o mistério da eternidade.
    Nossos corpos são esculpidos pelo tempo.
    Nossos pensamentos vão e vem, os sentimentos mudam.
    Tudo muda, nada permanece.
    Neste mundo relativo nada é eterno?
    A vida humana é somente temporal?
    Pois há momentos em que o tempo parece parar,
    suspenso em um instante de graça,
    tocando o intemporal.
    Haveria em nosso presente uma porta para a eternidade?
    Vivemos no tempo e somos eternos.
    Tudo em nós muda e algo permanece.
    Somos terrenos e, por vocação, divinos.
    Essa é nossa grandeza e nossa tragédia.

  6. leda at 2009/01/31 13:18 says:

    lindo texto marly!!!!

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