Date: 2009.01.18 | Category: Diálogo com Clarice | Tags:

Loreley - escultura

“Loreley é o nome de um personagem lendário, do folclore alemão, cantado num belíssimo poema por Heine. A lenda diz que Loreley seduzia os pescadores com seus cânticos e eles terminavam morrendo no fundo do mar, já não me lembro mais dos detalhes. Não, não me olhe com esses olhos culpados. Em primeiro lugar quem seduz você sou eu. Sei, sei que você se enfeita para mim, mas isso já é porque eu seduzo você. Eu não sou um pescador, sou um homem que um dia você vai perceber que ele sabe menos do que parece, apesar de ter vivido muito e estudado muito.”

Clarice Lispector. Uma aprendizagem ou o Livro dos prazeres. ed. Rocco, 1998. p.97

5 responses to “Diálogo com Clarice – Momento mítico-filosófico”

  1. TCris at 2009/01/18 13:58 says:

    “Uma escarpa rochosa de 132 metros de altura que desponta do Reno em St. Goarshausen atrai os turistas com o mito da Loreley desde o século 19. A história da Loreley, a linda loura que encanta quem navega pelo Reno, é conhecida, ao menos de forma resumida, em todo o mundo: a jovem sentada sobre uma rocha penteia seus longos cabelos louros. Como que encantadas, as tripulações dos barcos que navegam pelo Reno olham para ela, desviam a atenção do turbilhão das águas do rio e se afogam.”

    Pesquisa na Internet

  2. leda at 2009/01/18 21:22 says:

    veja o cenario de loreley em :

    http://br.youtube.com/watch?v=4nfAhfboB5g&feature=related

  3. marly at 2009/01/20 23:25 says:

    Desde o início fiquei me perguntando o que teria levado Clarice a escolher esses nomes (Ulisses e Loreley) para os personagens, pois não tinha o livro. Agora compreendo a relação: ambos estão ligados à questão da sedução e seus riscos.
    O mito de Loreley está relacionado a outros mitos que envolvem entidades femininas das águas, irresistivelmente sedutoras e perigosas: Sereias, Ondinas, Yaras… Havendo uma associação entre prazer e morte.
    No mito de Ulisses, ele é amarrado no mastro do navio e todos que estão na embarcação cobrem os ouvidos com cera para não sucumbirem ao canto das sereias. E amarrar-se ao mastro passa o sentido de manter o eixo para não se deixar levar pela sedução mortal, além de não dar ouvidos a ela.
    Mas o que é interessante no texto de Clarice é que ambos são sedutores e seduzidos. É como se fosse necessário a cada um passar pelas duas experiências e aceitar as inevitáveis mortes decorrentes para poderem chegar a um NÓS que transcende as individualidades, integrando-os através do amor.
    Que beleza!!! Estaria aí uma das relações entre aprendizagem e prazer?

  4. TCris at 2009/01/21 14:53 says:

    Marly:

    A sedução é um assunto controvertido. No senso comum passa sempre a imagem (reducionista)de que quem seduz é “culpado”: “Não, não me olhe com esses olhos culpados. Em primeiro lugar quem seduz você sou eu”. Paradoxalmente (eis aí de volta a lógica paradoxal) não há quem nao queira ser seduzido…por alguma coisa, porque sedução está ligada à prazer ainda que essa relação permaneça implícita muitas vezes. Gostamos de nos sentir seduzidos (há uma relação prazerosa) e poucas vezes gostamos de ser identificados explicitamente como sedutores porque há também uma conotação de culpa e manipulação.

    Clarice desmascara isso muito simplesmente: “Sei, sei que você se enfeita para mim, mas isso já é porque eu seduzo você.” Nos livrar da culpa permanente e aceitar o prazer de ser si mesmo (seduzir e ser seduzido como a vivencia das duas faces da moeda, como vc sugere), talvez seja a própria aprendizagem!

  5. leda at 2009/01/21 17:56 says:

    tem um exelente filme , “sereias” , que mostra a lenda dos encantos das sereias, e o tipo de sedução que ha em sua voz.
    As sirenas( sirenes) seduzem com o canto, a voz.
    Quanto se sabe que a voz das sirenas seduz, o poder de sedução fica nulo, e a loreley, não consegue mais levar sua presa para o fundo dos mares.´
    É um dos mitos mais belos, cheio de mensagens arquetipicas
    sobre o encanto( em canto).
    Clarice coloca uma via de duas mãos para o mesmo ato de seduzir, pois o en laçe, sendo um ato que nasce na intençao e se concretiza na ação, se torna prazeiroso quando é compartilhado na cumplicidade entre ambos.

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