Blog da Companhia de Aprendizagem

Arquivo de 27 de Novembro de 2008

A Casa do Embu

(…) Ninguém sabe exatamente descrever a Casa do Embu, porque ela pulsa com vida própria – desde a louça azul e branca que flori na mesa farta e esmeradamente cuidada, às toalhas e cortinas brancas e rendadas nas janelas e nos banheiros, quando a gente está lá sabe que está de passagem, mas sabe também que faz parte dali. Mistério!

De um tempo para cá, quase todos os anos nos encontramos lá, perto do Natal, para um balanço geral em nossas vidas e projetos desenvolvidos por cada um, aqui e acolá. Há sempre gente que não está mais e gente nova que chega. Isso nos obriga a pensar sobre esse binômio vida-morte de tudo que existe, e valorizar cada re-encontro.

…Também os seres que freqüentam a Casa do Embu entrelaçando suas histórias são misteriosos e únicos; só estando lá pra ver e ouvir o que eles falam e calam. Chegam ruidosos, de todos os cantos, trazendo cada um presentes para todos, mimos, comidas – abraçam-se e beijam-se fraternamente. Depois comem e riem juntos na mesa festiva. De repente se levantam e vão para uma das salas avarandadas (tem a de baixo e a de cima) calam-se todos e ouvem atentamente cada um contar a sua história. Por todos os lados papéis, livros, revistas, inundam mesas e tapetes. Alguns escrevem - silenciosamente anotam as palavras uns dos outros. Depois conversam e dizem uns para os outros o que lhes vai na alma, no coração, no pensamento. Chamam isso de escutar o outro; ninguém explica, replica ou justifica – isso lá não parece necessário!

TCris

Fragmento de uma cronica escrita após o Encontro Anual da Companhia de Aprendizagem na Casa do Embu, nov. 2008

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