Sagrados desejos
Diálogo no Skype:
M - Hiero-formaçao… Formação do Sagrado…
TC - Aventurosa formação - que expressão linda!
M - É uma dimensão da formação nem sempre considerada.
TC - Adoro as pessoas ousadas que abrem trilhas… Pensei na imagem da trilha, de bicicleta…
M - Mas como ele diz, esse é um caminho de realização, mas também de ilusões e aprisionamentos…
TC - Todos os caminhos são de ilusão e de aprisionamento se detemos a caminhada.
M - Veja como ele fala de uma relação pessoal com o sagrado, sem necessariamente passar pelas instituições religiosas. Esse tema é muito interessante, porque poderíamos falar de aproximações do sagrado, relacionadas a diferentes níveis de consciência.
TC - Sim… É que há certas linguagens que soam mais familiares à nossa experiência. Por isso a diversidade é importante.
M - Aí entra o Deleuze… Multiplicidades… Sair das hegemonias… Abraçar a diversidade.
TC - Veja que quaisquer que sejam as descrições sobre o processo, com ângulos, relevos ou linguagens diversas, todos convergem para o próprio processo.
M - Acho que esse reconhecimento vai se dando na construção. O devir… sempre o devir… traz essa possibilidade.
TC - Sim… Fico pensando na maravilha que é o (s) exato(s) instante(s) em que percebemos o sagrado.
M – É como uma explosão!
TC - Quando as pessoas que falam, vivem o sagrado, elas irradiam a própria dimensão da sacralidade no que falam… Lembro de Leloup, Pineau, Ubiratan e do Barbier também…
M - Agora pensei que o acesso ao corpo sensível pode ser uma forma de encontrar o sagrado em nós. Esses processos, para mim, não acontecem em todas as dimensões do ser ao mesmo tempo. Ora uma, ora outra vão atingindo mais clareza, mas sempre resta alguma que não foi percebida e temos que voltar à obra nessa dimensão.
TC - Sim… Isso nos faz vivenciar nossa própria complexidade e para isso precisamos aprender a transitar com mais consciência pela nossa multidimensionalidade. E quando penso nisso, penso naquele comentário do Danis Bois sobre a nossa pobreza perceptiva, que precisa ser trabalhada.
M - Temos que aprender a dar passagem ao que se passa conosco…. E me lembro do Nômade de Deleuze.
TC - Essa construção talvez exija que busquemos essas sínteses: entre o que queremos e não queremos mais.
M - E aí entramos na esfera do desejo… Por isso eu pus o texto no blog. Como vemos essa questão do desejo?
TC - Fico pensando que essa questão do desejo não é facilmente reconhecida… As pessoas não reconhecem o desejo nessa dimensão interior de poder escolher - isso talvez seja difícil mesmo.
M - A maneira como Deleuze fala do desejo abriu novas pistas para mim. Desejo como construção de agenciamentos. O desejo nos mobiliza a estabelecer novas ligações, novas alianças… E as novas alianças retroalimentam o desejo. O desejo não é minha propriedade, não é apenas meu, mas envolve os outros e o mundo.
TC - Mas eu tenho uma participação nele… Todos têm e ampliam o desejo.
M - Sim, com certeza, mas ele foi construído com a participação de outras coisas também. Aliás, tudo é construído com participação de muitas coisas… que ignoramos. E desvelar essa participação faz parte do processo de autoformação, que de certa maneira, é sempre em co-formação… Quando tomamos consciência disso.
TC - Como será que o desejo de Deleuze dialoga com o desejo de Lacan?
M - Agora vc me pegou… Não tenho a mínima idéia! Nunca me interessei muito por Lacan, mas é uma ligação possível.
TC - Vou propor essa questão para Bety Saporiti… Quem sabe ela topa estabelecer esse diálogo aqui no Blog da Companhia?
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