Blog da Companhia de Aprendizagem

Arquivo de 23 de Setembro de 2008

Múltiplas entradas

A semana passada foi intensa.
Primeiro, ouvir e sentir a presença viva de Danis Bois (Corpo Sensível) e de Marie-Christine Josso (Histórias de Vida). Bois escreveu a seguinte dedicatória ao autografar seu livro “O Eu Renovado”: “A busca do sentido da vida é um trabalho de coração e de reflexão – sem o coração, nada é possível – sem a reflexão nada é possível”.
Depois, a reunião da coordenação da Companhia para uma reflexão conjunta sobre os “Mil Platôs” de Deleuze-Guattari: “Não chegar ao ponto em que não se diz mais EU, mas ao ponto em que não tem qualquer importância dizer ou não dizer EU. Não somos mais nós mesmos” – multiplicados.
E todo esse agenciamento culminou com o link* enviado pela Mônica: Viviane Mosé recitando seu “Poema Preso”:

A maioria das doenças que as pessoas têm são poemas presos.
Abscessos, tumores, nódulos, pedras…
São palavras calcificadas, poemas sem vazão.
Mesmo cravos pretos, espinhas, cabelo encravado, prisão de ventre…
Poderiam um dia ter sido poema, mas não…
Pessoas adoecem da razão, de gostar de palavra presa.
Palavra boa é palavra líquida, escorrendo em estado de lágrima.
Lágrima é dor derretida, dor endurecida é tumor.
Lágrima é raiva derretida, raiva endurecida é tumor.
Lágrima é alegria derretida, alegria endurecida é tumor.
Lágrima é pessoa derretida, pessoa endurecida é tumor.
Tempo endurecido é tumor, tempo derretido é poema.
E você pode arrancar os poemas endurecidos do seu corpo
Com buchas vegetais, óleos medicinais, com a ponta dos dedos, com as unhas.
Você pode arrancar poema com alicate de cutícula, com pente, com uma agulha.
Você pode arrancar poema com pomada de basilicão, com massagem, hidratação.
Mas não use bisturi quase nunca,
Em caso de poemas difíceis use a dança.
A dança é uma forma de amolecer os poemas endurecidos do corpo.
Uma forma de soltá-los das dobras, dos dedos dos pés, das unhas.
São os poemas-corte, os poemas-peito, os poemas-olhos,
Os poemas-sexo, os poemas-cílio…
Atualmente, ando gostando dos pensamentos-chão.
Pensamento-chão é grama e nasce do pé,
É poema de pé no chão,
É poema de gente normal, de gente simples,
Gente de Espírito Santo.
Eu venho de Espírito Santo.
Eu sou do Espírito Santo, eu trago a Vitória do Espírito Santo.
Santo é um espírito capaz de operar o milagre sobre si mesmo.

    Ouvir, ver, sentir, refletir… Não somos um, somos vários… Multiplicidades, conexões: rizoma…

Marly

* http://www.cpflcultura.com.br/videoteca_2008

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