E falando em escrever…
O que os autores dizem sobre o ato de escrever, de ler e sobre o sentido do livro sempre possibilita uma ampliação do meu olhar e da compreensão do que me faz ser uma amante dos livros.
J. L. Borges, por exemplo, diz que os instrumentos criados pelo homem são extensões do seu corpo, mas o livro é uma extensão da memória e da imaginação. Ele conta que, quando foi professor, sugeria aos seus alunos que não lessem críticas e sim diretamente os autores dos livros. E mesmo que entendessem pouco sempre gostariam, pois estariam ouvindo a voz de alguém. E que o mais importante de um autor é a sua entonação, o mais importante de um livro é a voz do autor, essa voz que chega a nós.
Mais que lidos, os livros podem ser ouvidos!!!
E é sempre bom procurar ouvir, além do conteúdo da fala, quem fala, quando e de onde fala, ou seja, a partir de que nível ou dimensão o autor se expressa e em qual contexto espaço-temporal sua expressão se insere. Quem sabe, desse modo, possamos estar mais próximos do sentido imprimido pelo autor.
Marly
Fonte: BORGES, J. L. - Borges oral (El Libro). Buenos Aires: Emecé, 1979.
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2 respostas para “ E falando em escrever… ”
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Apenas transcrevo as palavras do ensaísta e crítico Antonio Cândido – os mestres se reconhecem na humildade que lhes é peculiar - que estavam lá, grafadas na exposição: “O melhor que posso fazer é aconselhar a cada um que esqueça o que eu disse, compendiando os críticos, e abra diretamente os livros de Machado de Assis”.
(Museu da Lingua Portuguesa - São Paulo - Exposição comemorativa de Machado de Assis, julho 2008)
Escrever: a terceira margem do rio???
“É que o meio não é uma média; ao contrário, é o lugar onde as coisas adquirem velocidade. Entre as coisas não designa um correlação localizável que vai de uma para outra e reciprocamente, mas uma direção perpendicular, um movimento transversal que as carrega uma e outra, riacho sem início nem fim, que rói suas duas margens e adquire velocidade no meio. (Deleuze e Guattari - Mil Platôs)