Arquivo de 14 de Setembro de 2008
E falando em escrever…
O que os autores dizem sobre o ato de escrever, de ler e sobre o sentido do livro sempre possibilita uma ampliação do meu olhar e da compreensão do que me faz ser uma amante dos livros.
J. L. Borges, por exemplo, diz que os instrumentos criados pelo homem são extensões do seu corpo, mas o livro é uma extensão da memória e da imaginação. Ele conta que, quando foi professor, sugeria aos seus alunos que não lessem críticas e sim diretamente os autores dos livros. E mesmo que entendessem pouco sempre gostariam, pois estariam ouvindo a voz de alguém. E que o mais importante de um autor é a sua entonação, o mais importante de um livro é a voz do autor, essa voz que chega a nós.
Mais que lidos, os livros podem ser ouvidos!!!
E é sempre bom procurar ouvir, além do conteúdo da fala, quem fala, quando e de onde fala, ou seja, a partir de que nível ou dimensão o autor se expressa e em qual contexto espaço-temporal sua expressão se insere. Quem sabe, desse modo, possamos estar mais próximos do sentido imprimido pelo autor.
Marly
Fonte: BORGES, J. L. - Borges oral (El Libro). Buenos Aires: Emecé, 1979.
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