TCris pensando sobre…
“Escrever nada tem a ver com significar, mas com agrimensar, cartografar, mesmo que sejam regiões ainda por vir.”
Deleuze, Guattarri – Mil platôs
TCris pensando sobre…
“Escrever nada tem a ver com significar, mas com agrimensar, cartografar, mesmo que sejam regiões ainda por vir.”
Deleuze, Guattarri – Mil platôs
Diz G.Perec em Espèces d’espaces:
“O espaço parece ser, ou mais domesticado, ou mais inofensivo que o tempo: encontramos em toda parte pessoas que têm relógios, e muito raramente pessoas que têm bússolas. Temos sempre necessidade de saber as horas (e quem sabe ainda deduzi-las da posição do sol?), mas não nos perguntamos nunca onde estamos. Achamos que sabemos: estamos em nossa casa, em nosso trabalho, no metrô, na rua”.
Isso teria algo a ver com essa cartografia?
Marly
Possivelmente tenha a ver com o espaço, espaço das conexões possíveis na estrutura rizomática …ainda estou tentando construir meu próprio referencial a partir da leitura do citado texto. Como um nômade (idéia relevante dentro do texto), ainda que às cegas e apalpadelas, ofuscada pela claridade abrupta de Mil platôs, busco no próprio texto uma direção no espaço, construir um mapa a partir de algum ponto que compreendi mentalmente ou que identifiquei experencialmente: ” Não há dúvida de que, antes de Mil platôs, nunca se tinha ido tão longe na crítica da representação e da significação, na revelação do que se relaciona a uma representação. Não um significante, mas sempre um ato, uma ação. (…) “Mil platôs contém todos os componentes de um tratado clássico de filosofia: uma ontologia, uma física, uma lógica, uma psicologia e uma moral, uma política. Com a diferença de que não se vai de uma a outra segundo uma lógica de desenvolvimento, do que funda ao fundado, dos princípios às conseqüências.” … “Deleuze e Guattari dão mais privilégio ao espaço do que ao tempo, ao mapa do que à árvore. Tudo é coextensivo a tudo. Assim as divisões só podem corresponder a placas, a estrias paralelas, com diferenças de escala, correspondências e articulações dos platôs, datados mas co-presentes.”
Ressoa em mim fortemente a idéia de “Um rizoma não começa nem conclui, ele se encontra sempre no meio, entre as coisas, inter-ser, intermezzo.” E a minha construção rizomática começou exatamente com a frase: “Escrever nada tem a ver com significar, mas com agrimensar, cartografar, mesmo que sejam regiões ainda por vir.”
O sagrado é o novo Deus que as pessoas cultuam para sentirem-se salvas ou diferentes….