Blog da Companhia de Aprendizagem

Arquivo de Setembro de 2008

Caminhos e caminhar…

Já faz muito tempo que o Caminho de Santiago de Compostela me chama, mesmo estando ciente de que a diferença não está em percorrer solos franceses, espanhóis ou brasileiros no sentido físico, mas em percorrê-los com alegria, fé e convicção, atendendo a um apelo profundo de gratidão e reverência pelo dom da vida.

No último final de semana de setembro, mesmo em meio a bastante chuva, tive a oportunidade de fazer o meu primeiro teste formal: caminhar 35 km em apenas duas etapas!

Cachoeira da vaca 1 2 - Cachoeira da vaca 1 2

De fato foi uma experiência impar! Tanto pelo teste de resistência - que me ajudou a constatar o quanto somos capazes de realizar quando temos determinação e um objetivo claro a ser alcançado - quanto pela alegria das trocas e partilhas, tão intensas e úteis, com as dicas dos que já passaram pelo Caminho de Santiago.

Enquanto caminhava, nos momentos de abençoada solidão e silêncio (somente quebrado pelo som das águas das diversas cachoeiras ou dos eventuais pássaros), senti novamente o intimo apelo que vem guiando meus mais de 30 anos de trabalho como educadora ambiental. E, como em tantas outras experiências trazendo alunos para este abençoado contato, pensei na importância de lembrarmos que quando caminhamos o fazemos pelo dorso de Gaia. E que todos nós, onde quer que estejamos peregrinando, temos a missão de dar exemplos de comportamentos ecologicamente corretos, de solidariedade e de compromisso co-responsável pela vida e pelo bem estar de qualquer ser vivo, buscando a humanização do mundo!
Valeu… Estou a caminho…

Monica

coração - coração

O coração da Terra

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Diálogo - entre nossas duas almas

” - Nada menos de duas almas. Cada criatura humana traz duas almas consigo: uma que olha de dentro para fora, outra que olha de fora para dentro… Espantem-se à vontade; podem ficar de boca aberta, dar de ombros, tudo; não admito réplica. Se me replicarem, acabo o charuto e vou dormir. A alma exterior pode ser um espírito, um fluido, um homem, muitos homens, um objeto, uma operação. Há casos, por exemplo, em que um simples botão de camisa é a alma exterior de uma pessoa; - e assim também a polca, o voltarete, um livro, uma máquina, um par de botas, uma cavatina, um tambor, etc. Está claro que o ofício dessa segunda alma é transmitir a vida, como a primeira; as duas completam o homem, que é, metafisicamente falando, uma laranja. Quem perde uma das metades, perde naturalmente metade da existência; e casos há, não raros, em que a perda da alma exterior implica a da exístência inteira. Shylock, por exemplo. A alma exterior daquele judeu eram os seus ducados; perdê-los equivalia a morrer. ‘Nunca mais verei o meu ouro, diz ele a Tubal; é um punhal que me enterras no coração’. Vejam bem esta frase: a perda dos ducados, alma exterior, era a morte para ele. Agora, é preciso saber que a alma exterior não é sempre a mesma… ”

Fragmento - O espelho. Machado de Assis in: Papéis Avulsos (contos), 1882

TCris

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Encontro com Marie-Christine Josso e Danis Bois

“A dimensão do sensível emerge de um contato direto e íntimo com o corpo, a partir do qual o praticante desenvolve uma nova maneira de relacionar-se consigo mesmo, com os outros e com o mundo. Dessa relação, caracterizada pela presença de si, surge uma nova forma de conhecimento.” (Danis Bois)

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Em companhia: Helô, Marly, Viviane, TCris, Bia e Silvana prestigiaram o evento e aprenderam sobre Somato-Psicopedagogia com Danis Bois na Universidade São Camilo, dia 18 de setembro último.
Conheça mais sobre esse assunto em http://www.fasciaterapia.com.br

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Marie-Christine Josso e Danis Bois (nas laterais) iniciando a palestra.

Na ocasião, foram lançados os livros: “O sujeito sensível e a renovação do Eu: Contribuições da Fasciaterapia e da Somato-psicopedagogia” - organizadores: Danis Bois, Marie-Christine Josso e Marc Humpic, Editora Paulus e Centro Universitário São Camilo, 2008, e “O Eu Renovado“, autor Danis Bois, Editora Idéias e Letras, 2008.

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Múltiplas entradas

A semana passada foi intensa.
Primeiro, ouvir e sentir a presença viva de Danis Bois (Corpo Sensível) e de Marie-Christine Josso (Histórias de Vida). Bois escreveu a seguinte dedicatória ao autografar seu livro “O Eu Renovado”: “A busca do sentido da vida é um trabalho de coração e de reflexão – sem o coração, nada é possível – sem a reflexão nada é possível”.
Depois, a reunião da coordenação da Companhia para uma reflexão conjunta sobre os “Mil Platôs” de Deleuze-Guattari: “Não chegar ao ponto em que não se diz mais EU, mas ao ponto em que não tem qualquer importância dizer ou não dizer EU. Não somos mais nós mesmos” – multiplicados.
E todo esse agenciamento culminou com o link* enviado pela Mônica: Viviane Mosé recitando seu “Poema Preso”:

A maioria das doenças que as pessoas têm são poemas presos.
Abscessos, tumores, nódulos, pedras…
São palavras calcificadas, poemas sem vazão.
Mesmo cravos pretos, espinhas, cabelo encravado, prisão de ventre…
Poderiam um dia ter sido poema, mas não…
Pessoas adoecem da razão, de gostar de palavra presa.
Palavra boa é palavra líquida, escorrendo em estado de lágrima.
Lágrima é dor derretida, dor endurecida é tumor.
Lágrima é raiva derretida, raiva endurecida é tumor.
Lágrima é alegria derretida, alegria endurecida é tumor.
Lágrima é pessoa derretida, pessoa endurecida é tumor.
Tempo endurecido é tumor, tempo derretido é poema.
E você pode arrancar os poemas endurecidos do seu corpo
Com buchas vegetais, óleos medicinais, com a ponta dos dedos, com as unhas.
Você pode arrancar poema com alicate de cutícula, com pente, com uma agulha.
Você pode arrancar poema com pomada de basilicão, com massagem, hidratação.
Mas não use bisturi quase nunca,
Em caso de poemas difíceis use a dança.
A dança é uma forma de amolecer os poemas endurecidos do corpo.
Uma forma de soltá-los das dobras, dos dedos dos pés, das unhas.
São os poemas-corte, os poemas-peito, os poemas-olhos,
Os poemas-sexo, os poemas-cílio…
Atualmente, ando gostando dos pensamentos-chão.
Pensamento-chão é grama e nasce do pé,
É poema de pé no chão,
É poema de gente normal, de gente simples,
Gente de Espírito Santo.
Eu venho de Espírito Santo.
Eu sou do Espírito Santo, eu trago a Vitória do Espírito Santo.
Santo é um espírito capaz de operar o milagre sobre si mesmo.

    Ouvir, ver, sentir, refletir… Não somos um, somos vários… Multiplicidades, conexões: rizoma…

Marly

* http://www.cpflcultura.com.br/videoteca_2008

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E falando em escrever…

O que os autores dizem sobre o ato de escrever, de ler e sobre o sentido do livro sempre possibilita uma ampliação do meu olhar e da compreensão do que me faz ser uma amante dos livros.

J. L. Borges, por exemplo, diz que os instrumentos criados pelo homem são extensões do seu corpo, mas o livro é uma extensão da memória e da imaginação. Ele conta que, quando foi professor, sugeria aos seus alunos que não lessem críticas e sim diretamente os autores dos livros. E mesmo que entendessem pouco sempre gostariam, pois estariam ouvindo a voz de alguém. E que o mais importante de um autor é a sua entonação, o mais importante de um livro é a voz do autor, essa voz que chega a nós.

Mais que lidos, os livros podem ser ouvidos!!!

E é sempre bom procurar ouvir, além do conteúdo da fala, quem fala, quando e de onde fala, ou seja, a partir de que nível ou dimensão o autor se expressa e em qual contexto espaço-temporal sua expressão se insere. Quem sabe, desse modo, possamos estar mais próximos do sentido imprimido pelo autor.

Marly

Fonte: BORGES, J. L. - Borges oral (El Libro). Buenos Aires: Emecé, 1979.
Citado em http://www.con-versiones.com

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Diálogo de uma nota só

TCris pensando sobre…

“Escrever nada tem a ver com significar, mas com agrimensar, cartografar, mesmo que sejam regiões ainda por vir.”

Deleuze, Guattarri - Mil platôs

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Revista @mbienteeducação

Em julho/2008, foi lançada a Revista @ambienteeducação. Trata-se de uma revista acadêmico-científica digital realizada por professores e alunos do Programa de Mestrado em Educação da Universidade Cidade de São Paulo com o objetivo de criar um espaço para publicação de artigos, resenhas e entrevistas abordando temas vinculados ao universo teórico, do Programa de Mestrado: Políticas Públicas de Educação e Formação de Professores.

Como diz Ecleide C. Furlanetto no Editorial:

“No início era um sonho distante, mas aos poucos, em meio a pesquisas, consultas e diálogos, a revista foi se delineando como um espaço capaz de dinamizar os processos de divulgação de trabalhos acadêmicos que atendam às demandas do mundo contemporâneo.
O primeiro número da revista organizou-se em torno da temática: Formação e Aprendizagem, investigada em nosso programa. As vidas, as práticas, os pensamentos, os sentimentos, as intuições e os dilemas dos sujeitos que aprendem estão sendo desvelados. Pesquisas revelam que os caminhos da formação e da aprendizagem são múltiplos e singulares e que requisitam um sujeito capaz de pensar, mas também de sentir, de intuir e de se relacionar com o mundo interno e externo.
Nesse número, procuramos selecionar autores que têm investigado os novos cenários e caminhos da aprendizagem e de formação e contribuído para ampliar a compreensão desses processos”.

Um dos artigos da revista deu margem à reflexão postada abaixo por TCris. Vale conferir…

http:// www.cidadesp.edu.br/old/revista_educacao/index.html

Marly

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