Intraníveis do diálogo
Intraníveis do diálogo
ou da experiência do paradigma do sensível
(…) ”E´ graças a uma relação da consciência e
do sentir com sua experiência que a pessoa se descobre a si mesma como sujeito”
BOIS, Danis; AUSTRY, Didier. A emergência do paradigma do sensível.
Foi ontem, que eu cheguei à página 17 da segunda leitura do artigo “A emergência do paradigma do sensível”. Parei e respirei fundo, deixando ressoar as palavras do texto: (…) “Para nós, uma pessoa assume o estatuto de sujeito quando cuida da presença em relação a si mesma e descobre, em plena consciência, as vivências internas ligadas à presença interior do Sensível…. É considerado como vivência todo fenômeno sentido, percebido e conscientizado pelo sujeito em tempo real.”
Aqui, o vento de agosto assolava a tarde enferruscada de sábado; também é bonito esse vento girante, pensei _ também tem a sua função como tudo que é vivo. Por causa do vento, tive o impulso de recolher minhas orquídeas floridas, do quintal para a varanda, para protege-las. Mas, instantâneamente, lembrei que elas estão no lugar que lhes é próprio e rememorei o compromisso que estou mantendo com a primeira palavra do ensinamento hesicasta - a oração do coração - sobre a qual ando meditando: Assenta-te.
Assentar. Manter o estado de imobilidade interior, deixar ser o que é, exercício a que tenho me dedicado ultimamente. A leitura e estudo do instigante artigo “A emergência do Paradigma do Sensível” feito durante toda esta última semana, os e-mails divulgando-o para alguns amigos, a proposta ao grupo de estudos para sua leitura, como impulso para nosso próximo trabalho, fazem parte do movimento inverso e complementar, a mobilidade.
(…)”o âmago da experiência [da imobilidade? pergunto-me ] orienta a atenção e a atitude do sujeito e o predispõe a certos conteúdos de experiência e não a outros [da mobilidade?].”
A experiência orientadora de todo esse movimento imobilidade-mobilidade, pode ser traduzida pelo mote Assenta-te, que traduz uma dinâmica de imobilidade. A partir dela, entrei em contato com a leitura de diferentes textos, todos ressoantes entre si, até chegar a este citado.
Este é um relato parcial, pois ainda não cheguei ao final da segunda leitura e o meu depoimento é sobre a experiência vivenciada como um todo e não apenas sobre o texto; é meu retorno reflexivo sobre a experiência, como propõe Galvani e como o utilizamos na Companhia de Aprendizagem. Aliás, encontrei nessa leitura várias ressonâncias com a consciência reflexiva da autos, de Galvani. Mas encontrei também algumas inferências que remetiam à minha própria experiência intra e inter subjetivas, ou como pontua o texto:
(…)”Já a relação do Sensível, se ela nos faz ver efetiva e permanentemente essa noção de cobertura e de mistura de duas forças opostas, cria um processo dinâmico contínuo que potencializa os contrários para fazer emergir uma terceira dimensão, abertura criativa de novos sentidos. Por exemplo, quando o sujeito percebe seu movimento interno, ele o percebe no seio da imobilidade de seu corpo; a experiência desse quiasma [entrelaçamento] lhe revela uma nova natureza de presença dele mesmo, a imobilidade revelando-lhe sua globalidade e a mobilidade mostrando-lhe uma profundidade desconhecida. “
A partir do Assenta-te como parâmetro da minha interioridade, em repouso fiz a leitura do texto. Depois, esbocei uma nova proposta de trabalho grupal, articulei os possíveis interessados nela, prescrutei a mim mesma sobre a relação desta proposta com a meu propósito pessoal, sugeri o estudo do citado texto como aporte pra desenvolve-la e enviei o texto aos que se manifestaram, numa seqüência de ações mobilizadoras.
Então, no repouso do sábado à tarde, na rede, ouvindo o vento assobiar lá fora, retornei à dinâmica da imobilidade, que permitiu esse trajeto… (…)”Para nós, o termo existência só é empregado de maneira pertinente e apropriada quando ele descreve o que sente um sujeito ativo e presente aos efeitos, na interioridade de seu corpo, daquilo que ele vive. Nesta visão, não há (re)conhecimento de si sem o sentimento interior e contínuo de uma coexistência viva e atual de si e de seu corpo, de si dentro do seu corpo. Assim, o corpo sensível é lugar de emergência perpétua de uma forma singular de ligação entre si e si, que se torna o primado da ligação entre si e o mundo.”
E depois disso tudo, experimento finalmente, a descoberta de um lampejo de compreensão da abordagem paradoxal de Yves Barel ! Mas essa já é outra história.
TCris
BOIS, Danis; AUSTRY, Didier. A emergência do paradigma do sensível. Revista @mbienteeducação, volume, número , Jan/Julho 008. Disponível em: http://www.cidadesp.edu.br/old/revista_educacao/index.. Acesso em 18.08.08
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