Aqui, solilóquios de quem se aventurar “a criar fronteiras flexíveis, através da ousadia necessária para abrir espaços de questionamentos”. (TROCMÉ-FABRE, Hélène. Reinventar o Ofício de Aprender TRIOM, 2010) .
Embora muitos dicionários registrem as palavras solilóquio (Do latim “solilóquium” (solus = sozinho e loqui = falar); conversa de alguém consigo mesmo) e monólogo como sinônimas, outros advertem: “. Distingue-se do monólogo (fala ou discurso por uma única pessoa em teatro ou oratória, etc.) porque, embora etimologicamente de igual significado, o Solilóquio é uma espécie de diálogo do autor com sua alma, com sua consciência, um “autodialogo” …”
“O solilóquio s é uma técnica frequentemente usada nos palcos teatrais ou nos romances. Termo de procedência latina, ele tem o sentido de ‘falar sozinho’. Enquanto no monólogo o personagem se dirige ao espectador ou ao leitor, nesta arte o enunciador dialoga consigo mesmo ou com sua alma, com a diferença de que não resume seus pensamentos ao plano de sua consciência, como no monólogo interior, mas os enuncia em voz alta diante de outrem, embora ignore sua presença. No monólogo interior as expressões orais estão restritas ao nível subconsciente, portanto elas são emitidas irracionalmente, sem lógica alguma; os sentimentos jorram desprovidos de qualquer coerência. Contrário a este recurso, o solilóquio é organizado segundo padrões lógicos e com nexos racionais, mesmo que os pensamentos procedam de uma fonte psíquica e não do plano da razão.
Monólogos e solilóquios têm em comum o fato dos pensamentos e emoções partirem de um único ser, ou seja, a fala se resume somente a ele, portanto não há interlocutores que dialogam, mas sim uma criatura que derrama no palco ou nas páginas de um romance suas idéias e sentimentos. “
(Ana Lucia Santana in http://www.infoescola.com/comunicacao/soliloquio/)
Neste janeiro 2012, como nos anteriores, dedico-me à leitura literária e trarei alguns trechos do livro Clarabóia, obra de José Saramago publicada postumamente, que ganhei de presente. Clarabóia é uma palavra linda, antiga, que sugere respiro, ventilação, passagem da luz. (segundo os dicionários “ s.f. Abertura envidraçada, com caixilhos, feita no teto ou na parede externa de prédios ou casas, a fim de permitir a passagem da luz; olho-de-boi.”).

“Tia Amélia nunca dizia palavras supérfluas. Apenas as necessárias e não mais que as indispensáveis. Mas dizia-as de uma maneira que aqueles que a ouviam ficavam a apreciar o valor da concisão. As palavras pareciam nasce-lhe na boca no momento em que eram ditas: vinham ainda repletas de significação, pesadas de sentido, virgens. Por isso dominavam e convenciam.”
(José Saramago. Clarabóia. Companhia das Letras, 2011, p.18)
Ainda não sei porque as palavras clarabóia e solilóquio entrelaçaram-se aqui…
TCris