Data: 2012.01.24 | Categoria: Solilóquio | Comentários: 0

“Isaura sempre gostava daqueles momentos em que, antes de curvar a cabeça sobre a máquina, deixava correr os olhos e o pensamento. A paisagem era sempre igual, mas só a achava monótona nos dias de verão teimosamente azuis e luminosos em que tudo é evidente e definitivo. Uma manhã de nevoeiro como esta, de nevooeiro delagado que não impedia de todo a visão, cobria a cidade de imprecisões e de sonho. Isaura saboreava tudo isto. Prolongava o prazer.” (p.17)

Fumaça

” Lídia parecia desinteressada. Abrira uma caixa de cigarros e acendera um Camel. Não fumava por vício ou por necessidade, mas o cigarro fazia parte de uma complicada rede de atitudes, palavras e gestos, todos com o mesmo objetivo: impressionar. Isso, em si, já se transformara numa segunda natureza: desde que estivesse acompanhada, e fosse qual fosse a companhia, trataria de impressionar. O cigarro, o riscar lento do fósforo, a primeira baforada do fumo, longa e sonhadora, tudo eram cartas do jogo.” p.30

(José Saramago. Clarabóia. Companhia das Letras, 2011)

Data: 2012.01.22 | Categoria: Solilóquio | Comentários: 0

Este livro – inicial na carreira de Saramago e esquecido numa gaveta após a recusa de um editor, já traz latente a genialidade do autor no trato com as questões humanas, apresentando-as nuas como são, mas também sugerindo caminhos para que se transformem, capacidade esta potencializada em todos nós. O que está me chamando atenção nesta obra, é a galeria de tipos humanos, todos nomeados e contextualizados, coisa rara na obra madura de Saramago. São as nossas interfaces, das quais raramente nos damos conta. Minhas anotações sobre a obra vão neste sentido. Sinto falta do talento criador de Norrin Road , que poderiam dar imagens às palavras de Saramago…

Olhar de mariana

” A voz de Mariana era tão gorda como a sua dona. E era tão franca e bondosa como os olhos dela… Nenhum deles se iludia a respeito do outro e bem sabiam que o fogo da juventude se apagara para nunca mais, mas amavam-se ternamente, hoje como há trinta anos, quando do casamento. Talvez agora o seu amor fosse maior, porque já não se alimentava das perfeições reais ou imaginadas.” p.11

Data: 2012.01.15 | Categoria: Diálogos, Solilóquio | Comentários: 1

Aqui, solilóquios de quem se aventurar “a criar fronteiras flexíveis, através da ousadia necessária para abrir espaços de questionamentos”. (TROCMÉ-FABRE, Hélène. Reinventar o Ofício de Aprender TRIOM, 2010) .

Embora muitos dicionários registrem as palavras solilóquio (Do latim “solilóquium” (solus = sozinho e loqui = falar); conversa de alguém consigo mesmo) e monólogo como sinônimas, outros advertem: “. Distingue-se do monólogo (fala ou discurso por uma única pessoa em teatro ou oratória, etc.) porque, embora etimologicamente de igual significado, o Solilóquio é uma espécie de diálogo do autor com sua alma, com sua consciência, um “autodialogo” …”

“O solilóquio s é uma técnica frequentemente usada nos palcos teatrais ou nos romances. Termo de procedência latina, ele tem o sentido de ‘falar sozinho’. Enquanto no monólogo o personagem se dirige ao espectador ou ao leitor, nesta arte o enunciador dialoga consigo mesmo ou com sua alma, com a diferença de que não resume seus pensamentos ao plano de sua consciência, como no monólogo interior, mas os enuncia em voz alta diante de outrem, embora ignore sua presença. No monólogo interior as expressões orais estão restritas ao nível subconsciente, portanto elas são emitidas irracionalmente, sem lógica alguma; os sentimentos jorram desprovidos de qualquer coerência. Contrário a este recurso, o solilóquio é organizado segundo padrões lógicos e com nexos racionais, mesmo que os pensamentos procedam de uma fonte psíquica e não do plano da razão.

Monólogos e solilóquios têm em comum o fato dos pensamentos e emoções partirem de um único ser, ou seja, a fala se resume somente a ele, portanto não há interlocutores que dialogam, mas sim uma criatura que derrama no palco ou nas páginas de um romance suas idéias e sentimentos. “
(Ana Lucia Santana in http://www.infoescola.com/comunicacao/soliloquio/)

Neste janeiro 2012, como nos anteriores, dedico-me à leitura literária e trarei alguns trechos do livro Clarabóia, obra de José Saramago publicada postumamente, que ganhei de presente. Clarabóia é uma palavra linda, antiga, que sugere respiro, ventilação, passagem da luz. (segundo os dicionários “ s.f. Abertura envidraçada, com caixilhos, feita no teto ou na parede externa de prédios ou casas, a fim de permitir a passagem da luz; olho-de-boi.”).

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“Tia Amélia nunca dizia palavras supérfluas. Apenas as necessárias e não mais que as indispensáveis. Mas dizia-as de uma maneira que aqueles que a ouviam ficavam a apreciar o valor da concisão. As palavras pareciam nasce-lhe na boca no momento em que eram ditas: vinham ainda repletas de significação, pesadas de sentido, virgens. Por isso dominavam e convenciam.”
(José Saramago. Clarabóia. Companhia das Letras, 2011, p.18)

Ainda não sei porque as palavras clarabóia e solilóquio entrelaçaram-se aqui…
TCris

Data: 2012.01.10 | Categoria: Projetos 2011 | Comentários: 0

Relatório do Projeto POLEN 2011 – vivências formativas mensais 2011


Parceiros
INSTITUTO PLANETA TERRA

Monitoria de Educação Ambiental – Teresa Cristina F. Bongiovanni

SECRETARIA MUNICIPAL DE EDUCAÇÃO DE ITAPEVA – Elenice Teobaldo

Supervisão responsável pelo Meio Ambiente com envolvimento periódico dos demais supervisores

Público-alvo
Grupo misto de Professores (todos os graus, séries, disciplinas), ATPs, Coordenadores, Diretores da rede Municipal de Ensino – 56 pessoas representando todas as escolas municipais da Rede Municipal de Educação de Itapeva

Perfil dos participantes: pessoas que tenham um perfil de liderança e/ou interesse em desenvolvê-lo e um trajeto receptivo e ativo na área de Educação Ambiental.

Objetivo
Orientar um processo de sensibilização e tomada de consciência e atitudes que possam resultar no desenvolvimento de uma programação/ação integradas na formação coletiva de uma consciência ambiental equilibradora que promova a cultura da paz interna e externa.

Cronograma

10 encontros – de Fevereiro a Dezembro de 2011

Centro de Educação Ambiental Avelino Peixe Comeirão Filho

última 3ª.feira do mês – das 8h às 10h

Sinopse das Atividades
- Encontros formativos mensais de fevereiro a dezembro de 2011 veja registro no blog da SE e no www.planetaterra.org.br
- Elaboração grupal da Tabela REDUZIR-REUTILIZAR-RECICLAR e divulgação entre todas as escolas em março de 2011
- Visita ao Parque Ibirapuera e à Exposição AGUA NA OCA em abril de 2011
- Socialização dos Projetos de Educação Ambiental das Escolas da Secretaria Municipal de Educação de Itapeva – junho e agosto de 2011
- Seleção e Apresentação dos cinco princípios selecionados para nortear a aplicação do TRATADO DE EDUCAÇÃO AMBIENTAL PARA SOCIEDADES SUSTENTÁVEIS E RESPONSABILIDADE GLOBAL
- Palestra com a Profa. Dra. Monica O. Simons em setembro de 2011 e apresentação do material pedagógico desenvolvido em Guarulhos – SP
- Apresentação dos conceitos fundamentais de Ecologia Integral – finalização em outubro de 2011
- Avaliação processual pelos participantes do projeto – dezembro de 2011

Em 2012 teremos desdobramentos deste projeto. Aguardem!
Abraços
TCris

Data: 2011.11.23 | Categoria: Companheiros de Aprendizagem, Ofício de Aprender | Comentários: 0

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“Durante esta duração o projeto, as fundações, as paredes, o vigamento da aprendizagem, instalam-se . Em termos de aprendizagem é o tempo de instalar, religar, “tricotar”, encadear os diferentes atos de aprender, na ordem lógica do vivente, nas suas relações com o meio ambiente, com os outros e consigo mesmo, o que exige a organização de numerosas idas e vindas, uma relação dialógica e um vasto espaço interior.”(A duração da organização)

1. A duração do Percurso

2. A duração de Maturação ou de Gestação. “Ela inclui a espera, a paciência, o silêncio, a confiança no que está por acontecer, no que está sendo procurado, no que será encontrado em seus próprios recursos e nos recursos do meio ambiente…”(…)

3. A duração da duração. (…) “a duração da duração, exigida pelas leis da vida, da evolução, do provável, do inesperado, da descoberta, e a compreensão da complexidade, da complementaridade, do “e…e…”

4. A duração da organização

5. A duração da emergência do sentido. “A mais preciosa de todas porque ela permite viver o instante, acolher o acontecimento, o objeto, a alteridade em nossa própria realidade., em nosso continuum, em nosso devenir .” (…)

6. A duração da decisão. “Este tempo de latência interpela numerosos pesquisadores em neurofisiologia. Eles querem compreender como o cérebro se organiza e estabelece conexões em rede que determinarão o futuro “sucesso” ou o futuro “fracasso” do ato. A existência dessa duração pede que seja levado em conta a duração que precede o ato de aprender, a que leva ao instante.”

7. A duração da inovação (…) “Ela permite ao aprendente dar vida (pôr no mundo) sua obra e encontrar um mundo de percepção e de expressão no qual ele poderá se reconhecer. Dessa maneira é garantido um ato de aprender autêntico, um ato que faz crescer.” (…)

14o. Encontro – 22.11.11 – TROCME-FABRE, Hélène. Reinventar o Ofício de Aprender. TRIOM, 2010. Cap. V – Arquitetura e Materiais para uma aprendência sustentável ,5. Organizar o tempo de aprender p.95. As sete durações a serem organizadas (p.99-102)

Data: 2011.11.13 | Categoria: Companheiros de Aprendizagem, Espaço-tempo, Ofício de Aprender | Comentários: 0

H – ” O ato de aprender sob o ângulo da durabilidade!
TC – “Ignoramos que nosso cérebro é plural e que ele faz a gestão de várias temporalidades: a da sobrevivência, a da relação afetiva, a da busca do sentido.”

H – “o vivente decide na e pelas transições…”

TC – “nas transições é que descobrimos as propriedades emergenciais do novo estado de ser…já dizia ela, a Meireles…”também é ser deixar de ser assim….” Como vamos levar esta proposta dela para educação sem experimenta-la em nossa própria vivencia?

M – é preciso ter coragem para fazer as necessárias paradas, pausas, intervalos… é o devenir de que ela fala…”o presente se encontra na junção do realizado e do ainda não realizado”.
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TC – Esta foi a minha maior descoberta neste trecho: o presente se encontra na junção do realizado e do ainda não realizado.

_ Tres razões que ela dá para que coloquemos a duração no centro: 1. a noção de duração é fundamental para compreender o vivente; 2. o ato de aprender transforma radicalmente nossa relação conosco, com os outros e com o meio ambiente; “A terceira razão para se colocar o problema do tempo no centro da problemática da aprendência é que as diferentes durações precisam ser reorganizadas na diversidade e na especificidade das diferentes etapas cognitivas que constroem o processo de aprendência.” p.99

H e M _ A palavra durabilidade é realmente ampla, veja só tudo que estamos trazendo para esse diálogo e quantas mais descobriremos no que virá… ela me traz a noção do fio do tempo, contínuo, não fatiado em hars, dias, meses ou presente passado futuro…parece um tempo que entrelaça tudo…

TC _ “Deixar de integrar as durações no percurso de aprendência é privar-se da imensa riqueza da busca de um sentido (significação e orientação) a ser dado à sua vida aprendente.” p.99

Diálogo no skype – 13o. Encontro – 08.11.2011
Cap. V – Arquitetura e Materiais para uma aprendência sustentável 5. Organizar o tempo de aprender p.95

Data: 2011.10.15 | Categoria: Companheiros de Aprendizagem, Ofício de Aprender | Comentários: 0

No trecho do livro que ora estudamos, da Hélène Trocmé-Fabre – Reinventar o Ofício de Aprender, chegamos no tópico Uma vida cognitiva sem fronteiras e sem compartimentos que aborda três itens correlacionados:

- a dupla dinâmica: potencialização e atualização – ” Na visão de stéphane Lupasco, toda energia possui uma energia antagônica; a atualização de uma provoca a potencialização da outra. Por isso é importante a situação intermediária (” o nível T”): “toda energia que passa de uma situação de potencialização para uma situação de atualização se encontra necessariamnete, num dado momento, numa situação intermediária (…) onde ela encontra a energia antagônica passando da situação de atualização para a situação de potencialização, na mesma situação T.”(p.80)

- imagens perceptuais e imaginadas: mesmo circuito – “Se, como vimos, nossa percepção sensorial é, incontestavelmente, uma construção individual, pessoal e biográfica de nossa relação com a realidade, já as imagens mentais são, por seu lado, uma atualização seletiva e transitória (num dado momento e sob uma certa forma) de um estado potencializado, até então mudo, mas disponível. Essa atualização adquire a forma de traços figurativos de uma relação que ocorreu, num dado momento, entre nós e o meio ambiente, entre nós e os outros, entre nós e nós mesmos. Por isso nossas imagens mentais trazem a marca, ainda muito mais forte do que a imagem perceptiva, de nossos estados emocionais, de nossa escala de valores, de nossas decisões prematuras, de nossas projeções dentro do que consideramos ser nosso passado ou do que gostaríamos que fosse nosso devenir.” (p.82)

- afetividade e racionalidade: uma e outra - “Os dois termos “afetividade” e “racionalidade” são os sobreviventes do léxico da dicotomia que herdamos no Ocidente. Enfim , agora é possível ousar aproximar os dois vocábulos, pronuncia-los um após o outro, buscar descobrir sua articulação em nossa vida cognitiva, dizer que ambos são partes integrantes dela e que eles são as duas vertentes de uma mesma realidade.” (p.84)
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Nossa vida cognitiva é um instrumento existencial.

Abraços
TCris

Data: 2011.10.05 | Categoria: Cenários, Companheiros de Aprendizagem, Projetos 2011 | Comentários: 0

No ultimo dia 27 de setembro Monica O. Simons e Teresa Cristina, duas das coordenadoras da Companhia de Aprendizagem reuniram-se em Itapeva para a realização do 8o. Encontro do Projeto Pólen.

Monica Simons conduz a Roda 27 09 11 em Itapeva

O trabalho começou pela manhã com uma dinâmica roda realizada ao ar livre como boas-vindas e acolhida aos participantes do projeto PÓLEN e os diretores das EMEIS, especialmente convidados para a ocasião. Como membro do CETRANS – Centro de Educação Transdisciplinar e uma das coordenadoras da Companhia de Aprendizagem – ambas instâncias atuantes na formação das pessoas dentro da abordagem transdisciplinar – , Monica, convidada para este evento, privilegiou na condução dos trabalhos a emergência do sujeito – cada educador presente – na conquista de sua própria consciência ambiental que possa vir a orientar seu trabalho pedagógico tendo como foco o pensamento sistêmico que enfatiza a interdependência de todos os elementos que em cadeia, sustentam a vida.

São novos companheiros interagindo com a Companhia!
Saiba mais – http://www.planetaterra.org.br/noticiaDetalhe.asp?idNoticias=327&idGrupo1=4